Paixão Espanhola

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Amor, Amor, Amor, dime que me quieres
Amor amor amor, que si no me duele..

Paixão Vermelha, desenfreada, violões harmônicos, violentos, intensos,
Palmas, pés, tacos, planta, golpe, corpo inteiro em percussão,
Escuto os primeiros acordes da guitarra espanhola e me apaixono,
Meu coração bate alucinado num ritmo sensual e emocionado,
São as guitarras espanholas me derretendo, como um gelo perto do fogo
O sabor da noite e o vinho em meus lábios, e então um suspiro,
É a Espanha e todas as suas nuances colorindo minh’alma,
Com sua dança, em acordes de desejo e paixão sem freios.

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Something Beautiful

São as areias finas do tempo escorrendo por entre meus dedos magros. Pintarei minhas unhas com a emoção que me sobra, com o vermelho de uma paixão desbotada, pela frieza calma e inconstante das manhãs do meu inverno. Ou seria inferno?Minhas emoções e sentimentos queimando numa fogueira inquieta de labaredas intermináveis. Posso trazer toda a água do meu oceano de águas calmas porém, escuras, e toda a fúria da minha razão que me sacode todas as noites. A sensatez anda visitando-me todas as noites, e talvez eu nem escute mais o vento frio do meu inverno pedindo para entrar. Talvez, no próximo outono, eu caminhe sob as folhas coloridas esparramadas na calçada, e o meu sorriso será completo, minha alma aquecida, meu coração em chamas, queimando em plena manhã de frio brando de outono. E talvez eu respire a neblina com semblante calmo, com olhos que há tanto tempo não lacrimeja mais de ilusões. Porque talvez, sua imagem esteja por debaixo das folhas que eu piso, misturadas ao limbo na calçada. Basta sair o sol para minhas emoções secarem, basta o sol chegar com o frio da próxima estação, e então estarei sorrindo, porque o Tempo chegou e me fez esquecer os dissabores das estações passadas, e então a lembrança de um possível cheiro doce da sua pele, os olhos gentis que um dia eu tanto amei, me falte à memória, como um recado num pedaço de papel velho, jogado ao vento. O tempo chega, e consome aquela velha tinta depositada ali, e então vira apenas um papel amarelado, ignorado, no meio de tantas folhas, coloridas.Meu outono, estação que eu tanto amo, está chegando, e ele está me convidando para amar de novo, e então eu amarei outras cores, e elas não estarão dentro de uma caixa fechadas a sete chaves, elas serão intensas, como um prisma, como um fractal. E então, cometerei os mesmos erros novamente, escreverei o meu Amor por linhas tortas, assim, sem rima, apenas um fluxo de pensamento insone. E talvez, um dia alguém enxergue o poder e a beleza do meu Amor declarado em linhas tortas, e eu sairei da toca novamente, e vou dançar, sem medo, porque o Amor é uma dança, que olha-me constantemente nos olhos e pisa nos meus pés, e me pede desculpas, mas ele vive cometendo os mesmo erros, meu Amor dança comigo, sorri, chora, grita…Mas é o par mais bonito que eu tenho na vida, e quando ele me chama para dançar, eu sempre estendo minhas mãos, sem medo, de errar meus passos. É algo assim, algo bonito…Estranhamente belo, enlouquecedor, viciante, e são estas palavras, esse sussurro, na calada da noite eu grito por um mundo mais bonito, mais cheio de amor, com mais música e pessoas querendo aprender a dançar. Algo extraordinariamente belo.

Elegy

Quando eu fiz um mochilão pela Europa, depois de largar a escola…Fui para uma ilha perto da Sicília. Era uma ilha vulcânica. No barco, indo pra lá, tinha um caixão de pinho. Era um morador da ilha voltando para ser enterrado lá. Tinha um monte de sicilianos idosos vestidos de preto…Esperando, em fila, na praia. Quando o caixão chegou na praia, todas as velhas enlouqueceram, gritavam, se atiravam sobre ele…Batiam no peito, puxavam os cabelos, uivando como animais. Era tudo tão…Tão verdadeiro. Eu sempre vivi cercado de funerais, mas nunca tinha visto tanta dor. Na época, fiquei assustado, mas acho que aquilo é bem mais saudável do que isto…

Diálogo entre Nate Fischer e Claire Fischer, no episódio piloto de “Six Feet Under” ou “A sete palmos”, meu seriado favorito.

Estou sonhando, com caixões de pinho, cinzas ao vento,
Sinto a terra fofa e cheirosa pesar neste meu corpo,
Estou viva, mas Meu Amor morreu, está triste,
Desfalecendo, e sua canção é tão dolorida,
O Tempo chegou para lavar minha alma,
E ele está me olhando, nos olhos, com toda calma,
E com lágrimas nos olhos eu lhe digo adeus,
Meus olhos tão grandes, estes olhos estão molhados agora,
Cada vez que o Tempo sussurra seu Adeus nos meus ouvidos,
Cada vez que eu vejo seu rosto se desmoronando,
Feito castelos de areia, destruídos pela calma onda da orla,
Na beira da praia, eu pedi a Deus que me trouxesse,
E que me permitisse amar, com o coração mais puro,
Mas os ventos chegaram e levaram meu Amor embora,
E é na tempestade que se aproxima, que minhas emoções afloram,
Cada gota que eu vejo cair na janela, cada tom escuro da tempestade,
Me lembra dos teus olhos, cada riso de uma criança pulando as poças d’água,
É uma elegia, um réquiem, do teu sorriso que eu tanto amei,
Cada canção que o trovão grita, madrugada adentro, são palavras tuas,
Escritas em minha memória, em linhas tortas, devaneios, lembranças,
Teu rosto pálido, como um lírio, és a flor do meu túmulo,
E neste meu túmulo, eu, mulher errante e apaixonada…
Descanso em paz, esperando o Tempo, consumir meu Amor,
E jogá-lo ao mar, ao vento, como as cinzas de um funeral.

E eu não estou com medo de morrer,
a qualquer hora pode acontecer, eu não me importo.
Por que estaria com medo de morrer?
Não há razão para isso,
você tem que ir algum dia.”
“Eu nunca disse que estava com medo de morrer.

Se você pode ouvir este sussurro você está morrendo…”

* The great gig in the sky, Pink Floyd.

Escritos sortidos

1 – Love from room 109

Eu estava andando pensativa, voltando do trabalho, cruzando a rodovia através de uma passarela quando começou a tocar essa música, do Tim Buckley, pai do igualmente maravilhoso Jeff Buckley. Eu escutei essa música e então fiquei em paz. Respirei o ar do entardecer, observei os carros passando lá embaixo, respirei fundo novamente e segui meu caminho. Era a leveza do meu ser e ele é insustentável, talvez, pela intensidade de todas as minhas emoções.

