Confessionário

O prazer é um pecado, e às vezes o pecado é um prazer. 
(Lord Byron)

As luzes lá fora já se apagaram. Os quatro comprimidos sublinguais de Rivotril duas miligramas estão se desmanchando na boca. O conhaque Presidente está pela metade, sorrindo pra ela, o gato oportunista passeando entre as pernas, entrelaçando-se, olhando pra cima e emitindo o som estranho que vem dos gatos: ronronar… Ronronar. Ela sempre gostou desta palavra, soa estranhamente erótico. Doente… Pensou ela… O gato, de alcunha Byron, queria carinho? Não, ele quer comida, está sempre faminto, com olhares piedosos, tal como o gato do desenho do ogro verde e o burro falante. O prato de Byron, o Gato está vazio. Talvez tenha um pouco de leite não coalhado na geladeira e um resto de comida de gato enlatada. Byron a encara, na penumbra da madrugada aqueles olhos amarelos lhe dão arrepios e ele a segue sentindo-se satisfeito quando ela coloca a tigela de comida ao chão.

Gatos desgraçados, tão classudos, comendo sentados, parando para respirar, olhando ao redor. Aqueles olhos amarelos de reprovação, enquanto ela toma goles longos de conhaque e acende a porcaria dos cigarros mentolados que ela esconde na gaveta. Os comprimidos de Rivotril, numa pasta nojenta, misturando com o conhaque made in Paraguai na boca. Aquela sensação relaxante, quente, densa e consoladora, com um peso de um homem entre as pernas, seu velho homem.

Os olhos do gato dizem: tal como o peso daquele seu velho homem ao qual você nunca teve.

Dá uma alta risada de escárnio, e vai se derretendo no sofá, com o olhar perdido no teto mofado com pintura descascada. Talvez toda a concepção que ela tenha a respeito de sexo, seja como aquelas paredes, aquela pintura… Incompleta, inacabada, cheia de manchas. Talvez ela se junte ao trovador bêbado que passa todas as noites declamando versos desconexos embaixo de sua janela, mas hoje, justamente hoje que ela precisava se deleitar do escárnio dos desgraçados, eles não cantam suas emoções. Fica somente o eco das vozes na escuridão, repetindo como trechos de canções em disco riscado…

And no one makes me close my eyes

And no one makes me close my eyes

And no one makes me close my eyes

And no one makes me close my eyes

And no one makes me close my eyes

É o que diz no disco riscado do Pink Floyd. Enquanto “Echoes” toca e ela delira no sofá, os olhos do gato, reprovadores, encarando-a como os olhos do padre durante a confissão. Lembrou-se que só se confessou uma vez na vida, na primeira comunhão. Entrou em uma sala no pátio da Igreja Nossa Senhora Aparecida, da cidadezinha pacata onde todos puxam o “r”. O padre estava sentado numa grande cadeira de madeira maciça e couro. Conte-me seus pecados minha filha, do que você se arrepende? Mas eram pecados de criança, tal como roubar doces, gastar dinheiro do lanche com fliperama,  subir no telhado escondido, simular sexo com a Barbie e o Ken, e fazer desenhos sem educação sobre a professora chata. Vou-me confessar Byron… Só você me entende, eu sei e você agora está com aquele olhar de que quer me ouvir…

Byron, o gato, se aproximou, lambeu-lhe a mão, não gostou muito, tinha gosto de conhaque, nicotina e sangue. Ela cortou a mão na lata de comida pra gato e não percebeu. O chão da cozinha estava manchado, contando histórias no chão. Mas o gato ficou lá, sentado, olhando pra ela, seminua e bêbada no sofá.

Byron eu pequei… Eu peco todos os dias, todas as noites…

O gato arrepia os pelos, lambe as patinhas e volta em sua posição de olhos atentos.

Eu queria beijar-lhe a boca inteira, afundar minhas mãos nos negros cabelos,

 Daquele seu velho homem que você nunca teve, disse o gato, com os olhos…

 Eu poderia lamber-lhe a cara, eu poderia beijar todos os pelos do rosto. Aquela barba negra por fazer. Eu poderia Byron… Eu poderia pensar em um milhão de coisas sujas e vulgares, eu poderia dançar nua pela sala, eu poderia fazer uma rima pobre e podre, mas eu não sou poeta. Eu poderia percorrer-lhe o corpo inteiro, como um inseto ou morder-lhe como um animal sádico, brincando com a presa. Aquele velho homem… Velho… Antigo, empoeirado, um quadro inacabado perdido em um souvenir.

Tomou mais um gole de conhaque; desejar sem poder é pecado? Até onde minhas entranhas expostas são um grito desconexo de utopia? O que é utopia? O que eu tenho medo? Qual o índice da minha maldade? Da nossa maldade, sem exceções? É matar alguém com 200 facadas, é torturar uma criança até a morte por inanição? É ver um cadáver na rua esperando o rabecão e tomar uma cerveja na calçada da esquina? Eu posso sufocar meu tesão com um travesseiro e pedir desculpas depois? Eu posso lhe arranhar as costas, posso traçar mapas de desejo no meio do suor, pelos, veias e tendões? Qual o prazer em sentir dor? De ver meu corpo rasgado e com marcas profundas de dedos, pequenas irritações causadas nas pele por causa do passeio de um rosto barbado? A preguiça masculina de 3, 4 dias de pelos na cara. E o meu corpo no espelho, dilacerado, desalmado e talvez amado? Qual foi o meu pecado? Pecado Byron… PE-CA-DO…

 Byron subiu no sofá, sentou no ventre nu e suado daquela que balbuciava eloquências e metáforas, e com olhos piedosos passou a língua áspera no ventre dela, como se quisesse caçar as mariposas no útero. E os pelos do gato como uma carícia, as patinhas pressionando como dedos. Ele se deitou, encarou-a com os olhos de incógnita e o piscar de felino. Trouxe-lhe a exata sensação de que o pecado era para ser vivido, mesmo na utopia. Dormiu, sonhou com o seu velho homem, que tem olhos e jeitos de felino. Dorme e sonha com dias poéticos, desgastados, descascados, com um pouco do mofo das tristezas, cores sinestésicas e os ventos de alegrias cheias de tragédia. Versos, neologismos, dor, beijos e gemidos.

