Beautiful

Estamos correndo, andando, jogando papéis no chão,
E estamos com pressa, deixando as coisas belas de lado.
Há uma criança sorrindo com sorvete na mão, não é lindo?
Ela está com os lábios sujos, camisetinha suja,
Há um homem lendo jornal, ele reclama da inflação,
E dores, cotações de dólar, guerras e celebridades.


E tem uma mulher que todas as manhãs ela cuida do jardim.
Ela me vê e começa a conversar, e ela está sempre feliz,
Sempre dizendo que ganhou uma nova flor, e isso é Beleza pra ela,
Então, ela me mostra um girassol, tulipas e suas roseiras, e ela diz:
[“Todos os dias eu rego minhas flores, menos em dias de chuva”]
Está chovendo agora, e então eu sei que amanhã ela não regará as flores.


 E continuamos assim, andando por calçadas esburacadas,
Reclamando de preços, política, trabalho e sem tempo,
Sem tempo para viver, sem tempo para respirar.
Cadê o poder?Ninguém enxerga as pequenas coisas,
Ninguém enxerga o poder das pequenas coisas,
E eu me pergunto…Porquê?Seria isso tão difícil?


Eu acredito numa Força maior, eu acredito na mágica,
Eu acredito no sorriso, nas coisas triviais, na beleza do inesperado,
Eu acredito naquela criança que tem medo do escuro,
Eu acredito nela, quando ela diz que tem monstros no quarto.
Quem poderia tirar a beleza de seu medo?O que nos amedronta, dizem…
[O que nos amedronta, nos torna mais fortes um dia]


E eu acredito na felicidade da mulher com um balão de criança,
Ela comprou num parque urbano e vai dar ao seu filho,
E ela diz: “Não solte o balão, senão você perderá.”
E eu me lembro que quando eu ganhava esses balões,
Eu soltava eles da mão quando entrava no quarto.
E então eu ficava pulando na cama para alcançá-los.


[Mamãe ficava brava e me colocava de castigo]
[E hoje então, ela ri da situação e isso será algo bonito na memória]


E todo mundo sabe que as coisas bonitas estão aí,
Dançando muitas vezes na nossa frente, consegue ver?
Coisas belas querendo chamar a atenção, e nada então fazemos,
Estamos sempre a reclamar, blasfemar, desdenhar,
E eu tento entender, porque somos tão pequenos?



Andei escutando muito uma música, todos os dias, e ela me faz pensar nisso, na nossa mania de ignorar as coisas bonitas…


“Everybody knows that we live in a world

Where they give bad names to beautiful things
Everybody knows that we live in a world
Where we don’t give beautiful things a second glance
Heaven only knows we live in a world
Where what we call beautiful is just something on sale
People laughing behind their hands while the fragile
And the sensitive are given no chance…”


 
 
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Canción de Cuna

Durma Bem!Que seus sonhos sejam vivos.
Durma bem!Não acorde assustado no meio da noite,
E se isso acontecer, tome um copo d’água,
Sente na beirada da cama e escute o silêncio.
Fique imóvel por um tempo, não pense em nada,
E por cinco minutos, cinco minutos, permaneça nessa forma.
Aprecie o silêncio, ele pode ser surreal e bonito nessas horas.

Amor, quando se deitar novamente, acorde apenas no outro dia.
Durma bem… Meu Amor!Imagino que seu colchão seja macio e acolhedor.
Durma bem!Que sua coberta o mantenha bem longe do frio, por mais que goste dele,
Ele pode te deixar doente. Amor, se agasalhe nas noites frias, frias e bonitas
[Deus sabe que não suportaria te ver mal, então, escute meu conselho]

Quando as cobertas não forem suficientes, encolha o seu corpo como uma criança,
Você sabia?Sabia que muitas vezes precisamos nos aconchegar em si mesmos?
Se encolha Meu Amor!Encoste seu rosto na palma da mão, e durma como uma criança.
Durma bem meu Amor!Faça um casulo com suas cobertas, durma feito uma lagarta!

Não tenha medo, não tenha medo de nada, se aqueça, feche os olhos e volte a sonhar.
Durma bem!Sabe porquê?Porque amanhã é outro dia, um novo dia, uma nova jornada.
Durma bem Querido!Está ventando lá fora, consegue ouvir?Consegue ouvir as folhas?
Uma tempestade está se formando, e então os trovões estão aos berros!
Amor, você sabia?Você sabia que eu acho lindo o clarão de um raio?
Durma Bem nesta noite chuvosa!Nesta e nas próximas!Que o barulho da chuva,
Este divino e cheiroso barulho de chuva, lhe acalme, seja um bálsamo na noite.
Acalme tua alma inquieta, caso tenha algo que esteja lhe fazendo perder o sono.