Oh, como eu posso encontrar o ritmo e o tempo em você?
A menos que você cantar suas músicas para mim
O cheiro de sua pele doce faz complicar o meu sonho
Oh posso ficar aqui por algum tempo vivendo o seu sorriso

Ah, como você poderia saber o que você fez
Você aqueceu meu coração quando eu estava tão sozinho
Mas tudo o que tenho para dar
São os meus sonhos de ir e vir para sempre
Dentro dos rios do tempo você vai me encontrar esperando
Para que você possa encontrar paz em sua mente
Assim, podemos amar de novo

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2 – Todas as dores do mundo

Estou indo periodicamente num hospital aqui de Campinas para tratar de um problema. O tratamento é pelo SUS e este hospital é centro de referência nacional para o tratamento. É incrível o quanto eu levo as dores de todas aquelas pessoas que viajaram quilômetros em busca de tratamento. Na última vez conheci uma senhora e a filha dela, que vinham da divisa do Paraná. A filha dela têm câncer nos ossos e está espalhando para o corpo inteiro. Deram apenas 2 anos de vida pra ela. Ela estava pedindo dinheiro para comer. Desci com ela na lanchonete. Ela me disse que nunca tinha comido goiabinha e que a filha dela gostava de chocolate, mas ela não tinha condições de comprar. Gastei cerca de 30 reais, com coisas simples, frutas, suco, água, biscoitos (“Minha filha adora biscoito, ela me disse…), 2 salgados, chocolate e goiabinhas. E então ela me disse que nunca tinha comido tão bem na vida. Ela me disse que veio para Campinas unicamente pela fé, porque todos disseram pra ela que a vida da filha dela teria seus dias contados. Eu chorei, eu nunca vi uma expressão tão triste numa pessoa, quanto eu vi no rosto daquela garota. Parecia que a morte havia tocado nela, e ali estava apenas um corpo. A expressão dela era de dor, desesperança, desespero…E eu nunca me esqueci, da mãe dela com três dentes na boca, que nunca tinha visto uma goiabinha, da garota com o rosto encostado nos ombros da mãe. Eu saí daquele hospital chorando. Fui para o Giovanetti e enchi a cara de vinho. A garota têm só quinze anos, e segundo a mãe dela me disse, ela nunca teve infância, pois os ossos dela são frágeis demais. E nós aqui, reclamando por tão pouco…

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3 – A flor do asfalto

A flor branca, que nasceu entre a calçada e a rua continua lá. Hoje estava no ponto de ônibus, e observei isso. E parecia que ela estava ainda mais bonita. Um cachorro passou ali, ergueu as pernas e urinou nela. E ainda assim, ela permanecia bela, ali, ignorada, entre a calçada e a rua. E os lunáticos continuam passando, como eu, olhando para ela e sorrindo, porque as demais pessoas,passam por aquela flor, e nem ao menos olham pra ela.

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4 – Eu sei…Acabou, aquilo que nunca existiu.

“Se você é tão engraçado
Por que então está sozinho esta noite?
E se você é tão inteligente
Por que você está sozinho esta noite?
E se você é tão divertido
Por que você está sozinho esta noite?
E se você é tão bonito
Por que você dorme sozinho esta noite?

Eu sei… Por que esta noite é igual a qualquer outra noite
É por isso que você está sozinho esta noite
Com seus triunfos e encantos
Enquanto eles estão nos braços um do outro”…

O Amor é engraçado. Nos faz de besta o tempo inteiro. Sinceramente?Eu não ligo!A vida é muito curta para desperdiçarmos nossas emoções. Eu errei?Eu fui trouxa?Ele riu da minha cara?Eu não me importo. Eu fui sincera, o tempo todo, talvez, eu tenha me enganado, talvez ele não seja nem metade daquilo que eu o considerava, com todas as perfeições e imperfeições que ele carrega nos ombros tão pesados dele. O mais importante, é que um dia eu amei aquele homem, e por mais que talvez ele nunca mais me dirija a palavra, eu não me arrependo. A vida é muito curta para arrependimentos. E se eu Amar novamente, cometerei o mesmo erro, e vou usar um emaranhado de palavras para isso. Posso passar uma ou duas noites chorando, mas são histórias que eu vou levar comigo. Vou chegar para minha filha: “Um dia, eu conheci um rapaz, e ele tinha os olhos gentis…”

É tão fácil rir, é tão fácil odiar
É preciso força para ser gentil e carinhoso
Acabou, acabou, acabou
Sim, é tão rir, é tão fácil odiar
É preciso coragem para ser gentil e carinhoso
Acabou, acabou

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5 – Escrever sem muso inspirador

A good heart will find you, just be ready then

É uma bosta, escrever sem uma fonte de inspiração. Talvez eu pense no Heath Ledger, mas ele está morto, ou no Ewan Mcgregor, mas eu queria algo mais real. Algo que eu pudesse ter ao menos um pingo de esperança de todo o meu sentimento ultrapassar as linhas deste blog. Algo que eu pudesse repetir tudo, olhar nos olhos, e contar toda a história novamente, passar da prosa, da poesia, para uma canção ou uma conversa ao pé do ouvido. Mas a vida continua, eu sigo ela leve como uma pássaro e eu acredito nos dias melhores. E toda a minha dor de nunca ter tido ao menos uma resposta, talvez passe com o bálsamo do Tempo. E os ventos me trarão uma inspiração nova. Eu não tenho pressa, caminho debaixo do sol com a mesma intensidade que ando descalça na grama em dias chuvosos.

PS: Para quem não entendeu porra nenhuma, basta ler o texto “Plêiades”.

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6 – Um sonho e lágrimas

E ela, ao se desiludir, teve um último sonho com seu amado. Ela saiu de um lugar escuro e frio, estava escondida embaixo das cobertas, e em cima da mesa havia um vaso de flores, vermelhas, como sangue. Neste lugar tinha uma janela, e quando ela abriu a fresta da cortina, lá estava ele, imponente, com calças sociais e uma camisa branca. E ele sorriu, era um sorriso sarcástico, e ele balbuciava “Sua louca”, ela fechou a cortina e amou aquela última aparição como se fosse a última. E o corvo diz: “Nunca mais, nunca mais”.

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7 – Apenas mais um poema

Eu ouço o som de um violoncelo
E ele sempre me parece triste,
Se eu visse estes olhos,
Talvez exista algum brilho nele.

Talvez nesta rosa com espinhos,
As pétalas falem mais suavemente,
E elas se desmancham em minhas mãos,
Tingem minhas emoções, tão entediadas.

Toque-me, sem medo, chega bem devagar,
Não se assuste com minhas cores,
Elas extravasam, mas elas estão contidas,
Dentro de uma caixa, quero me esconder…
Das cores frias…Do inverno em minh’alma.