 O gato olhou para a janela, poderia dar um passeio lá fora, no mundo paralelo dos gatos, perturbando o sono alheio com as transas felinas que atiçam o sono dos incautos, mas ficou com sua dona, e pensou nos albatrozes, “imóveis no ar”, do disco riscado do Pink Floyd. A noite foi como eco, cheio de vozes e desejos ensandecidos. A noite apenas começou, com seus encantos, prazeres, pecados e desejos, deitando em metáforas, aforismos, metonímias e falácias. O bêbado trovador passou embaixo da janela.  Todos os olhos felinos piscaram e sorriram, enquanto lambiam-se uns aos outros, as patas, a cara, o corpo, o sexo…

Escrito ouvindo isso aqui várias vezes:

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Garotinha.

Ninguém sente mais nada. Doses de morfina tomaram conta da madrugada. Ninguém sabe de mais nada, está tarde agora querido, gatos namoram nos muros, a coruja de mau agouro e olhos grandes amarelados pia lá fora e eu sou apenas uma mulherzinha, uma garotinha pintando aquarelas na madrugada. Não sinto sono, mas sinto fome, tenho preguiça de ligar no delivery. Mentira, na verdade não tenho crédito no celular. Ele está jogado no chão. Eu dormi e ele caiu no chão, abrindo e a bateria saiu fora. Não tenho ligações importantes pra fazer e nem receber. Detesto falar ao celular, prefiro pessoalmente. Perdemos todo o contato, queria me comunicar por sinais de fumaça, mas eu não ando com isqueiros, nem fósforo. Não sei cortar lenha, sou magrela, frágil… E levemente folgada. Prefiro sair por aí catando gravetos, do que cortar lenha. Sou meio confusa, complexa, mas sou apenas uma garotinha, em cima de um salto alto, camisa de mulher, meia calça fina, saia executiva. Apenas uma mulher, incendiária… Gosto de incendiar meu Amor, em fogueiras de fagulhas coloridas, só sei escrever sobre a vida, e tudo o que ela compreende, desde a decadência até breguices de amor. Sou brega, romântica incorrigível e muitas vezes, ogra… Nesse caso sou garotinha mal criada, escarrada. Levo o demônio montado em minhas costas. Mas quando eu vejo um anjo, entro no dilema de não ser tão ordinária. Palavras afáveis funcionam, mas não sempre. Sou uma chata, me cobro demais, mas muitas vezes deixo coisas para trás, sendo relaxada dentro de minha própria mania de perfeccionismo, que é tão imperfeito. Eu escrevo, sou um poço de linhas tortas e insones, verdades e falsas mentiras num balde de verbos… Passo lendo e relendo, mas sempre deixo escapar aforismos, pleonasmos, entre outras coisas. Meu caos não permite a perfeição e eu quero, sinceramente, fugir dela. Gosto de palavras lançadas, sem medo, sem preparo, apenas um fluxo sincero, sádico…

Nesta noite, eu gostaria que chovesse, eu queria ficar parada, no portão, vendo a enxurrada descer na ladeira de casa. É óbvio, se é ladeira, não poderia subir. Tu viste? Eu sou um fracasso! Queria rasgar roupas novas, fazer camas para cachorros de rua. Hoje eu vi um lindo tomba latas dormindo embaixo de um caminhão. Eu pensei se ele passava frio, quando eu era pequena, minha cadelinha morria de frio. Dei um cobertor pra ela. Queria colocar fitinhas na orelhinha dela, mas ela era uma cachorra idosa. Quando soube que iria morrer, saiu pra rua. Encontrei-a morta, na sarjeta, teve uma morte natural. Parecia que ela sabia que seu fim estava chegando, e que ficaríamos todos tristes. Foi meu segundo encontro com a morte, depois de ver um pássaro morto com os vermes a comer as entranhas. Achei que a pomba dormia… Mas não…

Eu tenho uma amiga, que toma anfetaminas. Ela diz que nunca seria abençoada, pois ela considera-se que é um grande pedaço de merda. Queria ser coberta de pérolas, ter flores nos cachos do cabelo, ela queria fugir, num vagão de trem, sem ninguém descobrir, viver a vida sem rumo, no anonimato. Ela amaldiçoa toda falta de sorte que carrega nos ombros. Enquanto isso, eu queria ficar parada, no meio de um temporal… Magoada… Pobre garotinha. Eu tenho fome. Já disse… Escrevo porque sinto saudades. Deixa pra lá…

Express

A vida toda, fantasia escritas em lápis carvão,
Desenho-lhe a boca em vermelho carmim,
Traço-lhe os olhos em verde oliva, emoção?
Diante da obra prima meus olhos lacrimejam,
Minha pele, gelado suor, minha alma?
Minha alma grito insano, Amor meu.

Das noites insones, conversas sensuais
Pensamentos picantes tímidos,
Cantando o sexo em tom maior,
Nosso refrão é tão lascivo, nossa pele, suor,
Venha e deite-se, sem medo e sem pudor,
A vida, numa tela, pincéis e tinta, vermelho e azul.

Ordinary World, C’est fini! C’est la vie: silêncio,velha infância, pieguice, o encontro com a barata, pastéis matutinos e Heath Ledger.