Quando estiver confuso, e a chuva acontecer, Meu Amor, se aproxime da janela!
Amor…consegue ver então?Olhe lá fora!Está tudo escuro!Você consegue enxergar?
[Os relâmpagos estão caindo e iluminarão este lugar, e você enxergará…então…]
[Então consegue ver algo Meu Amor?Sinta só!O cheiro de Ozônio!Não é bom?]
[Amor, nesse clarão, nesse segundo iluminado, saiba que não está sozinho]
[Quando olhar pela janela, abra bem seus olhos, e verá que tudo estará lá]
[As ruas, os prédios, veja as árvores balançando!Amor, isso é lindo não é?]

[Querido, quando abrir a janela, não hesite, deixe o vento acariciar seu rosto!]
[E então, você se recordará, o quanto isso é bom!]
Durma bem querido!São poucas horas de sono que você dorme todos os dias.
Eu me lembro, eu me lembro que você me disse que dorme apenas 5 horas,
Seus olhos querem se fechar, e você tem apenas algumas horas, apenas 4-5 horas.

Durma bem Querido!Durma como uma criança, nessas suas poucas horas.
Nessas tuas poucas horas sensatas, eu lhe desejo sonhos felizes,
Nessas tuas poucas horas de ouro, eu lhe desejo sonhos com notas musicais,
Uma canção de ninar meu amor!Uma canção nos braços do teu sono.
Uma canção de ninar, uma doce canção, de olhos fechados e coração aberto.

Uma canção de ninar, estou sussurrando essa canção em seus ouvidos.
Eu não sei se você me ouve, mas eu canto ela mesmo assim!
Esta canção de ninar, estou sussurrando agora, te vendo dormir, em poucas horas.
Durma bem agora Meu Anjo!Pode suspirar devagar, bem devagar, seja suave…
Durma bem meu amor, porque amanhã…amanhã é apenas outro dia não é?

Durma bem!Saiba que quando sentir frio e não conseguir se aquecer, estarei por perto!
Uma canção de ninar…sonhos de mármore…grilos lá fora, chuva a cair!
Esta canção de ninar, eu estou escrevendo para ti. Eu poderia cantar,
Mas eu não sei cantar…por isso te escrevo, essa canção. É isso que eu sei fazer!
Uma canção de ninar, estou a sussurrar, me inclinando perto de sua orelha,
Consegue sentir minha respiração perto de ti?Você dorme tão suave!

Durma bem agora…nos braços acolhedores do sono!
Porque o que eu mais queria, é se acolhesse em meus braços,
Que em meus braços você se deitasse, e então, eu poderia te contar uma história.
Durma bem meu Amor…Meu amor… durma bem agora e acalme sua mente inquieta.
E é na escuridão da noite, na escuridão da noite estou escrevendo e cantando…
Essa canção, esse poema…uma canção de ninar!

Hoy me acuerdo…de tu risa y de tus ojos

Duerme, duerme, duerme en mis brazos tu sueño.

Duerme, duerme, duerme en mis brazos tu vuelo.

Sandcastle Garden’s

No horizonte existe um bonito castelo de areia.

De longe eu estou observando aquilo que construí,

A maré está subindo, eu posso sentir isso, aqui do alto.

Então, eu fui correndo e tropeçando para proteger meu castelo.

Estou carregando agora pesados sacos de concreto, estou construindo um muro!

Porque essa onda gelada que está vindo lá de longe, pra me fazer desistir,

Será rebatida de volta e morrerá na orla da praia. Talvez, ela volte pra trás,

Porque por mais breve que seja uma onde, ela quer sempre destruir algo.

O meu castelo é bonito, estou cuidando do jardim dele agora,

Quero fazer deste lugar a coisa mais linda do mundo, e neste lugar,

Terá um jardim, com tulipas amarelas, rosas, hortênsias, brilhando de dia!

Com cores variadas, perfumadas, inocentes e impacientes.

E quando a noite chega, nesse meu jardim, pode sentir?Consegue sentir?

Há uma flor chamada Dama da Noite, ela está lá e na sua alvura e delicadeza,

Ela te envenena com seu cheiro adocicado, e quando tocá-la será fisgado.

E quem está passando por ali, também, também estão encantados com seu veneno.

Mas a Dama da Noite não quer ser tocada, ela espera apenas um,]

E todas as noites ela fica ali, em seu canteiro, liberando seu cheiro.

E quando a Dama da Noite lhe disser venha e fique, escute e acredite.