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8 – Sorveteria

Hoje saí do almoço com os companheiros de trabalho e fomos numa famosa sorveteria que têm aqui no Taquaral.De repente um monte de crianças chegam, e as mulheres do caixa entram em desespero. Eu peguei meu picolé de maçã verde e senti, ali naquele momento, saudades…Saudades daquele tempo que eu não tinha que me preocupar com absolutamente nada. E essas crianças…Querendo ser adultas tão cedo!Saudades da minha infância…E me sinto…Tão velha…Eu olhos para as minhas mãos, vejo meu rosto no espelho, e então me vejo, sentada numa varanda, com um cachorro cego e surdo ao meu lado, as crianças, meus netos correndo pelo quintal, e meu marido, um homem que amei e briguei durante anos, dormindo e babando na cadeira ao lado. Talvez eu me lembre do dia que eu pedi um picolé de maçã verde, e eu sentirei saudades.

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9 – Baleen Morning

Meu corpo cansado, se arrasta nas manhãs chuvosas,
Eu me encosto-me ao canto da janela, e as gotas de chuva,
Tão tímidas, brincam dançando no vidro e eu me emociono,
Elas dançam, elas escorrem, como lágrimas nestes meus olhos,
Meu Amor se foi, e ele nem sequer olhou pra trás,
Não me disse nem ao menos um “Adeus” …
Tranquei minhas emoções numa caixa, com cadeado,
Meu coração está fechado, ele bate devagar, baixinho,
Machucado, existe uma dor aqui, mas ninguém vê,
Um beijo nos meus ombros, um sorriso encantador,
E então talvez ele possa voltar a viver de novo, intensamente.

Lá fora chove, e por dentro minhas emoções,
Escorrem, como um rio que corre em direção ao mar,
Minhas águas agora, tão negras, ficarão cristalinas,
Quando o Tempo resolver dar um mergulho, e ficar horas,
Nessas minhas águas tão profundas, um barco navega,
Vazio, sem rumo, talvez um dia ele chegue ao meu cais,
Com uma beleza tão suave e encantadora, talvez cega e surda…
Um dia eu vou esquecer que te amei, e esses meus passos,
Serão mais leves, e os dias menos chuvosos,
E ele terá os olhos tão ou mais gentis que os teus,
E estenderá as mãos, e nós vamos dançar…Na chuva…

Eu que não bebo, pedi um conhaque…

Mas sabe como é difícil encontrar
A palavra certa,
A hora certa de voltar,
A porta aberta,
A hora certa de chegar…

Para esquecer o inverno, o inferno, todas as quatro estações. A vida engana, e ela brinca com maestria em nossos palcos. Nós espectadores assistimos a dança da vida, suas tragédias gregas com um saco de pipoca e um litro de refrigerante e estamos constantemente nos engasgando com nossos medos, angústias, indagações, amores, tristezas. Nós choramos, rimos, nos declaramos, amamos, sentimos ódio. No final da noite, deitamos nossas cabeças no travesseiro e fazemos uma crítica das nossas vidas. Eu publico minha crítica aqui, outros guardam as críticas para si mesmo. Posso dizer que sou muito feliz assim, com todas minhas entranhas expostas. E se eu que não bebo, quando eu escrevo eu peço um conhaque, porque escrever me aquece a alma, e é tão excitante quanto uma noite de sexo.

Plêiades

Plêiades, são consideradas o conglomerado de estrelas visíveis mais brilhantes do céu. São as estrelas mais admiradas do universo, e todo escritor possui uma estrela brilhante que lhe inspira. Isto aqui é para uma estrela que quando surgiu no meu céu, tornou minha vida mais bonita. Existiu noites nubladas, durante muito tempo, e então eu fiquei um bom tempo sem contar minhas histórias, emoções, alegrias. Mas eu sabia que essa estrela estava lá, escondida atrás das nuvens, e eu sempre pedi para que seu brilho nunca acabe e eu amo este brilho até hoje.

A partir do momento que eu lhe escrevo isso, eu comecei no dia 30 de dezembro de 2012. Eu estava na chácara do meu bom e velho pai, numa cidadezinha chamada Santa Maria da Serra. Lá é um lugar lindo sabia?Uma sensação de paz, ali, naquele confim de mundo, rodeado por pernilongos e animais de beleza rara. Este lugar lava minha alma, de todos os problemas ou dores que eu carrego em meus ombros. Neste dia, estava iniciando uma tempestade, mas era daquelas mansas, mas com seus momentos de fúria, e a casa da chácara tem uma linda varanda coberta. Desde os meus 12 anos, eu gosto de sentar na mureta e observar a tempestade chegando. E eu fico lá, com um livro, ou um papel e uma caneta e enquanto os trovões cantam suas canções em tons barítonos, eu me lembro do dia que em que me escreveu que as pessoas não dão valor às pequenas coisas da vida, e então você me disse que gostava da chuva. Foi a primeira pessoa que compartilhou esta ideia comigo, e então você havia escrito: “Poderia chover agora…”. Então, cada vez que eu ouço uma tempestade ou até aquelas chuvinhas fininhas, os chuviscos que toda mulher de cabelo chapado detesta, eu me lembro de você, é algo inevitável. Eu comecei a escrever este texto, num pedaço de folha velha, que encontrei em cima de uma mesa, já meio amarelada, empoeirada. Havia lá um copo com canetas, mas nenhuma delas pegava direito, e eu sentia como se fosse alguma espécie de aviso para não começar, mas eu tentei, comecei as primeiras linhas, mas então os ventos daquela tempestade me fizeram passar frio. Fui para o quarto, deixei a janela aberta, e de lá eu ainda poderia contemplar aquele céu cinzento, e o cheiro de terra molhada me cativava, como sempre. Eu entrei debaixo das cobertas, me escondi do frio, mas por dentro, enquanto eu escrevia meu primeiro rascunho da coisa mais sincera que já escrevi em vida, eu me sentia aquecida, apesar do medo, do possível julgamento, das consequências e um possível adeus definitivo.

Quando eu lhe perguntei do teu mestrado, eu lhe disse que era pra você tirar um descanso, de pelo menos meio ano, para ficar em paz, com a mente relaxada, afinal, engenharia é uma coisa que não é para qualquer um. E você me disse que não iria tirar esse tempo, porque a vida é muito breve, VITA BREVIS não é?