Essa imagem ilustra como eu me senti essa semana!^^
But i won’t cry for yesterday
There’s an ordinary world
Somehow i have to find
And as i try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive…
1 – O Silêncio…
Esta semana foi intensa. Muito trabalho, muitas reflexões, e um encontro com uma barata na cozinha. Um sentimento “Kafka”…hehehehhe. Esta semana trabalhei até tarde, fiz minhas aulas de flamenco, andei lendo bastante e meditando em silêncio, até procurei quando vai ter o próximo retiro espiritual Vipassana, um lugar onde você fica afastado de tudo e todos. Uma semana em silêncio, meditando, e rigorosa dieta(frutas e água). Não pode levar celular, nada eletrônico. Escrever pode, desde que seja papel e caneta e não se utilize disso para conversar, e isso me fez lembrar dos tempos de adolescente, nas aulas que não podia conversar, nós costumávamos fazer chat via papel e a conversa fiada passava na sala toda, e o tempo todo nós achávamos que a professora nunca desconfiava de nada.  O fato de poder levar papel é muito bom, pois quando eu for vou descrever a experiência do silêncio total, mas ao mesmo tempo isso implica de uma certa forma, na quebra do silêncio, pois vou usar isso para comunicação certo?O ruim é que no momento não tem nenhuma data definida para o próximo retiro, mas enfim, até o final do ano, gostaria de participar, e muito, até porque os retiros são de graça, você ao final, pode fazer alguma doação se achar que a experiência foi válida. Um amigo meu disse uma coisa engraçada, quando eu comentei que vou fazer um retiro:
“Esses encontros devem ser daqueles retiros muito loucos, onde se toma aqueles chás estranhos e onde todo mundo sai transando com tudo e com todos…só que em silêncio!”.
Obviamente, eu, criatura besta que só eu, e digamos com um bom senso de humor, fiz a minha cara habitual de poker face e depois um facepalm e depois caí na gargalhada e ainda completei “Só se eu for comer a Tia do Batman…em silêncio”. Eu até tentei explicar o intuito da coisa, que de putaria não tem nada, mas eu entrei numa crise de riso tão grande, que mal consegui me segurar. Isso porque, nos retiros Vipassanas, homem e mulher são separados, ou seja, nem que eu fosse com um namorado(se eu tivesse), nada de sexo…nem tântrico…para se ter uma idéia, nenhum contato corporal, nem aperto de mão. A castidade é mental(eu fico me perguntando se isso é possível), visual, física…em todos os sentidos!Resumindo, são 7 dias acordando quatro horas da matina, meditação, leituras e dormindo cedo. Talvez isso melhore a insônia!
2 – A Pieguice e memórias de uma Ana quando jovem(muito jovem!)
Insônia: outro problema. Podem ver, são cerca de 01h30 da manhã, eu trabalhei das 09h00 até as 22h00 e não estou com sono. Estou cansada?Sim, estou, mas ao mesmo tempo minha mente está voando e acelerada. Estou nesse humilde blog escrevendo coisas aleatórias, com o Itunes no modo shuffle, e neste exato momento, neste parágrafo estou ouvindo Tribalistas, Velha Infância. Eu ouço isso e sinto saudades da época que música brasileira não se resumia a Michel Teló e música do tchu-tcha…
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me deito
Eu gosto de você
Eu gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu Amor
 Está aí uma música cuja letra é simples e piegas, mas a sonoridade eu considero muito, mas muito bonita, principalmente nesta parte que eu citei, que é o Arnaldo Antunes recitando. Eu penso a mesma coisa quando penso em Djavan. E as pessoas me olham embasbacadas quando eu digo que gosto de Djavan. Eu gosto, eu confesso, EU FICO PIEGAS!EU SOU PIEGAS! As pessoas me vêem com uma mulher sem coração que só curte sons agressivos, com gritaria, letras tristes e revoltadas, mas lá no fundo eu sou um ser sentimental. Não é pelo fato de eu ser a única mulher em um setor só de homens, que eu tenho que ser uma ogra com peitos. E particularmente, “Um Amor puro” é uma música que me derrete igual chocolate no sol(péssima analogia…péssima). A letra é muito simples, coisa que meu irmãozinho de nove anos faria para a namoradinha dele:

O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo
Tem pra me conceder
São tuas até morrer

E a tua história, eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que ainda nem sabe
A força que tem é teu e de mais ninguém

Te adoro em tudo, tudo, tudo
Quero mais que tudo, tudo, tudo
Te amar sem limites
Viver uma grande história

Aqui ou noutro lugar
Que pode ser feio ou bonito
Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul

Um amor puro
Não sabe a força que tem
Meu amor eu juro
Ser teu e de mais ninguém
Um amor puro

Em falar nisso, na última vez que eu fui na minha casa, em Santa Bárbara, eu encontrei na gaveta do quarto do meu irmãozinho, um poema que ele escreveu pra uma guria da escola. Ele me pegou lendo e ficou todo tímido, e ele disse que aquilo foi uma canção que ele escreveu. Então ele arrancou o papel da minha mão e ficou todo envergonhado. Eu ri muito da situação, mas eu ri porque achei aquilo muito bonitinho, não por maldade, até porque naquele momento eu me enxerguei ali. Quando eu era criança, eu tinha um amiguinho de 7 /08 anos, chamado André Luís, que enviava cartinhas se dizendo apaixonado por mim e que nós iríamos nos casar. Era com ele que eu estava neste acontecimento aqui:

https://suburbanwars.wordpress.com/2012/01/17/sobre-o-efemero/

Eu estava voltando da escola, com ele e a irmã dele, que se chamava Graziele(eu acho…não me lembro ao certo o nome dela) e nós encontramos um pássaro no chão(leiam a história, pois não vou repetir). E eu me lembro que  naquele momento ele estava comendo aquelas balas quadradinhas de doce de leite (ele adorava essas balas, e eu gostava de dadinho!). E toda vez que eu sinto esse cheiro, dessas balas, eu me lembro desse momento. Eu me lembro que ele colocava uns versinhos e desenhava eu e ele na versão “Desenho Universal”: um homem palito e uma mulher palito, e ele sempre me desenhava segurando uma flor. Então teve um dia que ele me deu uma flor, que ele arrancou do jardim de uma mulher muito brava, pois eu costumava roubar as flores dela para dar de presente para minha mãe. E então, todos os dias ele me dava uma flor, e eram flores diferentes, pois ele não gostava de repetir. E o mais engraçado é que nem selinho de criança rolava. Nós namorávamos do nosso jeito, e para nós, namorar era ir e voltar da escola junto, de mãozinhas dadas.