Venha, se embriague, deixe a dama da noite cuidar de você, e em meu jardim

Você dormirá, tranquilo, e quando acordar eu cuidarei de você durante o dia,

E de noite voltarei a colocar meu perfume adocicado…

 

Vocari Dei

Dê-me algo a acreditar, sussurre alguma coisa, qualquer coisa, pode ser desconexa, sem sentido, mas que seja qualquer coisa. As coisas que eu não entendo podem ganhar força com o tempo, pois eu estou sempre, sempre a procurar um sentido completo nas coisas ao meu redor. Eu sou detalhista, e não paro de pensar, sou uma mulher hiperativa que não pára o tempo todo. Me inspire a acreditar que as coisas não são assim, tão complicadas, quanto parecem ser. Nós, seres humanos, Oh Deus, o Senhor sabe o quanto somos complicados, ao fazer tempestade em tampinhas de refrigerante. Senhor, você sabe. Você sabe que eu comecei a dançar. Sempre foi um sonho, pois eu pedi durante as noites que um dia eu me coloque a dançar, aquilo que eu acho bonito, aquilo que me tornasse mulher, que me fizesse mais bela, e muito feliz. E então Deus, eu penso, que a vida é um passo de dança. Na exaustão do aprendizado de bater os pés no chão com ritmo, força e emoção, eu lhe peço, Meu Pai, que meus passos de dança, executados ao longo da minha vida, sejam suaves, sensatos, mas com aquele pinguinho de loucura, só para dar uma graça, só para fugir do “bem comum”. Que esses passos que eu estou executando agora, não sejam vistos como passos em vão, deslocados e fora de compasso. Oh Deus, o Senhor sabe, que eu me esforço. Que cada palavra, cada verso, cada maldita linha, cada oração minha eu lhe peço, eu lhe peço alguém que me veja por dentro. E quando o Senhor o colocou na minha vida, me trouxe dias com raios de sol mais lindos que eu já vi. E porquê Deus?Porque então enquanto eu danço eu não posso, eu não consigo chamá-lo para dançar?Eu sou uma pessoa sensata. Eu não tenho poucas palavras e nem verdades pela metade. Se meu anjo chegar e me perguntar, de alguma forma eu vou responder, e então Senhor, eu lhe peço, que minha paciência, que meu Amor, minha consciência e livre arbítrio, que meu sorriso e meus olhos, sejam tomados por momentos de extase, e não de dor, fracasso ou qualquer outra merda que eu ache que isto tudo se torne. Você Senhor, me deu algo em que acreditar. Eu acredito, Deus!Deus!Eu acredito no meu amor, eu posso te amaldiçoar o tempo todo por ter me dado a crença dos Tolos apaixonados, mas Senhor, eu falo demais. Deus, faça meu Amor enxergar que minha revolta é apenas um charme, dito de boca pra fora. Se eu digo que vou embora ou que não me importa, Deus me castigue, pois eu estou mentindo, mas mostre, mostre ao Meu Amor que eu apenas estou jogando um charme, brincando de ser uma mulher fria, mas na verdade, na verdade eu estou queimando…queimando!E dizem por aí Deus, que o louco é feliz porque em sua loucura ele pode fingir, porque lhe falta a capacidade de distinguir o possível do impossível. E então Senhor, quando eu lhe peço que de loucura em loucura eu quero continuar trilhando minha vida, acreditando em mim e nos outros, eu estou tentando ser sensata, e eu não pretendo, Meu Pai…eu não pretendo usar isso como disfarce. Quem sou eu Senhor?Quem sou eu para dizer se isso é loucura ou não?Você vai me julgar por isso depois?Senhor, me abençoe, Deus, nos abençoe. Senhor, nos ilumine, todos os momentos. Deus, eu sou grata. Eu lhe agradeço por tudo. Deus, continue…cuidando de mim, da minha família, amigos… assim, dessa forma na suavidade e incerteza de cada dia, e Senhor…cuide bem do meu Amor. Amén!

If

Se eu pudesse, gostaria de voar, igual um pássaro.

Pousaria em qualquer lugar, inquieta e solitária

[Apenas observando, apenas esperando]

Limparia minhas penas em cima de galhos secos e tortuosos,

E eu não me preocuparia com exatamente nada, porquê?

Porque afinal eu não tenho que me preocupar com nada.

E então eu poderia emitir um som, um canto de pássaro,

E talvez, talvez isso cativasse as pessoas!Talvez…quem sabe?

Porque a pressa, pode ver?A pressa não deixa ninguém reparar.

Mas não me importa, eu sou como um pássaro…continuarei…

Sempre…sempre cantando. Quem sabe?Quem sabe um dia?

Entendam tudo aquilo que eu tento dizer?

 

Se…se um dia quiser, do meu galho de árvore eu posso voar até seu ombro.

E então eu te contarei uma história, e talvez você poderá entender,

Tudo aquilo que eu tento te dizer, eu vou sussurar nos seus ouvidos.

Me deixe algo para que eu possa entender, pois eu sou pássaro,

E o seu cante eu estou tentando entender. Me diga então,

Qual a canção que eu devo cantar?Diga apenas se quiser,

Quando quiser, se um dia quiser…

Enquanto isso…eu apenas observo…de longe.