Eu estou demorando cerca de duas semanas para escrever isto aqui que você está lendo. Como eu escrevi, comecei numa folha de papel velho. Eu comecei a escrever nela, depois disso, ao longo dos dias, eu gravei um registro mental de um esboço de como seria o conteúdo deste texto. E por muitas vezes, eu quase perdi as forças e a coragem. Eu sentava na minha mesinha, onde estão meus livros, papéis, canetas, lápis coloridos que eu quase nunca usei, e ficava olhando para o editor de texto, e constantemente eu fiquei em uma luta entre a razão, emoção e sensatez. Talvez tudo isso aqui, lhe assuste, e você pode fugir ou desaparecer como um garoto assustado. Você se afastou, e eu nunca tive coragem, na verdade eu não acho que você me deve explicar nada, mas saiba que eu sentia sua falta, foram cinco meses que você desapareceu, eu não via nenhum rastro. Você não me respondia mensagens, eu queria lhe perguntar se foi algo que eu lhe fiz, pois eu me sentiria péssima se eu fizesse algo que pudesse machucar-lhe ou lhe ofender de qualquer forma. Nossas conversas eram maravilhosas, eu sempre gostei muito de conversar contigo, eu nunca me esqueço dos teus relatos de viagem, daquela foto que você mostrou-me do dia que resolveu comer em restaurante chique e passou mal. Você estava, naquela foto, pálido, como um lírio branco (adoro lírios, por isso usei esta característica), mas, ainda assim, eu lhe achei encantador naquela foto, e ao mesmo tempo em que eu ria da forma engraçada de como você relatava as coisas, eu imaginava que você não existia. Como poderia, eu, conhecer uma pessoa como você? Somos muito parecidos, em muitas coisas, mas não é por isso que eu sempre tive carinho por você. Você simplesmente me cativou, eu li o teu blog inteiro e ali eu conheci um pedacinho da tua personalidade e eu lhe perguntei por que parou de escrever, e assim foi nossa primeira conversa. Eu lhe disse que escrevia, e mostrei-lhe o primeiro texto do meu blog, que falava de uma experiência da minha infância, o meu primeiro contato com a morte, lembra?Eu falava sobre o pássaro morto que eu encontrei na calçada, e meses mais tarde lhe disse que o garotinho que estava comigo, chamava-se André Luiz, e ele naquele momento chupava balas de doce de leite. E toda vez que eu sinto esse cheiro, de doce de leite, eu me lembro daquela cena. Lembra que eu lhe disse da minha relação extrassensorial com cheiros?Cheiros me lembram de pessoas, momentos, cores me lembram de cheiros e vice versa, e então nós conversamos sobre sinestesia. Você leu meu texto e colocou nos comentários uma música, eu não conhecia, e olha que toda vez que eu escrevo algo, qualquer coisa, eu sempre coloco uma música para que me inspire, mas não tanto pela letra dela, mas o que eu sinto quando eu a escuto. Muitas vezes, inicio ou termino meus textos com o trecho de alguma música, mas aquele primeiro texto foi exceção, eu escrevi sem nada pra ouvir, a única coisa que eu ouvia, eram as hélices do ventilador girando. Estava chovendo aquele dia, mas estava um calor do cão. Ao me deitar, eu fui escutar a música que você mandou, e quando eu entendi a letra dela, eu confesso que eu chorei como uma criança. Eu me emocionei e fiquei nervosa, porque até então, ali, eu compreendi que você sabia o que eu sentia e aquela música era o que eu queria ter escrito de uma maneira resumida. Foi a partir deste momento que eu me encantei de verdade por você. Quando você me escreveu, “Prazer, eu sou o Fígaro”, eu voltei num tempo, em que eu era criança, ou, se preferir “infanto juvenil”, eu estava lá, naquele palco, com minhas luvinhas brancas que me pai comprou de última hora, e que hoje nem me servem mais. Eu era sua consciência, bom, parte da sua consciência, lembra, o Paulo maestro sempre dizia: “Vocês são a consciência do Barbeiro de Sevilha”, e então no momento que eu vi aquele menino frágil de voz imponente, eu me encantei, e nesta época, eu não me permitia admirar ninguém, eu era muito “turrona”, mas eu cantava, em meu tom de mezzo-contralto e não tirava os olhos daquele menino. Eu nunca soube quem era, mas eu nunca esqueci que este foi o meu primeiro encantamento juvenil. E eu era tímida demais, para perguntar quem era, então eu apenas admirava de longe. Então quando você escreveu que era aquele menino encantador, de modos tímidos, mas ao mesmo tempo tão imponente eu considerei aquilo como o melhor acaso da minha vida, e eu pensei…Nossa, como a vida pode ser engraçada. E naquela noite, eu mal consegui dormir, e passei o dia inteiro escutando aquela música. E eu demorei a acreditar que você existia. Você apareceu de repente, sem ser convidado, e tu me cativaste de uma forma que eu jamais esquecerei, apesar de você não corresponder com o que eu sinto. Pra você eu sou apenas uma amiga a quem você diz, quando eu lhe disse que és meu muso inspirador, “eu não sou nada demais”. E eu senti que você é muito inseguro, deveria aceitar o fato que és uma pessoa única e rara neste mundo, como todas as suas qualidades e imperfeições. Existem pessoas, ao nosso redor, que surgem apenas por uma fração de segundos, e então nós não nos esquecemos mais. Eu sempre te admirei, mesmo até na época que eu não conhecia, que nunca trocávamos palavras. Eu sabia quem tu eras porque uma amiga comentou. Eu sabia o teu nome, mas eu nunca até então não sabia das coisas que lhe davam emoção, o que te encantava, os seus desejos, medos, angústias. Eu pegava ônibus na rodoviária todas as manhãs e via você lá, tímido, sentado no último ou penúltimo banco naquela rodoviária podre da nossa cidade, eu olhava pra você e eu pensava “Este rapaz tem os olhos gentis e um ar de mistério encantador”, eu ficava imaginando o que você pensava ali, sentado naquele banco, às vezes meio disperso e alheio à realidade à sua volta. Não sei se você me via, mas eu sempre estive lá, e o meu ritual de manhã era apenas te admirar, ao longe, porque eu nunca me permiti aproximar-me e lhe dizer: “Oi, você é o André?”, e talvez você me olharia com seus olhos gentis misturados numa expressão de incógnita, então eu lhe diria, “Prazer, eu sou a Ana, eu te conheço de algum lugar?”. Depois de todos os meus devaneios, eu entrava no ônibus, abria um livro e voltava à minha vida de garota tímida com meu caderno de poemas (que eu queimei mais tarde), ouvindo minhas músicas, estudando, ou simplesmente, como diz a minha mãe, “Viajando na maionese”. Eu sempre fui tímida, não parece, posso dizer que hoje, eu deixei algumas barreiras que eu tinha de lado, mas se eu olhasse nos teus olhos agora eu não conseguiria expressar o que estou escrevendo aqui. Eu provavelmente terei meu coração disparado e minhas bochechas ficariam vermelhas, e eu começaria a suar frio, e minhas mãos e lábios começariam a tremer, porque você tem o poder de me deixar sem reação, eu nunca conheci uma pessoa assim, que me deixasse a tão flor da pele. Teve um dia, que eu desci do ônibus, voltando do trabalho, eu estava com pressa, pois um minuto que eu deixasse passar, significaria esperar uma hora o ônibus para voltar pra casa. Quando eu desci daquele ônibus, apressada, ao atravessar a rua, eu senti uma sensação estranha. Foi como se minha pressão tivesse despencado e eu senti um ardor na nuca, e os antigos costumam dizer que quando isso acontece é porque está sendo observada. A sensação estranha passou quando eu cheguei na rodoviária, depois da escada rolante. Eu comentei com um amigo o que aconteceu, e ele me disse: “Você comeu hoje Aninha?”. Então eu ri, disse que foi estranho porque foi algo muito momentâneo, e então eu fiquei dentro do ônibus o tempo todo pensando o que havia causado aquilo, foi como se eu tivesse bebido muito vinho, uma embriaguez momentânea. E quando a noite chega, você me escreve: “Eu acho que eu te vi”, e eu disse: “Aonde?”, “Descendo do 331, eu estava entrando”. Naquele momento, que eu li isso, eu confesso, eu pedi pro meu irmão me buscar um copo de água, porque eu simplesmente senti meu coração parar de bater por uns instantes. Depois de uns 3 copos de água e a conformidade de que as pessoas se encontram por aí, eu me culpei o tempo todo de ser tão desligada, apressada e o fato que aquele dia eu não estava nos melhores dias. Eu queria que tu tivesses me visto de vestido preto e salto alto, e com a cara menos cansada, com o cabelo mais bonito e o andar mais elegante e talvez um perfume mais marcante. Mas não, aquele dia eu estava um caco, e eu nem ao menos lhe vi, nem pude lhe dar um abraço que para mim poderia durar uma eternidade inteira. Um eternidade inteira numa fração de segundos, pois não gostaria que você se atrasasse para a aula, e você sempre me disse que sua vida era muito corrida e sentia-se cansado, dormindo apenas cinco horas por noite. E eu lhe escrevi um poema, mas não lhe mostrei, eu apenas publico meus textos e queria muito que você lesse,como fazia antes, nos bons, velhos e não tão distante tempo em que tu lias e comentava minhas publicações. Em um dos muitos deles, veio da minha inspiração de uma triste música flamenca, chamada “Cancion de Cuna”, ou seja, traduzindo, canção de ninar e nela diz:

Hoje … Eu me lembro do seu sorriso e seus olhos

Dormir, dormir, dormir em meus braços o seu sono.

Dormir, dormir, dormir em meus braços o seu vôo.

E neste dia, quando eu conheci essa música lá no estúdio de dança, eu me lembrei de você, e das suas 5 horas de sono, e o quanto estavas cansado. Eu lhe escrevi um poema em que pedia que você fechasse seus olhos e dormisse, suspirasse, e nas suas poucas e sensatas horas de sono, tivesse sonhos felizes, bonitos, “sonhos com notas musicais”, pois você assim como eu, tem a música como uma de suas paixões. Eu acredito muito no poder de querer o bem para a outra pessoa, mesmo sem ter nada em troca. Sempre acreditei que as boas vibrações de certa forma nos tornam mais fortes.

Um dia eu sonhei contigo, e neste sonho você cheirava caramelo. Isso me lembra da infância, em que minha mãe fazia calda de pudim, e separava os fios de caramelo pra mim. E eu queimava meus dedos, pois eu era teimosa, aliás, ainda sou muito teimosa. Dias atrás, eu também tive um sonho muito bonito. Nós dois, éramos crianças,nós subíamos no telhado das casas, brincávamos numa tarde ensolarada, e eu disse pra você, neste sonho, que eu queria ter te conhecido quando era criança. E então, você, que no meu sonho era um menino, frágil, mas com os mesmos olhos gentis, me carregou no colo e me disse que me amava, e por um instantes nós adormecemos, um ao lado do outro. E eu lhe disse, em meu sonho, que você não poderia me amar, porque Amor é coisa de adultos, e nós éramos duas crianças, e nossos pais nos chamavam pra jantar. Eu escutava a voz de minha mãe, na soleira da porta, gritando que era pra eu voltar pra casa, pois estava tarde. Eu fui embora, e te vi sentado no chão, e então você me disse adeus. Eu acordei, chorei, tomei água e tentei voltar a dormir. E esse sonho ficou na minha cabeça, você, no meu sonho, era uma criança, mas você me abraçava com a força e ternura de um homem adulto. Eu comprei “O homem e os seus símbolos”, do Jung, e também “A interpretação de sonhos”, do Freud, mas eu não quis saber o significado daquilo. Para mim, as emoções que eu senti, já eram suficientes para compreender que por mais que eu tente me conformar que não haverá nada entre nós dois, você sempre será a pessoa que me chamou pra fora da toca, como se fosse música, eu aprendi muitas coisas contigo. Eu te amei, desde o começo, eu te amo, até hoje, mesmo você “aparentemente”, me dar a impressão que me evita, mesmo você tendo sumido e ter ficado sem falado comigo por 5 meses. Foram meses que eu sentia sua falta, eu me preocupava, não sabia se você estava bem, mas eu nunca me senti no direito de obrigar a me amar da mesma forma que eu te amo. Quem sou eu, meu Amor, para sentir raiva de você?Quem sou eu pra te julgar, eu sou apenas uma mulher de 25 anos, que acha que a vida é curta demais para não corrermos riscos. Sou mulher o suficiente para escrever-lhe isso e lhe dizer que cada poema, texto, tu fostes minha força, meu desejo, a coragem da minha expressão. O que seria dos escritores, dos artistas, se não fossem suas fontes de (ins)piração?Eu lhe escrevi uma mensagem de ano novo, e eu ali, agradeci por você ter surgido na minha vida, porque você, mesmo com todos os seus mistérios, seu sumiço repentino, e muitas vezes, perdoe-me se eu estiver errada, sua frieza, eu nunca deixei de te achar único em minha vida. Eu tenho 25 anos, não sou mais aquela garotinha magrela de 13-14 anos, metida num vestido amarelão, parecendo um quindim ambulante, que te admirava escondida e tinha pavor de se permitir amar e ser amada, eu era daquelas meninas que sofria bullying por ser diferente, eu me achava feia e insegura. Hoje, sou mulher o suficiente para lhe dizer que eu te amo, e você pode questionar o quanto quiser, mas eu sei o quanto você foi importante, desde o primeiro momento, lá naquele palco da minha infância, naquele banco daquela rodoviária mixuruca, eu amo cada pixel do teu rosto nas fotografias, porque isso é a única coisa que eu tenho. Sou mulher o suficiente para admitir que neste final de ano, após as festas, eu fui sozinha até a beira da represa, com minha garrafa de vinho uruguaio. Eu sentei naquela úmida grama causada pela orvalhada da noite. O céu estava lindo, a lua iluminava aquele lugar que eu amo tanto. E foi ali, naquele local que eu fiquei durante 2 horas, eu olhei as estrelas e pedi para que Deus ou seja lá o que nos protege e nos guia, me permitisse amar sem medo. Que me permitisse ser inconsequente sem medo, que eu fosse forte o suficiente para vencer todas as barreiras que possam me impedir de ser feliz, ou pelo menos, tentar ser feliz. Eu olhei a estrela mais brilhante daquele céu, e por mais que eu saiba que aquele brilho seja talvez de uma estrela já morta, há milhões de anos atrás, foi ali, naquela diante daquele brilho de eternidade, que eu fiz a meu último desejo:

“Universo, abençoe o homem que eu amo e ilumine todos os seus caminhos. Eu o amo, tanto o quanto as estrelas no céu, tanto quanto uma tempestade que se aproxima, tanto quanto o frescor do orvalho da madrugada, a beleza e os mistérios da noite, as cores misturadas do entardecer, as gotas de água caindo nos meus ombros, o sorriso de uma criança, a beleza de uma flor nascida entre a calçada e a rua, a mais bela canção, o aroma e sabor do meu chá da tarde. ”

Se eu fosse uma prostituta na vitrine da rua vermelha de Amsterdam, eu lhe chamaria. Se você fosse um mercador de flores, eu compraria suas tulipas e colocaria elas na cestinha de minha bicicleta. E então eu perderia o meu rumo ao sair pedalando olhando pra trás, pois os olhos do mercador são gentis e misteriosos. Talvez um dia eu crie coragem o suficiente pra te chamar pra dançar, não sei se você me estenderia a mão, e me permitiria pisar no teu pé, pois convenhamos, eu não sei dançar… O tempo pode apagar e curar nossos sentimentos, mas um ano já se passou, eu tive todo o tempo do mundo para esquecer, mas eu não consigo, e eu vou usar toda a licença poética de um certo escritor francês que todos conhecem, e eu acredito e levo comigo como uma verdade absoluta, aquela que obedece talvez as mais improváveis leis do universo:

Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol! Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.
Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música…

Entrega rápida – Versos e trechos esparsos

1- Só para constar…

Não, eu não uso nenhum tipo de droga para escrever as verdades, as bobagens, meu Amor, minha devoção, minha fúria. O máximo que eu cheguei a fazer foi tomar uma garrafa de vinho sozinha e escrever um poema safadinho ao qual eu não me lembrava no dia seguinte. Acordei ao lado do notebook, com ressaca, deitada na diagonal, com a roupa no corpo. Mas gostei do que estava ali. Não editei pra ficar bonitinho, afinal estava bêbada!

Quem quiser ler, o poema bebum está aqui: Drunk Poem

2 – Erotique

Esta noite queria poder lhe beijar de corpo inteiro,
Queria tocar teu corpo como um piano numa sala de jazz,
Pediria para que me devorasse inteira sem pudores,
Olharia em teus olhos e lhe pediria que rasgasse minhas roupas,
E que tirasse minhas meias 7/8 com os dentes…

3 – Brincadeira de criança

Quando criança, tinha poucos amigos. Era daquelas crianças sozinhas, que se divertiam criando histórias e situações em livros que minha mãe me dava. E eu subia no telhado, escondido, e então eu passei a observar a vida de cima, e então eu pude ver pela primeira vez em minha vida, que a maioria das pessoas andam cabisbaixas com seus problemas e medos, e que nenhuma delas contempla a beleza das pequenas coisas. A vida vista de cima, apesar de tudo, era mais bonita, e me dava a compreensão necessária que eu com meus 8 anos de idade na época, eram completamente capazes de entender. E eu assimilava aquilo apenas como o quão chato poderia ser o mundo das pessoas adultas.

4 – Insônia

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Neste ano minha insônia piorou. Minha hiperatividade mental tomou proporções quase desastrosas. Cinco dias seguidos sem dormir, uma injeção de diazepam no hospital me fez dormir. Minha mãe me acordou para jantar. Eu acordei meio desnorteada e sem saber onde realmente estava. Comi o jantar numa loucura misturada com sonhos vívidos. Voltei a dormir e só acordei no outro dia, ainda dopada, mas com o corpo descansado. E mais uma vez, chego eu num consultório confortável para tratar de minha ansiedade, insônia e hiperatividade. Mais um ano de Fluoxetina, para tirar a ansiedade e Rivotril para fazer dormir. Se eu bebesse uma garrafa de vinho todos os dias antes de dormir, eu dormiria igual um anjo, mas isso se dá um outro nome: alcoolismo. Prefiro ficar com o Rivotril…

5 – Banho na penumbra
Era de madrugada, depois de um tempo imersa numa boa leitura e estudando francês (estou tentando pelo menos, e estou gostando muito), resolvi tomar um outro banho para dormir em paz. Queria fazer alguma loucura, talvez tomar um banho com as luzes apagadas, acender um incenso e relaxar. No meu pequeno banheiro tem duas luzes, uma fluorescente bem forte e uma daquelas luzes amareladas, perto do espelho. Estava cansada, tomei minhas pílulas de dormir, resolvi tomar um banho na penumbra, com apenas uma luz amarelada de fundo. Acendi um incenso de sândalo e tomei um banho relaxante. Creme hidratante no corpo todo, um camisetão e fui dormir, em paz, com algumas gotas de meu perfume favorito atrás do pescoço. Era este cheiro que eu queria que você sentisse, mas eu dormi sozinha mais uma noite. Seria legal nossos corpos nus entrelaçados embaixo do chuveiro, água morna e meia luz…

6 – Prazer, meu nome é Desejo

Prazer, meu nome é Desejo, tu me conheces?
Porque eu sei que eu lhe conheço de algum lugar.
Eu já passei por aqui antes, você se lembra do meu rosto?
Já estive nesse velho teatro, nesta velha igreja, estive te observando,
Você já me procurou pelas noites, quando estavas sozinho,
Naquelas noites de luzes amareladas, ruas vazias,
E o seu coração tocava uma balada tão triste, seus olhos perdidos,
Tinham o brilho e a intensidade um milhão de estrelas.

Essa tua vida tão solitária, você têm amigos, mas se sente bem?
Existe algo que lhe completa, algo que você ama acima de tudo?
Você me conhece, prazer eu sou o Desejo, e eu sei que estou,
Escondido, você me ignora, eu conheço teu Orgulho, tão soberano,
Um dia ele me contou, um segredo teu, você quer saber o que é?
Meu nome é Desejo e só lhe conto se você estender as suas mãos,
E dançar comigo a noite inteira, em passos da canção que quiser,
Prazer, meu nome é Desejo, e neste teu corpo estarei presente,
Sua mente o tempo todo me nega, mas você sabe, estou te observando…

7 – Frase do dia: ainda vou escrever sobre isso…

“Inventamos amores procurando O amor. Amargamos tristezas pra achar a felicidade perpétua.