Ele apenas me dava flores, arrancadas sem culpa,
Das casas ao redor do caminho da escola,
De mãos dadas, despreocupados, caminhamos,
Nós nunca nos beijamos, e ele dizia,
“Então nós vamos nos casar…”
E quando isso acontecer, eu vou te dar um beijo…

Vamos descrever o que é piegas?Piegas é aquela pessoa melodramática, “dramaqueen”. Hoje eu fui piegas, quando fui tomar danone e só tinha meio copo…e eu estou sem grana para comprar danone, e mesmo se eu tivesse, cheguei tarde do trabalho e estava com preguiça($) de ir no Dalben, que fecha meia noite. Enfim, fiquei de bibibi porque fui seca no danone e não tinha mais. E a vida é assim, quando você está com vontade, pode ficar apenas chupando dedo. Me contentei então com leite e ovomaltine…oh como sou juvenil!!!

“Tudo os aluno criado a leite com pêra, a ovomaltino, a pão com mortandela!”,  Prof. Gilmar

Neste caso, fui piegas também, mas isso não é só no sentido dramaqueen. Temos a pieguice no sentido do ser romântico. Todo poeta é romântico de uma certa forma. Eu não sou poeta, mas me arrisco, mas não ao ponto de ser poeta, mas quando eu sou, eu uso a pieguice romântica sentimental ultra-esquerdista.  Ser piegas é se emocionar escutando Daniela Mercury, “A primeira vista”, de madrugada, cantando desafinado mentalmente, para não acordar os vizinhos, ou querer sair correndo na rua, ou quase chorar de emoção escutando Ney Matogrosso interpretando Cazuza, naquela música, “Poema”:

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança…

Esse detalhe me lembra do desenho do pica-pau…episódio clássico, mas sem backing vocals, roupas pretas e luvas brancas. Sinto saudades do pica-pau, mas vejamos…na merda da história toda, estou mais para o índio. Ba tum disssss!O que vai querer meu chapa?Ah, bravo Figaro!Bravo, bravissimo!Bravo! La la la la la la la!

3 – A Barata: o processo na cozinha

Nesta semana, especificamento na terça-feira, saí do trabalho e fui para a aula de Flamenco. A aula começa as 20h30, saí dela as 21h30 e voltei pra casa. Resolvi ir na cozinha pra comer um iogurte com cereais. A cozinha do lugar que eu moro é compartilhada, e fica do lado de fora. Não costumo ir muito lá, porque quase não paro em casa em dias de semana. Praticamente, é muito difícil eu fazer alguma refeição em casa. Sempre compro coisas práticas, como pão, leite, iogurte, cereal, sucos. Nada além disso, até porque acredito que não daria muito certo, até porque o meu senso de “fazer comida somente e exclusivamente para minha adorável pessoa”, ainda não foi configurado. Eu cheguei, coloquei minhas coisas do trabalho em cima da cama, peguei meu livro do Stieg Larsson e levei pra cozinha. Gosto de ler enquanto como alguma coisa. Eu sei que é errado, mas não tem coisa mais prazerosa do que comer cereal lendo. Tirei os sapatos, coloquei algo confortável e fui para a cozinha. Primeira coisa foi abrir a geladeira e tirar a garrafa de iogurte. A tigela de cereais estava me aguardando toda sorridente e bonitona. Ela esperava ansiosamente para enchê-la de Amor, que neste caso é o meu adorável sucrilhos com mel da Nestlè. Mas eis que me deparo com uma baratona nojenta, enorme, marrom e cascuda, em cima da mesa de mármore. Quem lê, imagina que o lugar é sujo, mas não é, está sempre bem limpo, mas o fato da cozinha ser do lado de fora, acaba complicando. Naquele momento, ao ver aquele ser das trevas, eu entrei em choque. Foi cômico, pois eu fiquei encarando aquela coisa horrível, com uma garrafa de danone na mão e na outra a caixa de cereais. E por um instante eu achei que aquela coisa fosse voar pra cima de mim. E então eu permaneci em silêncio, achando que ela iria se tocar da minha presença e iria se mandar dali, afinal, eu precisava pegar o meu livro em cima da mesa. Mas não adiantava, aquele bicho asqueroso, como diz o meu amigo Brunão, sobre a vida o universo e tudo mais:

Queria o meu corpinho nu, banhado no óleo de dendê

E eu fiquei lá, e a maldita barata me encarando, e chegando cada vez mais perto do meu livro. E eu queria pegar o livro, mas ela estava lá e a Lei de Murph caminha comigo desde quando eu nasci, logo a probabilidade dela voar pra cima de mim, poderia ser particularmente altas.

Você quer uma barata Ana???Elas voam Ana, elas voam, e você pode voar com ela também!

“Cê ri né?Cê acha engraçado!” Andersão sobre tudo…

Enfim, ela ficou lá me olhando, e então eu pensei que se bicho continuasse vivo, mais tarde ela poderia entrar por baixo de minhas cobertas, ou caminhar nos meus pés, como aconteceu uma vez lá em Porto Alegre, quando uma barata resolveu subir nas minhas pernas dentro de uma loja. Obviamente, nunca mais voltei naquela loja. Quando eu resolvi criar vergonha nessa minha cara e e deixar de ser mulherzinha, a desgraçada fugiu. Fui lá, peguei o meu livro, enchi a tigela, guardei o danone e fui para o quarto ler meu livro. Eu e aquela barata não podemos ocupar o mesmo ambiente. E toda vez que eu vejo insetos asquerosos e tenho de matá-los, eu lembro da filosofia budista. Reza a lenda que eles não matam uma barata, pois pode ser um tio que já se foi…batumdissss!