Estrada

Vamos caminhar por estradas, não me importa qual estrada!Quero apenas caminhar.

Não me importa se ela é isolada ou esquecida pelo mundo e seus carros modernos.

Caminhões velhos passam por ela em altas velocidades, carregados de madeira.

Madeiras nobres para xalés perdidos no alto das montanhas, no frio, lá em cima.

Ou apenas um veículo qualquer levando algo qualquer para um lugar qualquer.

As estradas estarão sempre ali, com pessoas transitando nelas, pessoas com crenças.

Nos asfaltos esburacados, cheios de deslizes e ódios imediatos, paixões mal resolvidas.

As pessoas estão de cara fechada, enquanto eu me divirto andando descalça e queimando meus pés.

O sol está lá, bronzeando a pele, e lá no horizonte existe uma miragem, e então eu corro!

Meus pés estão queimando, mas eu não sinto nada, absolutamente nada…nada mais.

Não há mais dor, não há machucados. A chuva chegou e os meus pés estão firmes.

E eu estou agora, a chutar e brincar em poças d’água, e isso é muito bom.

Eu não penso, eu não quero mais me proteger, porque medo eu não tenho mais.

Eu estou nessa estrada agora, sendo tola ou não, eu estarei sempre lhe pedindo carona.

Passe por cima como um louco ou apenas me deixe entrar, com meus cabelos bagunçados.

Caso não saiba o caminho, eu posso te explicar, mas eu digo,basta seguir apenas o seu coração.

Algodão Doce

Algodão Doce

Nas praças de maio ainda tem carrinhos com algodão doce,

Algodão doce rosa, azul, verde e branco.

Há crianças extasiadas na fila, com olhos brilhantes,

Constantemente molhando os lábios e batendo os pézinhos no chão,

Todas elas querem sujar os dedos com açúcar, para que se preocupar?

Quando eu era criança, bem, até hoje, para dizer a verdade,

Eu era uma criança apaixonada e serelepe, com minhas perninhas finas.

Apaixonada por algodão doce azul, macios e doces.

Meu pai me dava as moedas do troco de pão todos os dias pela manhã,

E em uma caixinha eu guardava essas moedas, e contava os dias,

Porque nas sextas-feiras era para a praça de maio que eu me divertia.

Correndo feliz pela praça, suando na minha alegria infantil, e então vinha o Sossego…

Sentada no banco daquela praça, eu balançava as perninhas recuperando o fôlego.

E então eu comprava algodão doce, algodão doce azul, porque eu gostava de azul.

Quando acabava o algodão doce,  ao final eu lambia os dedos e eu não me importava,

Com toda a minha cor azul Eu era uma criança sem modos…e então eu seguia!

Minha mãe me entregava saco de pão velho. Aqueles que sobram e ninguém quer.

E então eu jogava pedaços de pão para os pássaros que moravam lá.

E naquela época eu gostava de pombos urbanos, eu não conhecia nada,

Daqueles ratos voadores de praça, eles me encantavam, aqueles olhos vermelhos

E então como toda criança, eu corria atrás deles, pois quando somos crianças,

Nada nos importa, tudo é bonito, não importa o que dizem, tudo era bonito.

A ignorância pode ser Bela, e a ignorância das crianças é algo que deve se respeitar.

Há alguns meses atrás eu estava em uma cidade, daquelas bem pacatas,

Uma cidade pequena lá no Rio Grande do Sul, de inverno longo e rigoroso,

E de festivais de cerveja e cultura alemã no mês de outubro.

Eu estava lá brincando de gente grande, e de certa forma, me sentia importante,

Hospedada em hotel de cinco estrelas, com suíte chique e banheira hidro.

Tomava vinho todas as noites, e lia um livro imersa na banheira, e isso era bom.

Eu brincava de mulherzinha sofisticada, assoprando a espuma em minhas mãos.

Eu me lembro bem, eu me lembro bem do dia que deixei de ser mulher por instantes.

Naquela suíte de hotel sofisticado, deixei minhas roupas sociais em cima da cama,

E os sapatos elegantes de salto alto, encostados num canto perto do armário,

E tinha um espelho bem grande ali, e eu me cansei…de ver, aquela imagem adulta.

Cansada da mulher séria e elegante que ri de tudo o que vê ao redor, descontrolada.

Eu olhava aquilo, minha imagem produzida, e aquilo era uma grande piada de mal gosto,

Eu tinha 23 anos, mas naquele momento, eu queria esquecer a mulher séria.

Tirei meu ar de adulta e voltei a ser uma criança. Queria comer algodão doce!

E naquela cidadezinha de descendência alemã, pessoas brancas e altas desfilavam,

No primeiro final de semana de cada mês, havia uma espécie de quermesse na praça.

Nesta praça, existe uma igreja de arquitetura gótica, e eu amava aquilo demais.

As pessoas assistiam a missa no domingo, e se encontravam na praça.