8 – Este ano liguei o botão foda-se

Eu fiz, na virada do ano, dentro dos conformes. Coloquei uma calcinha nova vermelha, comi três sementes de romã quando deu meia noite, comi outras três hoje, dia 06 de janeiro, dia de reis, enchi a cara e desci na beira de um rio e pedi para a lua e as estrelas que eu tenha um anoa mais tranquilo, uma vida mais calma, pois afinal, mais da metade dos meus problemas eu consegui resolver. E um muso inspirador que valha a pena.

This Twilight Garden

Não é de minha autoria, é uma canção do The Cure, mas seriam essas palavras que eu diria a quem amo…

Eu ergo meus lábios quando te beijo
Para beijar o céu
Nuvem azul e macia
E devagar o sol se funde
Com suas palavras que são ouro para mim

Eu ergo minhas mãos quando eu te toco
Para tocar o vento que sopra através
Deste jardim de crespúculo
Que gira em um mundo
Onde os sonhos são reais

Ninguém nunca vai tomar seu lugar
Eu estou perdida em você
Ninguém nunca vai tomar seu lugar
Estou tão apaixonada por você

Eu ergo meus olhos quando olho pra vc
Para ver o brilho de uma estrela
Seu rosto e seu sorriso são um sonho
Você é um mundo de sonhos
Para mim

Eu ergo meus lábios quando te beijo
E beijo o mais profundo azul do céu
E devagar a lua mergulha
Em suas palavras que são ouro
Para mim

Ninguém nunca vai tomar o seu lugar
Eu estou perdida em você
Ninguém nunca vai tomar o seu lugar
Estou tão apaixonada por você

Guaraná com Rivotril em gotas

Ilustração de Diego Sanchez, do Quadrinhos Insones.
Ilustração de Diego Sanchez, do Quadrinhos Insones.

 

Essa ressaca que não passa, milhões de vozes rodopiando na minha mente,
Eu sinto teu cheiro aproximando devagar, sua solidão sussurrando nos meus ouvidos,
E como num barulho ensurdecedor eu me deitei e rolei no chão, era o meu êxtase,
Chegando, vindo devagar, talvez somente uma solidão, não uma solidão vazia,
Uma solidão cheia de rostos, e todos eles estão pintados para a guerra, em cores impressionistas,
São as sombras contando dezenas de histórias, verídicas e inverídicas, meu sonho insone,
Caminhas sozinho entre vales e bosques, perseguido então por aquilo que não lhe adormece,
E o teu cheiro de caramelo, eu poderia me enrolar em você, como os fios de bala,
Eu me lembro, quando criança, minha mãe fazia balas de aniversário, e aquele cheiro…Doce,
Você se aproxima e eu continuo me envolvendo, desconheço tua fúria, mas ela me atinge,
Eu bebo-lhe em taças de licor, e todas as suas cores eu guardo dentro de uma caixa,
E elas sorriam, e sadicamente suas cores me envolvem, como se fossem música e eu suspiro,
Meu sangue está fervendo, e entrando numa ebulição de paixão sensata e enebriante,
Todos os meus amores em vida, nenhum atingiu a gama de todas as suas cores, tu me envolves,
Numa dança ritmada, sozinha sob o luar, eu lhe canto em acordes, eu amo teu rosto, teus olhos,
Eu amo sua solidão, sua calma, assim como eu amo os dias chuvosos, assim como eu amo a alma da noite,
Sadicamente, a noite me envolve e são meus gemidos que ouvirás esta noite, sussurrando baixinho,
Te quero, te quero…Naquelas tardes vazias de tédio, nos dias de caos, nas noites chuvosas,
Devolva-me teu olhar de fúria, teu sorriso sarcástico, me dê toda sua força bruta, envolva-me
Traduz-me numa canção de acordes complexos, talvez eu cante uma melodia, talvez eu apenas desvaneça,
Eu posso dançar, languidamente, numa dança cigana, olhar em teus olhos e enfeitiçar-lhe,
Jogar minhas palavras ao vento e esperar que corra atrás delas com sua rede predadora,
Talvez eu lhe dê minhas palavras para fazer suas rimas, e então eu posso ler seus pecados, seus desejos,
E eu devolverei-lhe um sorriso sádico, e quem sabe algumas peças de roupa jogadas no chão,
Eu posso dar-lhe a mão, vou te convidar a dançar um tango sob o luar, um tango solitário,
A solidão meu Amor, pode ser linda, nós dois em silêncio, converse comigo, apenas com os olhos,
Eu direi que lhe amo, apenas olhando, e meus movimentos, meus passos serão todos pra ti,
Adormeço, sobre seu peito, que sobe e desce numa respiração tranquila, eu sinto todo o seu Amor,
Mas eu sinto isso apenas nos meus sonhos depois de copos de guaraná com rivotril em gotas,
E eu sonhei, que éramos crianças, e brincávamos em tardes ensolaradas, de mãos enlaçadas,
E subíamos no telhado, e contemplávamos o entardecer e então tu me chamaste, pelo meu nome,
E com seu sorriso de criança disse que me amava, e eu deitei-me ao teu lado e nós dois,
Na inocência de nossa infância, contemplamos o céu, contamos as estrelas e adormecemos,
E eu acordei, com lágrimas nos olhos, pois eu lembro de ti quando lhe vi na minha doce adolescência,
E não passávamos de duas crianças, tu nunca me vistes e eu nem sabia quem era aquele doce menino de voz bonita,
Eu era apenas uma garotinha magricela em um vestido amarelo-ovo, e eu me sentia horrível…até eu lhe ver…
E essa é a mais doce e bonita que eu tenho de você, desde quando eu lhe vi, atravessando a rua apressado,
Era como uma miragem, como sonhar acordada e por uns instantes todo o tempo parou, eu parei de contar os segundos,
E um dia me contaste que me viu, descendo do ônibus, apressada, com o olhar distante,
E naquele instante ao atravessar a rua, todo o meu corpo estremeceu, minha nuca pegava fogo,
E eu não sabia o porquê, mas eu estava então sendo observada?Eras tu que me observava ao longe?
Terias tu, olhos de predador?Você me viu e deu um sorriso tímido de canto de boca, me achastes bonita?
Eu não estava nos meus melhores dias, queria que tivesse me visto de vestido e salto alto…
Queria que naquele momento sentisse desejo, e que sonhasse com minha imagem durante a noite,
Eu queria lhe tirar o sono, deixar-te excitado a ponto de não conseguir mais dormir,
Rolar na cama, de olhos abertos, as hélices de teu ventilador girando, seu mundo girando,
Queria aparecer em teus sonhos, e virar teu mundo de cabeça pra baixo, poderíamos fazer Amor,
Poderíamos fazer sexo, se preferir, poderia te virar do avesso, beijar teu corpo salgado, ou seria doce?
Quais são seus sabores, quais são suas cores, mostre-me, suas cores, tão bonitas, surreais, beije-me,
Em tons de vermelho, roxo e azul, toque-me como se fosse a primeira e última mulher de tua vida,
Vamos rolar em lençóis, deslizar, nos enebriar com vinho, vamos rir, és meu desejo amar-lhe,
Como se fosse a última coisa que eu pudesse fazer em vida, como se os dias de amanhã não existissem,
Se quiseres, dê-me apenas sua mão, e me olhe, com teus olhos de mistério pode me calar, eu perco o fôlego,
Eu desvaneço, devagar, se me olhaste com o olhar de desejo de um homem, me devore com os olhos,
Até que eu morra, até que grite de prazer, até que eu lhe dê um beije os ombros, até que você beije meus olhos,
Até que eu sussurre “Eu te amo”, em teus ouvidos, até que eu adormeça em seu peito, e então sonharemos,
Com um mundo mais bonito, pintado com cores almodovarianas, surreais como quadros de Salvador Dalí,
Meu Amor impressionista, deixo em você as marcas de meus beijos, queria lhe provar com uma colher de chá,
Beber teu amor aos poucos, como meu chá sem açúcar de todas as noites, mas seu Amor, é como Rivotril em gotas,
Eu não sei se ele existe, antes de dormir, me deixa com amnésia, eu adormeço, e é com você que eu sonho,
Seu amor onírico me anestesia a saudade, meu desejo…Rivotril em gotas, torna seu amor mais perfeito,
Rivotril em gotas, me faz acreditar que você me ama, e nesta doce ilusão eu lhe beijo com paixão,
Desenho teu rosto, acaricio tua face, e nada vai me dizer que não é real, e este poema meu Amor,
É uma forma de lhe dizer que te amo, quem sabe um dia, eu durma em seus braços, sem o fantasma da insônia,
Quem sabe um dia, o guaraná com cinco gotas de rivotril seja o gosto de seu beijo nos meus lábios.