Eu não corro essa risco, pois minha risada é huahuahuahuahuahuaa, e quando o assunto é vingança, minha risada é “muahahahahaha”….

4 – Pastéis Matutinos

Imaginem o seguinte cenário. Você acorda pela manhã, quase morrendo, principalmente se for um ser que “morcega” na madrugada. Você tem que ir trabalhar, porque afinal, como diz a minha sábia e querida mãe:

Mente vazia minha filha, oficina do diabo!!!

Então, imaginem, acordar, se arrastar no quarto e partir para o chuveiro. Eu como mulher, tenho meu arsenal de coisas cheirosas, tal como perfumes, águas de banho, óleos perfumados, coisas de mulherzinha. Então é nesse momento que acabo acordando de vez, ou muitas vezes puxo um livro da cabeceira, leio algumas páginas e depois vou para o banho. Sendo assim , me arrumo para ir trabalhar. Passo um perfume, creme nos cabelos, creme hidratante que combine com o perfume(aqueles que é da mesma linha, eu tenho o creme e o perfume de sândalo do águas de Natura…muito bom!), enfim, eu gosto dessa coisa, adoro “memórias olfativas”. Cheiros me remetem a lugares remotos, lembranças, logo, eu sou alvo fácil em lojas de perfumes, cosméticos em geral. Pronto, depois de meia hora, me perfumei e me arrumei para ir trabalhar. Passo na cozinha, tomo alguma coisa, e vou para o ponto de ônibus que é quase em frente de casa, coisa de 15-20 metros de distância do portão. Coloco meus fones no ouvido e se tiver um solzinho em alguma região da parada de ônibus, eu fico lá no solzinho, pois acho divino um sol de inverno pela manhã. Eu pego o 326(Vila Independência) ou 325(Vila Isabel). Ambos vão para o Terminal Barão Geraldo. E aí que entra a questão “Pastel”. Do lado de fora do terminal Barão Geraldo tem uma pastelaria do lado de fora, atravessando a rua, em frente ao ponto de táxi. Até aí, tudo bem!Pastel é uma delícia, coisinha linda e iluminada de Deus, principalmente se for acompanhado por um caldo de cana com limão, suco de laranja ou refri de garrafinha, conhecido como caçulinha, na minha cidade é o  Esportivo, que é muitoooo bom!!!!Ohhhhh Santa Bárbara queridaaaaaaa!!!

Voltando, chego no terminal, e pego 134, ou 333 ou 331, esses param num ponto de ônibus bem próximo de onde eu trabalho, sendo que em agosto, vai ser quase em frente, pois a churrascaria Coxilha dos Pampas vai sumir dali e nós vamos expandir. Então, onde quero chegar com os pastéis?É muito simples. Eu tomo banho, eu me arrumo, fico cheirosa. Aí entra no ônibus uma maldita pessoa enviada pelo demônio, comendo pastel, 08h00 da manhã…e eu, a estas horas, estou azul de fome. E o cheiro de pastel é algo muito bom, soberbo, excitante, do ponto de vista alimentar(eu não quero nenhum corpinho nu banhado num oléo de pastel…). O problema disso tudo, é que todo o seu investimento para ficar agradavelmente perfumada, vai por água abaixo. A lei de Murph me persegue, e as pessoas pastelentas sentam DO MEU LADO, ou seja…eu fico cheirando pastel!!!!!

Ana, que perfume você passou hoje????

Hoje eu estou usando o “Pastelon de Carné”, é francês, da marca L’entraîneur Baron Gérard…

Resumindo…o cheiro de pastel impregna sua roupa, seu cabelo, sua pele e você fica passando vontade o dia inteiro!#CHATEADA COM ISSO TUDO!

Prefiro Frango com Catupiry ou calabresa…

5 – Heath Ledger

O Joker era a única pessoa deste mundo que ficava muito bonito sem maquiagem!Se é que vocês me entendem…

Se tem um homem que eu perderia as estribeiras, que eu entraria em estado de graça, este é Heath Ledger(o outro é o Ewan Mcgregor). E nesta semana eu entrei em um cômico estado de ebulição. Estava eu lá, no hemocentro do hospital Vera Cruz, em Campinas. Faz tempo que eu não doo sangue, então como tenho hora-extra bagaralho, resolvi fazer uma boa ação. Eu deveria ter chegado cedo, o hemocentro estava cheio, então tive que esperar alguém terminar a doação. Sentei lá na salinha de espera e fiquei lendo “Os homens que não amavam as mulheres”. Eis que de repente a porta se abre e um cheiro muito bom de perfume masculino(estou chutando que seja o “Quasar” azul, da Boticário) entra na sala. Disfarçadamente eu levanto os olhos do livro e…NOSSA SENHORA DA BATATINHA PODRE EM CONSERVA…NOSSA SENHORA DOS OVINHOS COLORIDOS EM CONSERVA DO BUTECO DA ESQUINA!!!O ser era a cara d Heath Ledger…sem tirar nem por.

Entrei em estado de graça…
You’re just too good to be true…can’t take my eyes of you!

Eis que meus hormônios chegaram no pico do Everest. Então eu dei um sorriso sem graça, porque o filho da manhã disse “Bom dia” e eu acredito que o meu riso ficou largo igual a cicatriz do Coringa quando eu vi tamanha belezura australiana(Heath Ledger era australiano). Ele pegou uma revista e sentou do meu lado. Deu uma folheada na revista e eu lá, quietinha com os olhos nas páginas do livro(nessa altura do campeonato eu nem sabia mais o que eu estava lendo ali…). De repente: “Gosta de ler?O que está lendo aí?”, então eu sorri e mostrei a capa do livro, “Eu tenho os três, adoro esse livro!”, “Stieg Larsson escreve muito bem!Você está gostando?”