E naquelas barraquinhas, havia de tudo um pouco, emoções, alegrias, memórias.

Coisas antigas, barracas de chimarrão, baús europeus, bordados, quadros,

E também tinha uma imensa tenda de algodão doce, doces e macios.

E então eu visitei cada barraca, naquele lugar fio, calçando meus tênis,

Blusas grossas, calça jeans e meia calça por baixo, e casacos pesados.

No pescoço, um cachecol que minha mãe me fez, e ela dizia: “Proteja a garganta.”

A minha face de mulher, eu deixei lá no hotel, junto com maquilagem e batom carmim.

Eu andava naquele lugar com a cara lavada e sem nenhum resquício de mulher,

Mas meus cabelos continuavam rebeldes e bagunçados, sem formato definido.

E eu ouvia as pessoas falando outros idiomas, alemão, italiano e inglês.

Naquele local, senhores elegantes e italianas gordas falavam gesticulando.

Nas mãos havia sempre o chimarrão, e no rosto um sorriso estrangeiro,

Muitos deles com dentes feios ou amarelados, mas um sorriso é importante!

Tinha uma senhora matrona italiana vendendo palha,

Palhas italianas é um doce muito tradicional por lá,

E a matrona italiana falava rápido, e eu não entendia,

Mas eu sei que ela me convenceu a levar três doces.

E então, continuando minhas andanças naquele lugar,

Eu via as crianças brincando nas escadarias da igreja.

Subindo e descendo as escadas, e depois correndo sem parar,

E quando chegavam na fonte central da praça, elas retomam o fôlego,

E então voltam a correr em círculos em volta da fonte, rindo e sorrindo.

O riso e o sorriso daquelas crianças me encanta.

E neste dia eu aprendi a preparar um chimarrão,

E então com minha cuia cuidadosamente pronta e cheia,

Eu continuava vagando pela praça, pensando na vida

Ou apenas observando a graça e a beleza das pessoas no domingo.

E naquele momento eu esqueci o meu lado mulher de lado, eu era uma criança,

Apenas uma garotinha calçando tênis, uma criança que tinha medo de palhaço.

E o dia estava se tornando cada vez mais frio, as pessoas se encolhiam,

Estava na hora de deixar aquele lugar, mas antes eu fui comer algodão doce.

E não havia nada tão grande quanto o algodão doce azul e macio que eu escolhi.

Mal dava para ver meu rosto feliz atrás dele. Meus olhos brilhavam…

E então, como uma criança, eu sujei todos os meus dedos, sem medo,

A minha língua estava azul, meus dentes estavam azuis, minha felicidade…também era azul.

E então, depois de minha aventura pela praça de março, e uma última visita na igreja gótica,

Eu voltei para o hotel e atirei meu cachecol na cama. Liguei meu celular e não havia mensagens.

Comecei a encher a banheira com água bem quente, e era divertido soprar o vapor que se formava.

E então eu vi meus sapatos de mulher no canto do armário, eles eram bonitos, mas me doíam os pés,

As roupas de mulher continuavam em cima da cama, me lembrando que eu não sou mais criança.

E então eu enchi uma taça de vinho tinto seco, e eu olhava ao redor rindo, brincando de fazer espuma.

E como uma criança, eu fazia desenhos rupestres no espelho embaçado.

Entre um gole e outro de vinho, emoções a flor da pele me surgiam a todo instante,

Naquele momento ali, eu relembrava minha infância, quando não sabia nadar!

Eu me lembro…eu me lembro quando aprendi a nadar, e então perdi o medo de me afogar.

E desse jeito eu me vejo, metade menina, metade mulher, e  eu queria, se pudesse,

Poder comer algodão doce todos os dias, sentada em um banco, sem preocupações.

Eu gostaria que você me dissesse que eu pareço uma criança feliz me sujando toda de azul.

Poderia me dizer que meus lábios estavam azuis, meus dedos também.

Poderia me dizer que eu sou sua linda criança manchada de azul, uma criança bonita,

Uma doce criança calçando tênis numa tarde de domingo, enquanto os sinos tocam

Enquanto os sinos tocam, eu estou lambendo meus dedos, e tornando a vida doce.

Enquanto carrego meu vinho rubro e seco em uma mão, a outra está manchada de azul.

E nessa minha vida adulta, cheia de erros e acertos, problemas e desafios,

Linhas tortas e mal escritas, sinceras e verdadeiras, sem falsas metáforas,

E sem paciência para edições de texto e correções minuciosas,

Eu sou uma criança brincando com cartas de baralho fadadas a memória.

E no topo há sempre o rei e a rainha se tocando, e eles são do estigma mais forte.

Quando estou incerta de tudo, eu assopro meu castelo e me recolho no canto escuro.

