Quando eu era menina…

Seu eu morrer muito novo, ouçam isto: Nunca fui senão uma criança que brincava. (Alberto Caeiro)

Eu me lembro como se fosse hoje, a rua cheia de crianças. A velha rua sem saída que tinha a poucos passos de minha casa. Naquela época, ao menos, assim eu penso, analisando os dias de hoje, cerca de 18 anos depois, aqueles tempos era seguro brincar nas ruas, mesmo aquelas que tinham saída. Pode ser que no meu olhar de criança, eu não enxergava a maldade. Não existe nada mais belo que o olhar inocente de uma criança. Existe apenas a consciência do querer brincar pra sempre, de nossas mães ou aqueles que cuidam de nós, de nunca alcançarem o portão de casa e nos chamar porque estava entardecendo. Talvez este fosse o momento mais triste do dia. Quando eu era criança, eu não almejava o entardecer, quando ele chegava eu sabia de alguma forma muito simplista de que teria de me despedir de outras crianças e entrar para casa. Hoje, adulta, eu almejo os entardeceres, pois sei que minha jornada de trabalho está chegando ao fim e que eu posso chegar em casa, tomar um banho e relaxar. O mais engraçado é que quando éramos crianças, queríamos ser adultos. Esta é a coisa mais besta que uma criança possa querer. Eu falo aos meus irmãos menores que eles nunca devem ter pressa de querer ser adultos.

E a rua sem saída e demais ruas ao entorno era um palco de sorrisos e brincadeiras. Naquela época as crianças ainda fabricavam suas próprias pipas, e corriam para buscar as que caiam no céu. Dias atrás fui num churrasco com os amigos em um bairro da periferia. Lá pude ver as pipas no céu. Me trouxe uma lembrança doce dos meus tempos de criança. Estávamos na calçada com nossas “bebidas de adulto” e cigarros que já não eram de chocolate. Um menino desceu correndo atrás da pipa que foi derrotada. E quando ele subiu novamente e passou por nós, parabenizamos a criança: “Ehhhhhhhhhhhh!” e então o menino abriu um sorriso e levantou a pipa em sinal de vitória. Fazia tanto tempo que eu não via isso, e então pensei o quanto estou ficando velha ranzinza em um bairro de metrópole onde as crianças das famílias que existem por aqui brincam trancafiadas em casa com seus videogames, tablets, carrinhos de controle remoto. Não existem mais brincadeiras na rua. Não vejo mais carrinhos de rolimã, meninos soltando pião, rodinha de crianças jogando bafo ou bolinhas de gude. Como costumo dizer, as brincadeiras hoje se transmutam em divertimentos eletrônicos sem nenhum contato com o que existe real. Antes eu brincava na terra. Hoje uma criança dificilmente brinca na terra, talvez a única terra que elas “tocam” são as dos canteiros do Farmville.

Lembro-me que eu sentava na soleira da calçada e via os meninos descendo a mil nos carrinhos de rolimã. Às vezes um se ralava todo e a mãe saia correndo preocupada. Ficavam alguns dias de castigo e depois voltava, com um carrinho de rolimã novo. E não era só isso que tinha pelas ruas. Na rua de casa, tinham jogos de amarelinha desenhados no asfalto. Eu me lembro de que nós roubávamos giz colorido da escola para poder desenhá-las no chão. O céu era feito com giz azul, o inferno com giz vermelho, e os números, obviamente com giz amarelo. E pegávamos pedras da rua para jogar. Lembro-me o quanto era difícil acertar o número 10, mas as crianças que chegavam até o final da amarelinha, tinham o dia ganho. E as tardes semanais e finais de semana eram recheadas de pega-pega, pique-esconde, pula corda… Eu era muito ruim em pular corda. Ficava frustrada por ser desengonçada. Mas mandava bem nos patins. Um dia peguei uma ladeira e me arrebentei porque uma pedra apareceu no meio do caminho, e não deu tempo de desviar, foi a única vez que eu me arrebentei nos patins. Eu pulava, fazia manobras, coisa de criança doida mesmo. Carrego em meus joelhos e cotovelos as marcas da queda. No dia chorei, hoje dou risada. Lembro-me de que naquela época merthiolate tinha álcool. E ele era o terror das crianças travessas, o terror dos que andavam de bicicleta, patins e rolimã. Jogar futebol e chutar o chão ao invés da bola era lágrima certeira. Nada era mais terrível que o merthiolate, as crianças queriam voltar para suas casas com roupas imundas e pés sujos, mas não queriam voltar cedo e encarar aquele vidrinho daquele “negócio que ardia”.