Sim…adoro ler…adoro…

Depois que o ser iluminado me disse isso, eu me senti como uma adolescente besta, fechei o livro e começamos a falar a respeito, E AINDA PERGUNTOU SE EU ESTAVA ATRAPALHANDO A LEITURA!Eu disse que não, óbvio. Então ele disse que tem a trilogia em filme, de um diretor sueco, que ele aconselhava eu assistir. E falamos sobre Lisbeth Salander,  e ele então construiu uma visão brutal da personagem, e disse me perguntou se eu também tinha vontade de conhecer a Suécia ao ler o livro. E não foi só isso, falamos sobre a vida, o universo e tudo mais. Ele está fazendo mestrado em letras e vai para portugal dentro de 2 meses e depois para a Alemanha. E então eu perguntei se ele sempre doava sangue. Aí ele disse que era a primeira vez, pois o NAMORADO dele…isso…isso mesmo caros colegas…sofreu um acidente e o sangue dele era compatível. Ele estava internado no hospital Vera Cruz e a cirurgia seria nesta próxima segunda, e muito provavelmente ele precisaria de sangue, mas disse que estava fora de risco, não precisaria de muito. E então ele pegou o celular ( um Samsung S3) e começou a mostrar as fotos dele com o namorado(uma delas em Amsterdam, na Holanda). E pasmem…o namorado dele era lindo também, mas ao contrário dele, tinha um “q” que gostava da coisa. Então ele foi chamado para a triagem e me desejou boas leituras e boa sorte na vida. E finalizou que me achou muito bonita. E eu fiquei o dia inteiro me perguntando se por um acaso eu joguei saquinhos com urina na cruz, porque Jesus Amado…o que eu fiz de errado?

Eu, por dentro fiquei exatamente deste jeito quando ele mostrou ele e o namorado pelas ruas de Amsterdam…

E foi assim. Voltei para o trabalho #CHATEADA, contei a história para os miguxos e vou resumir numa imagem já repetida neste post, sobre o que eles acharam disto tudo:

Hahahahahhahahahahaha!Se fodeu!!!!!Fuuuuuuuuuu!

Como meu amigo Brunão diz, homem que é homem chega na mina coçando o saco e diz: “E aí mina, tamo aí nessas carne?”. Homem que chega e diz que gosta de ler, escreve, curte música de qualidade e não quer somente teu corpinho nu banhado no óleo de dendê, segundo ele, é apenas seu amiguinho gay, que vai fazer francesinha na sua unha aos finais de semana. o.O

E para encerrar esse abençoado e enorme post, vai a música cuja refrão eu fiquei na cabeça a semana toda e que deu parte do título desse post. Eu digo, esse mundo é ordinário, mas eu amo infinitamente tudo isso. Coloquei os outros vídeos inspiração também. C’est fini! C’est la vie !