E na minha fúria adulta, eu me anulo perante todas as minhas falsas expectativas,

Mas a minha criança me diz que tudo que é verdadeiro é bonito, tudo aquilo que cremos!

Pombos urbanos de olhos vermelhos…eles eram bonitos para mim,

Mas a convicção dos adultos os tornaram horríveis e insalubres.

E então eu penso… Eu penso e reconstruo o meu castelo, dia após dia, noite após noite.

Pelas manhãs, eu acordo triste e atiro balas de canhão em meu castelo,

Mas ao longo do dia eu ergo seus pilares e faço nuvens ao redor.

Nuvens azuis, que se parecem tanto com algodão doce, e eu me lembro,

Eu me lembro quando estive constantemente dentro de um avião, a trabalho,

As nuvens que eu via lá fora, pela janela, me davam fome.

E hoje eu sinto Amor, doce e macio como algodão doce,

Ele começa a derreter, mas é difícil de tirar, as manchas azuis denunciam o crime.

O crime é forte e enebriante como um vinho carmim, e eu estou toda azul agora,

E então minha Felicidade de Bobo da Corte tem um “q” de orgulho nobre, porque meu Amor é azul,

E a minha falta de sensatez e juízo é totalmente vermelha,

Como a chama do dragão que eu tenho que vencer,

Mas talvez, esse dragão, seja apenas um moinho de vento.

E o medo seja apenas a brisa avassaladora do moinho,

Movido pelo clima de outono, enquanto as folhas caem…

Omnem crede…

Oh Love slips her hand inside my hand
Oh Love slips her hand inside my hand
I don’t care if you don’t want me
I’m yours I’m yours right now

Pessoas gritando, pessoas correndo, crianças correndo em círculos.

Há a pressa, há o ódio, existem os sorrisos, brancos, amarelos e sem os dentes.

Dia após dia, as pessoas cumprem seu destino, num lugar, em seus lugares.

Algo onde se pode chamar de seu, aquele lugar onde existe Amor,

E este lugar pode ser o único que nos resta, o único onde as flores nascem.

Quando a noite chega, eu gosto de deitar meu corpo cansado, e respirar fundo,

Pois um novo dia surgirá coberto pela minha incerteza, por erros de percurso.

Estamos muitas vezes caindo em percursos errados, caminhando em vielas perigosas,

E somente um passo em vão, um minuto a menos, uma palavra… e então tudo se perde.

Na contramão do destino tentamos todos nos abster, porque o destino muitas vezes,

Não é aquilo que nos agrada ao coração, ou que nos traz um sorriso,

Nesse destino, dando um passo de cada vez, as lágrimas nos rolam dos olhos,

Minha face tem um sorriso, mas ela fica molhada e salgada às vezes,

E nesse lugar que eu amo eu tento compreender, a graça, o limite,

E em passos desnorteados de dança, sem sincronia, eu vejo que nós estamos na deriva.

E eu estou procurando meu Farol, eu o vejo de longe, mas a maré me leva de volta.

E nesse mar revolto, meu barco está ancorado, e a minha espera é calma como a chuva,

Eu vejo ao longe a orla da praia nos pés do Farol, mas a tempestade em alto mar,

Está embaçando meus olhos, tentando me afogar, junto com minhas palavras mal escritas.

Enquanto escrevo esses versos irregulares, pessoas falam ao celular…

Um momento após o outro, uma palavra, uma frase, um contato

Sonhos atrás de outro sonho, envelhecendo a cada respirar.

E eu peço a Deus apenas um pouco mais de Paciência,

Que eu tenha a serenidade dos anciões, em tempos de incerteza.

Que a ignorância não me cegue os olhos, e que meu Amor não seja em vão.

Quando eu olho todas as manhãs para o céu, quando eu olho as estrelas lá em cima,

Eu peço a Deus, aonde quer que ele esteja, o que quer que Ele seja,

Que meus erros me tornem mais forte, que não amaldiçoe minhas linhas tortas,

Que entenda meu Amor como algo puro e frágil, mas ao mesmo tempo Forte e voluptuoso

Porque quando falamos de Amor, nós temos o Céu e o Inferno, compreensão e fogo.

Que Deus entenda e continue me fazendo uma Mulher sem medo,

Que a Face que eu ofereço pra bater, esteja sempre saudável,

Pois sou uma Mulher forte , uma mulher com desejos,

Eu tenho a intensidade de uma orquestra de músicas de banda de rock

Tenho a saudade de uma criança que perdeu o cão, emoções doces

Estou em paz agora, plena, sozinha e com meu Amor no peito.

E Deus sabe, que cada noite que eu me deito, eu não lhe peço nada,

Apenas agradeço, apenas agradeço por ter tido mais um dia.