 

 

 

 

Eu poderia dizer-lhe…

O amor é natural e real
Mas não para você, meu amor, meu amor não esta noite
O amor é natural e real
Mas não para pessoa como eu e você, meu amor

Oh Mãe, posso sentir o chão caindo sobre a minha cabeça

Todas as pessoas, andando de cabeça baixa, com seus medos e preocupações,
Eu poderia escrever sobre meus medos, angústias, mas vou escrever sobre o meu Amor,
Que minha alma se engrandece nos dias que eu falo com ele, por mais que,
Não passe apenas de meu Amor, que não seja correspondido, não importa,
Eu poderia escrever sobre minha solidão, embalada em garrafas de vinho na beira de um rio,
Eu poderia escrever sobre a noite, embaixo do luar que eu pedi a Deus,
Ou aquilo que eles dizem por aí que nos protege, eu não sei, meu Amor eu não sei…
Mas eu pedi para que a cada dia que acorde que abra esses olhos e se sinta bem!
Eu quero este teu sorriso de canto de lábios, quando você está em paz, eu fico em paz.
E então poderia me perguntar o porquê eu lhe amo tanto, e eu apenas poderia dizer,
Que apenas aceite o meu carinho e não faça mais perguntas, pois eu posso chorar,
Ou simplesmente não conseguir exprimir em palavras o ano que eu passei em silêncio,
Dentro de minha mente, seu rosto sempre foi o quadro mais belo que meus olhos viram,
E você pode não entender, eu não imploro que me entenda, mas aceite de bom grado,
Meu coração simples, puro, eu não posso, minha alma bela, obrigar a amar-me,
Eu não posso obrigar que venha e me tome pelos braços, que me beije sem que eu peça,
Eu poderia dar-lhe as chaves do meu coração, mas apenas se você me estendesse suas mãos,
Eu poderia cantar-lhe uma canção, escrever mil poemas, mil textos, eu poderia dançar…
Eu poderia olhar a estrela mais próxima e pedir que ela me trouxesse o brilho de teus olhos
Eu tentaria pegar o brilho de milhões de anos dela e levar pra ti, e pendurar na tua janela,
Mas eu não posso, eu apenas olho pra ela e digo que eu te amo e que meu Amor é real,
Eu posso apenas olhar aquele luar na madrugada e pensar o quanto eu gostaria,
Que estivesse comigo naquele momento, tomando um vinho e falando besteiras,
Aquelas besteiras que talvez somente eu e você entendesse, e então poderíamos rir,
E o seu sorriso seria a coisa mais bonita que eu veria naquela madrugada e meus olhos talvez,
Escorreriam lágrimas sinceras de emoção, pois aquele momento eu sempre esperei,
Mas eu me contento apenas com fotografias, seu sorriso e olhos em pixels,
E isto será talvez a única coisa que eu posso ter, porque eu tenho medo,
Tenho medo de chegar a ti e dizer “Eu te amo”, seria vergonha?
Não meu Amor, é apenas o fantasma da rejeição, e a saudade que pode ficar,
O maldito medo que você possa nunca mais conversar comigo, como se tivesse dó,
Como se o fato de acreditar por estar por perto me faz sofrer, mas pelo contrário,
Quando você está por perto, minha alma sorri, brilha, ri, dá uma gargalhada gostosa,
E mesmo que você me diga que você não tem nada demais, eu lhe digo que está errado,
Eu posso dizer que meu julgamento está de acordo com as leis do universo,
E então você não pode negar… Não que minha verdade seja a verdade absoluta,
Mas justamente porque nunca fui tão sincera, e a sinceridade surpreende, muitas vezes,
Você me surpreendia quando eu lhe olhava, pelas manhãs esperando ônibus sentado num velho banco,
Nos últimos bancos daquela rodoviária podre da nossa cidade, e eu mal sabia,
Que aquele ao qual eu contemplava a beleza, foi a visão mais linda de minha infância,
Eu e minhas luvinhas brancas, compradas por meu pai de última hora, eu era tua consciência,
E hoje aquelas luvas não me servem mais, mas tu cresceste e se transformou neste Homem,
Tão tímido, muitas vezes inseguro, mas um homem que me cativou e desde então, meu Amor,
O som dos teus passos, seu sorriso e sua conversa, são como a mais bela música, e eu lhe disse
Meu Amor, que você me inspira!E eu agradeço por ter surgido em minha vida, tão de repente
Por mais que você surgiu no momento mais caótico, você me trouxe forças, para recomeçar,
E então tu me fizeste conhecer coisas belas, me fez acreditar que ainda existem pessoas,
Que enxergam a beleza nas pequenas coisas, como a beleza e o poder de um dia de chuva,
Até então, eu me sentia sozinha neste mundo, com minha xícara de chá, sentada na janela,
Vendo as gotas de chuva escorrendo lá fora, o vento balançando as folhas…
E eu poderia, dizer-lhe hoje “Eu te amo”, eu poderia dizer-lhe amanhã: “Eu te amo”,
Mas eu lhe digo “Eu te amo” todas as noites, timidamente, como um segredo…