Fluxograma

E o tema de hoje será: Fluxograma…MEU FUTURO NÃO MUITO DISTANTE

E hoje não vou vou ficar somente nos meus poemas horríveis, dignos do meme Bocage dizendo “Esses poema ficaro uma bosta”. Vou voltar para a prosa durante um tempo, porque faz tempo que tenho algumas coisas a serem publicadas neste formato. Navegando a toa(como sempre) no Facebook, eu encontrei a historinha acima da Mafalda. Nem preciso dizer que eu achei genial, e quase bati palmas para toda a ironia contida na história, obviamente fui obrigada a compartilhar. E isso me fez pensar muito, sobre aquilo que pensamos para o nosso futuro. Fiquei pensando neste tema o dia inteiro, limpando minha humilde kitnet escutando as músicas super-otimistas e fofinhas do Pain of Salvation (sarcasm detected my dear?)… É engraçado como a maioria das coisas que nós planejamos saem completamente diferentes. Um exemplo, eu já quis ser médica e trabalhar em IML e investigações criminais…coisa puramente C.S.I. Claro, analisando a historinha da Mafalda, nos deparamos com aquelas coisinhas dignas de um conto de fada modificado (para bons entendedores, sabe-se que os contos de fada não são nada daquilo na real), e infelizmente(ou seria…felizmente?) ainda existem pessoas que acreditam que vão ser felizes e bonitas para sempre, ao lado do homem/mulher perfeita, com muito dinheiro e filhinhos lindos, asseados e que nunca pegarão resfriado, porque a mamãe perfeita não quer limpar nariz melequento de criança birrenta. No meu atual fluxograma a única coisa que eu quero mesmo é quando eu tiver uma casa que não seja uma kitnet minúscula, eu queria um atelier e uma biblioteca separada. A casa pode ter apenas um quarto, cozinha, banheiro, sala, mas terá que ter um espaço para as minhas tranqueiras e livros…muitos livros. E um cachorro, e um gato para que eu possa rir das desavenças entre eles e também pelo fato de eu amar animais, sempre gostei de bichos, e eu posso dizer que com certeza eles fazem parte do meu fluxograma. E para não falarem que eu sou um ser cruel e sem coração, um homem que me ature e me ame do jeito que eu sou, não precisa me dar jóias, não precisa ter carro, pode ser pobre igual eu, mas que me aceite do jeito que eu sou, com todos os meus defeitos e minha chatice, e que aceite meu Amor também, porque afinal eu quero Amar e não ter um gigolô ao meu lado para me dar doses de amor, carinho, sexo e compreensão, afinal, a idéia de homem-objeto só é legal quando o homem para chamar de seu diz: “Meu bem, hoje quem manda é você”, mas quando o assunto é gigolô por uma noite, não fica legal, porque afinal, para usar e abusar de um homem, você tem que conhecê-lo, enfim, é o que eu penso, na real, quem me conhece, sabe que eu não costumo me aventurar em sexo casual, e muito menos sexo pago, talvez algum dia eu mude de idéia…ahhahahahahahahaha. Bem, a situação nesse caso(relacionamento) é difícil, pois nesse mundinho mundano, é difícil encontrar alguém que não queira apenas te comer como um pedaço de picanha com gordurinha, e quando você encontra aquela pessoa que está configurada de acordo com todas as suas condições normais de temperatura e pressão, para gerar cálculos amorosos-sexuais-apaixonantes de extrema precisão, aquela que você acha que vale a pena, que tem um pouco de cérebro e que entende as coisas que você faz ou diz, a pessoa é mais complicada que cálculo diferencial com trigonometria ou métodos de cálculo para equações sem solução(meu pesadelo na faculdade), digamos que a pessoa é um número imaginário na sua vida, ela está lá, mas ao mesmo tempo não está, então você se conforma, chora as mágoas e torce para que o infeliz nunca seja feliz com alguém sem ser você (muahahhahahahahahaa!!!!VINGANÇAAAAA)…Bem não é assim, isso foi uma piada-pretexto para que eu possa usar a “onomatopeia da vingança”(muahhhaahahaha), mas eu acho engraçada e inútil essa coisa ridícula de vingar o Amor que não deu certo, essa coisa de por o nome do infeliz na boca do sapo porque você não teve feromônios suficientes para atraí-lo. Mas voltando, quando isso acontece, quando você gosta da desgraçada da pessoa complicada, e ela te ignora, se você for besta igual eu, pode até acreditar que um dia, talvez, quem sabe, num futuro não muito distante essa pessoa te enxergue, enquanto isso, toca a vida para frente, até trombar(eu não procuro, eu tropeço nesses tipos de pessoas) com uma pessoa igual ou mais complicada ainda ou um perfeito idiota porque você não espera mais nada dessa vida(eu ainda não cheguei neste ponto, espero nunca chegar nisso). Mas na verdade eu queria apenas pensar: FODA-SE ESSA MERDA…FODA-SE VOCÊ, mas não é bem assim que funciona, e como eu falei, eu sou um ser besta, então eu mereço isso mesmo. Nessas situações, apenas o Tempo pode curar, fazer o quê?Isso é parte do meu fluxograma-amoroso: gostar de pessoas complicadas, o que é bom, porque quando você tem tendência a gostar de pessoas complicadas, você aceita melhor os defeitos, até porque o fato da pessoa ser complicada é porque o gênio dela…digamos, não é dos mais fáceis de se lidar. Isso é explicado em psicologia. Mulheres buscam homens que se assemelhem a sua figura paterna, e homem, na figura materna. Meu pai é de gênio difícil…sendo assim, FREUD EXPLICA!!!Enquanto tem várias pessoas de fácil acesso a seu dispor, que você não precisa fazer esforço nenhum para tentar entender, eu sou uma pessoa que nem Freud explica, por isso eu quero quem não me quer. E quero aquele “boy magia”(adoro esse termo), leonino, genioso, adorável, inteligente, difícil, meu inferno astral(eu não acredito em horóscopo),complicado, aquele meus amigos mais próximos dizem que deve ser uma bichona, MF(SIGLA PARA “Morde Fronha”): “mas Ana, você é linda, inteligente, qualquer um já teria sucumbido, ele deve ser MF e está com medo de sair do armário”, e então todo mundo ri da minha cara e eu entro na brincadeira: “Ana, você ainda gosta daquele viado?”, “Sim, eu amo aquela bichona, uiiiiiiiiii”, “Ana, seu amor é platônico!”, “É, pois é…concordo contigo…mas foda-se essa merda, o Amor é meu, e eu curto Platão, ele era da hora!”. Essa é uma qualidade minha: tenho muito senso de humor, e aprecio Humor-Negro, sarcasmo, ironia…eu também não tenho um gênio muito fácil, mas fora isso sou uma mulher simples e afável na grande maioria das vezes.
Bom o fluxograma parte 1 é: uma casa com espaço para biblioteca particular e um cantinho para sujar de tinta e fazer coisas malucas. Esses dias, eu comentei que gostaria de viver de arte. Acho sensacional, de verdade, eu já fiz minhas coisinhas, sempre gostei de desenhar, me sujar de tinta, mesmo que eu não tenha lá tanto talento. Nessa semana, eu comprei papel especial e lápis para desenho artístico. Estou sem desenhar há 1 ano meio, desde que eu fiquei gorda e ferrada dos rins, com insuficiência renal(uma doencinha de nome muito bonito: Nefrite Intersticial Aguda), internada 2 semanas e meia no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Lá tinha um programa social que era uma sala para os pacientes terem momentos de lazer. Me lembro até hoje, eu cheia dos soros pendurados, gorda, desenhando, enquanto uns tricotavam, outro rapaz com uma bolsa de colostomia jogava videogame…Desenhar, não era uma coisa que eu fazia bem, mas digamos que dava para o gasto e as pessoas diziam que eu desenhava bem(porque elas não devem ter conhecido uma pessoa que de fato desenhava bem). Eu penso, algum dia, estudar Artes Visuais, mas é aquela coisa, que eu comentei, se eu tivesse escolhido Artes, ao invés de Análise de Sistemas, eu poderia estar passando fome. É uma situação tragicômica, mas eu escuto isso das pessoas que fazem cursos legais. Tenho um amigo que é filósofo, muito inteligente, mas ele diz que só não passa fome porque os pais ajudam ele. Definitivamente, cursos legais não dão dinheiro. Eu gosto de História, Filosofia, Letras, Artes…mas…é complicado né, e como fica o “leitinho das criança”? Sendo assim, outra parte do meu fluxograma, era fazer um curso legal, que eu realmente gostasse. Muitas vezes, quando eu vou numa livraria e fico namorando aqueles livros lindos, cheirosos e absurdamente caros de História da Arte, as pessoas me perguntam se eu estudo Arte. Então eu digo, “Eu sou Analista de Sistemas na verdade…”, então a pessoa faz cara de espanto e deduz que eu quero comprar algo pra dar de presente para alguém, elas não se convencem que aquilo é pra mim, porque afinal eu sou Analista de Sistemas e a coisa mais artística que eu deveria me aproximar, dado a estereótipos, seria a sessão de quadrinhos…
Outra coisa no meu fluxograma, são viagens. Eu ainda pretendo fazer minha viagem para Europa, mesmo que seja sozinha, afinal, estou me virando bem na solidão. As pessoas, cada vez mais eu vejo que elas não sabem lidar com a solidão. Todo mês eu vou dar uma voltinha sozinha. Ando fazendo muito disso ultimamente. Antigamente eu era uma pessoa que só saia para os lugares se alguém fosse junto, pois eu não queria que as pessoas achassem que eu era uma garota sozinha e triste. Sendo assim, este ano, depois da minha reviravolta, um dos motivos por ter escolhido morar sozinha, ao invés de dividir um espaço com alguém, foi a oportunidade de me conhecer. Existe aquela frase: “Conhece a Ti mesmo?”, e desde então eu descobri que boa parte dessa minha pessoinha era desconhecida e que muitas coisas eu deixava ocultas por vergonha, ou medo de que me interpretassem mal. Eu tenho agora aquele meu momento de paz, eu, meus livros, chá a todo momento, eu posso pendurar as coisas pela parede, posso andar pelada ou seminua, posso espalhar meus livros pela cama, posso cantar no chuveiro sem acharem que eu sou louca, posso escrever meus poemas e pendurá-los na parede para ficar lendo ao longo do dia e decidir se publico ou não(eu sempre publico, por mais péssimo que tenham ficado, afinal, FODA-SE ESSA MERDA), se eu quiser passar o dia na Lagoa do Taquaral, no gramado, observando o cotidiano das pessoas e fazendo anotações ridículas para um dia sair algum texto bom dessa merda toda, ou simplesmente ler um livro embaixo de uma árvore, enfim, eu peguei esses 6 meses de solidão para me conhecer e nunca me senti tão a flor da pele, sendo que foram 3 meses morando com meus pais e 3 meses na minha kitnet, onde estou agora, embaixo das cobertas tomando um chá de camomila. Até minha mãe disse que eu mudei, como pessoa, ela diz que eu fiquei mais sensata e madura. Considero que eu deixei aquela garotinha medrosa para trás, hoje sou mulher o suficiente para admitir meus erros, não negar mais sentimentos(mesmo que seja platônico), hoje eu posso pegar uma mochila e sair por aí sem rumo, com todo o meu “não senso” de direção, mas ainda vou bem em Geografia. E é aí que o Velho Continente entra. Qualquer dia farei um mochilão pela Europa, ver “O Jardim das Delícias” no museu do Prado, em Madri, conhecer Praga, Amsterdam, Berlim, Lisboa, Andorra, toda a região da Andaluzia, Paris, Londres, Dublin…lógico que acredito que não dê para fazer isso numa viagem só, mas é algo que tenho em mente. Claro que nas minha atuais condições financeiras, não vai ser algo a se fazer nas próximas férias(nas próximas férias, pretendo ir para o Chile e Argentina). Outra coisa que eu quero fazer é ir para algum retiro espiritual onde se pratique a arte do silêncio. Tem um em Nazaré Paulista. Nesses retiros, você não pode falar absolutamente nada, você conversa apenas com os olhos e gestos. Tendo em vista que eu sou mulher, e como mulher, eu falo mais que a média, tendo em vista que tenha hiperatividade, tomo essa viagem espiritual algo como incrivelmente desafiador. Essa viagem é algo que pretendo fazer até o final deste ano. E esta viagem vai ganhar um post todo especial.