E não me importa se este dia foi bom ou não,

A vida é uma caixa de surpresas, há dias bons e ruins,

Eu não preciso pedir nada, porque Deus sabe,

Deus sabe que quando eu deito meu corpo cansado,

Eu estarei sempre esperando, na sensatez e incerteza dos meus dias,

Estarei esperando…de olhos fechados, por dias mais doces…

Estarei esperando minha linda e selvagem criança,

E então veremos juntos tudo aquilo que é bonito, e o que os olhos alheios não vêem.

Jesus (Don’t touch my baby)

Jesus, não toque na minha criança,

Deixe ela lá brincando com suas pedras,

Fazendo desenhos de casinha, árvore e pássaro no céu.

Subindo em árvores e caindo no chão.

 

Jesus, não toque na minha criança,

Ela é tão bonita assim, tão distante,

Não deixe ela se transformar em um adulto,

Não deixe ela perder tudo aquilo que acredita.

Mantenha a paz no caminho dela, dê a ela uma rosa.

 

Jesus, não toque na minha criança,

Deixe ela acreditar que sabe tocar flauta doce,

Deixe ela acreditar que quer ser cientista,

Deixe ela acreditar que um dia ela pode salvar o mundo.

Deixe ela acreditar que o Batman existe,

Deixe ela acreditar que a Fada do Dente virá a noite.

Recolher o dente do sizo que acaba de nascer.

 

Jesus, não toque na minha criança,

Deixe-me ver ela sorrindo,

Não toque na sua graça,

Não toque em seus negros cabelos,

Deixe ela ser boa comigo,

Não tire seu mal humor infantil,

Acorde minha criança antes que ela perca o ponto.

 

Jesus, não toque na minha criança,

Não deixe ela ficar cansada, adormeça

Deixe ela adormecer e ter sonhos doces,

E quando tomar chá, não deixe-a queimar os dedos

Eu vou fazer um bolo e um chá de maçã quando estiver chovendo.

Não a deixe vagar por maus pensamentos e dores angustiantes

Escute as orações dela quando ela mover os lábios na noite,

 

Jesus, não toque na minha criança,

Ela é tão boa pra mim, seu sorriso

Em rosto maduro e adulto…e cansado

Jesus, Não toque na minha criança,

Ela está cansada e precisa descansar.

Jesus, não toque na minha criança,

Porque esta noite ela vai adormecer em meus braços.

E na distância eu estou sempre beijando seu coração.

Beautiful child
Beautiful child
You are a beautiful child
And I am a fool once more

 

 

 

 

Shuffle

Estou andando pela cidade, procurando uma nova razão para estar nesse mundo, pensando nos meus últimos passos, o quanto fazer giro, nas aulas de flamenco é tão difícil, procurando emoções inexistentes, um grito aonde eu posso dizer que tudo o que eu sinto é verdadeiro. E não me perguntem o porque disso. Quando se ama, não temos que procurar explicações, não temos que explicar aos outros porque nos sentimos dessa forma. E quando me perguntam o porque eu amo, eu sempre digo para não tentar entender. Eu digo que mulheres são uma espécie complicada. Nós somos complicados, homens e mulheres. E isso não é uma desculpa,  porque se eu tivesse uma explicação, também teria um motivo para esquecer. Eu não tenho nenhum dos dois, então, eu não perco meu tempo criando desculpas, razões e o caramba a quatro. Quando resolvemos uma equação, ela tem seu resultado exato, a não ser que o lápis escorregue milagrosamente e trace um sinal negativo na frente ou transforme o número 1 em 7. Todo mundo me pergunta o que é necessário fazer para se esquecer alguém. E então eu digo, “eu não sei”. E eu ainda digo que não quero esquecer, porque aquilo que nós perdermos pode não ter volta, e aquilo que a gente acredita, há sempre algo de belo. E então eu me pego pensando, se realmente vale a pena abrirmos mãos de nossas crenças e conceitos porque as pessoas disseram que aquilo não é real. Somente nossas sentimentos nos dizem o que é bom para nós. Se existe a tormenta no que sentimos, se existem lágrimas em nossos olhos, se quando nós vemos traçando rumo seguindo os pontilhados da incerteza, eu não costumo dizer…eu não costumo pensar nisso. Minha mãe um dia me disse que temos várias pedras nas mãos. Nós atiramos aquelas que não nos interessam, ou que nunca nos fizeram nada de mão. Mas sempre há aquela que não sabemos ao certo porque carregamos ela conosco. Ela é pesada, mas há algo ali que a torna irresistível. Eu gosto de pedras. Eu costumava colecionar elas. Quando eu era criança, passava horas procurando pedras com cores bonitas. E eu ficar em uma cachoeira, chafurdando o fundo, no meio das águas gélidas, para procurar pedras. E quando eu encontrava a pedra perfeita, eu guardava ela, e quando chegava a noite, eu a guardava perto do peito, porque disseram que aquela pedra, como foi retirada da natureza, ela era algo puro, estava energizada. E então eu deveria cuidar bem dela, por mais pesada que seja, aquilo pra mim era real. E eu amava…eu amava aquela pedra. E eu deixava ela embaixo de meu travesseiro.