Resumindo, se eu fizesse um fluxograma para minha vida, eu entendo isso como uma espécie de modelagem, um planejamento. Eu creio que o que eu quero não é nada demais, nada absurdo. Eu cansei de fazer grandes planos, na verdade, nunca tive grandes planos, que eu quisesse tanto levar pra frente. Na maioria das vezes, eu desistia alguns dias ou meses depois. Mas hoje, com uma mente mais sensata, eu consigo planejar um fluxograma possível, que vou jogar dentro de um poema que provavelmente vai ficar uma bosta, mas como eu sempre digo: “FODA-SE ESSA MERDA”

Eu gostaria de ter uma casa, uma casa simples,
Não necessariamente num lugar bucólico, surreal,
Pode ser no caos de uma metrópole, eu não me importo,
Quero um canto só meu, para minha paz de espírito,
E nas tardes chuvosas eu posso me sentar num velho sofá,
Depois de puxar um livro velho e cheiroso da estante,
Eu posso viajar longe em páginas e páginas de emoções.
Eu olho o cachorro a dormir e os olhos brilhantes do gato,
A brincar com um velho papel de um rabisco em giz carvão.

E parado na janela eu lhe vejo observar a chuva lá fora,
Eu poderia lhe perguntar o que você pensa, mas eu apenas te observo,
E então eu poderia me lembrar o quanto eu amo e odeio seu silêncio,
Mas um dia eu fiz uma viagem, num lugar no alto da serra,
Enquanto eu esperava entender as minhas dores e meu amor não correspondido,
Foi neste lugar que eu aprendi a conversar com os olhos,
Então você olha pra mim, e me dá um sorriso, como se quisesse me dizer,
“Desculpe eu sou um chato”, e eu dou risada como se eu nunca soubesse disso,
E então eu te olho de novo, e verás que meus olhos lhe dirão: “Seu Tolo”

E eu lhe perguntarei, se eu já lhe contei alguma vez,
Que eu estava a andar de bicicleta nas ruas de Amsterdam,
Minha bicicleta tinha uma cestinha de tulipas que eu comprei de mercador de flores,
E então eu me empolguei e quis conhecer ruas e mais ruas, e me perdi em Amsterdam,
Então eu fiquei com medo, pois estava escurecendo e eu não sabia onde estava,
E então você me dirá: “Eu te disse para tomar cuidado, mas você é teimosa”,
E então vamos rir, como duas crianças e nos amar como adultos,
Uma vida simples, num lugar simples…um amor simples.

Ficou uma bosta, mas foda-se essa merda!!hahahahahahahahahaha