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Amanheceu e estou pensando em Amor,

E estou me perguntando porque eu adormeci,

Enquanto tentava meditar com incensos espanhóis ao fundo.

Porque eu sonho com aquilo que devo esquecer,

Porque sonhamos com coisas impossíveis?

A mente gosta de pregar peças, e ela é o palhaço que ri,

Quando você acorda e vê que nada aquilo aconteceu.

E então ela me oferece balões coloridos…

[Você quer um balão Ana?Eles flutuam…eles flutuam]

E eu sigo acompanhando meu barquinho,

Até ele cair em um bueiro, pode ser…porque não?

Que quando ele cair no bueiro, eu queira resgata-lo

E pode ser que alguém pise nele também,

As pessoas gostam de pisar em cima de sentimentos,

É engraçado isso, quando não pisam perguntam o porquê,

Mas eu não sei responder, não tente entender, é apenas um barco,

E quem está guiando ele, é apenas eu e minhas crenças.

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A luz da manhã está entrando agora pela minha janela,

Me convidando para sair andando por aí,

Pensando em qualquer coisa, em qualquer pessoa

Há pessoas praticando coisas chinesas no gramado,

Há a garota das roupas e modos esquisitos,

E há a senhora que disse que eu posso pegar o ônibus,

Em qualquer lado da rua, para qualquer lado eu posso ir,

[“Moça, qualquer lado te leva para o terminal Barão!”]

Para qualquer lado eu posso ir…qualquer lugar…

Another Time, Another Place, Out of this world!

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Não importa as razões que procuramos obter,

Nas árvores de maio, as folhas estão caindo,

Os pássaros estão cantando uma canção

E nós, e nós estamos apenas nos lamentando.

Lamentando a vida, a falta de dinheiro,

Lamentando a existência do cansaço,

Lamentando a falta de beleza, e a beleza das celebridades,

Lamentando a alta dos preços,

Lamentando o fato de pegar ônibus,

E lamentando o trânsito, e o precço do combustível.

E mamãe dizia: Pessoas ingratas…

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Me avisaram para tomar cuidado!

Mamãe disse “Se cuida minha filha”

Me escreveram também “Tome cuidado”,

Mas eu sou teimosa, e eu digo, eu sempre

Sempre estou indo na contramão daquilo que me dizem,

Mas não é porque eu quero, é porque este é o meu jeito.

Eu estava dentro do ônibus, e achei que aquele era o meu lugar.

Eu desci correndo, pensando “Ohhh…cheguei no meu lugar”

Mas quando olhei ao redor, eu me preocupei de verdade.

Não é certo marcar o ponto por causa de um muro cinza,

Muros cinzas estão por toda a parte, em todo tempo.

Fui parar numa rua escura com luzes pintando.

Não havia ninguém ali, apenas eu e o meu medo.

Eu não poderia ficar ali naquele lugar, estava frio.

Precisava encontrar o meu lugar, então comecei a caminhar.

Em alguns metros dali, havia uma avenida com vários carros.

Eram 22h30 da noite e eu precisava encontrar o meu lugar.

E na Avenida Santa Isabel eu precisava tomar meu rumo,

Segurando minha saia por causa do vento frio e malandro,

E minhas pernas sentiam dor por causa do salto alto,

E os meus pés doiam porque bati eles com força,

Por que no tablado Flamenco eu descarrego minhas emoções.

[E naquelas ruas escuras eu sentia apenas medo e tudo era frio]

[O que mais pode acontecer enquanto o meu suor descia frio?]

E então eu vi o supermercado Dia logo em frente, todo iluminado.

E eu pensei, eu me lembro desse lugar, me disseram uma vez:

[“De sexta-feira tem pastéis deliciosos naquela barraca ali”]

[“Pegue a rua paralela e siga ela em frente, há umas kitnets lindas ali”]

E na esquina eu encontrei a rua das kitnets lindas, mas eu não encontrava,

Eu não encontrava o meu lugar, e eu apertava os meus passos,

Eu tenho a pele branca normalmente, mas eu parecia um fantasma.

Ninguém poderia me ajudar ali, naquele local, o que eu podia fazer?

Segui meu instinto e poucas orientações, tentei ignorar o Medo

Haviam pessoas sorridentes nos bares, pessoas me chamando

[” Morena linda, venha aqui, para que ter pressa!”]

Eu quero apenas chegar em casa…chegar em casa e descansar os pés.

E então o ônibus aparece. Eu o vejo descer uma rua abaixo,

Eu sigo aquela rota e quando olho a placa no muro,

O meu Medo vai embora e eu penso: estou no caminho certo.

E logo em frente eu vejo a casa de portão e muros verdes,

E o maldito muro cinza…