Tinham as lendas que contavam para as crianças. Nunca me esqueço do homem do saco. O homem do saco era o terror para as crianças cujos pais as educavam para ficarem sempre por perto de casa ou dos pais durante os passeios. Um dia, fui à feira com minha mãe e me perdi dela para comprar pastel. Achei que fosse encontrá-la e me enganei. Então fiquei esperando na banca de pastel. Ela me encontrou e me deu o sermão do velho do saco. Quando chegamos ao portão de casa, um velho com um saco nas costas estava descendo a rua, e ele olhou pra mim e disse: “Que criança linda! Quer ir embora comigo?”. Então corri pra dentro de casa, e fiquei anos acreditando que o homem do saco existia, e tinha certo medo de ir pra escola sozinha e encontrar o velho, e ele me pegar à força e colocar dentro do saco. Eu acreditava mais no velho do saco do que em papai noel. Sempre soube que o papai noel era meu tio, mas o homem do saco não, ele existia e não era o papai noel, era um homem velho que sequestrava as crianças e depois as comia ou vendia.

Além do velho do saco, tinha o velho do muro… O velho do muro era um tio de um menininho que estudava na mesma escola que eu. Ele sempre ficava até altas horas no muro da casa dele, apenas com a cabeça aparecendo. Era um muro alto. Fiquei sabendo da real causa da aparência dele, anos depois, quando adulta. Eu tinha medo dele. Ele era um senhor de idade muito pálido, com covas profundas no rosto e sem nenhum cabelo, completamente careca. Quando a noite chegava e nas vezes que iá com meu irmão comprar tortuguitas na vendinha, ele estava lá, espiando a vida por cima do muro. E as luzes das luminárias de rua davam mais ênfase a palidez dele. E eu sempre dizia que não gostava do velho do muro. Um dia minha mãe me perguntava por que eu não gostava dele. Eu respondi a ela que era porque nunca tinha visto uma expressão tão triste em alguém. Eu não conhecia muito a tristeza até os meus 8 anos, quando tudo era teoricamente normal em minha vida. Aquele velho foi meu primeiro encontro com a expressão de tristeza no rosto de alguém. Dos meus oito anos em diante, descobri a tristeza em meu próprio olhar. Mas daí já é uma longa e talvez desnecessária história, ainda com dores não curadas, talvez alguns meses de terapia me ajudem. Mas só posso dizer que sei na pele o que é não saber conviver na mesma esfera de compreensão de uma criança.

Vocês dizem: “Cansa-nos ter de conviver com as crianças”. Tem razão. Vocês dizem ainda: “Cansa-nos porque precisamos descer ao seu nível de compreensão”. Descer. Rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado. Estão equivocados. Não é isso que nos cansa, e sim o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível de sentimentos das crianças. Elevar-nos, subir, ficar nas pontas dos pés, estender a mão. Para não machucá-los. (Janusz Korczak)

Eu tive um namoradinho na infância. Eu inclusive já falei dele. Chamava-se André Luis. Era um menino que me escrevia cartinhas de amor com as canetas coloridas da irmãzinha. Já escrevi aqui também que um dia eu e ele encontramos uma pomba no chão, e ignorantes das certezas da vida, achávamos que ela “dormia” na calçada. Depois, descobrimos que era apenas uma pomba morta com vermes devorando as entranhas. Mas ela estava ali, no meio da calçada, como se tivesse feito um ninho. E eu me lembro daquele momento até hoje, e do cheiro das balas de doce de leite de Andre Luis, e do momento que eu chorava inconformada por causa de um pássaro morto, e ele simplesmente me deu a mão e fomos de mãos dadas até o portão de casa. Ele me deu um beijinho no rosto. Era um beijo melado, com cheiro e sabor de doce de leite. Hoje, quando vejo aquelas balas quadradas de doce de leite, lembro-me de André Luis, e seu cabelo loiro tigelinha. Ele tinha os olhos quase claros, de um castanho esverdeado. Era uma linda criança. Eu acho que eu era uma criança bonita também, os meninos do jardim me davam flores, mas André Luis foi o único a quem eu andei de mãos dadas naquela época. E o mais engraçado é que eu via os adultos se beijando na boca e tinha nojo daquilo. E comentava com André que ele não faria aquilo. E ele dizia: “Blergh, não… É nojento”. E ficávamos somente nos beijinhos de despedida e nas cartas inocentes com letras tortas, reféns de cadernos de caligrafia. Não posso dizer, (ou posso?), que eu vivenciei um amor na sua esfera mais pura, mas não sei dizer, 17 anos depois, se aquilo foi amor. Foi uma história de infância, cheia de timidez e risinhos. Era como um amigo com algo a mais. Eu e André Luis dividíamos o lanche, contávamos nossos segredos um ao outro, e, sobretudo, andávamos de mãos dadas, e eu acreditava que por ele estar comigo, estaríamos protegidos do homem do saco. Quando descia a rua de mãos dadas com André, eu nem me lembrava do “Velho do Muro” e sua fisionomia triste. Descobri muitos anos depois que aquele velho na verdade não era um velho. Era um homem de quarenta e poucos anos que sofria de câncer. Quando ele morreu, eu em minha consciência de criança, eu achava apenas que ele tinha enjoado de ficar ali. Descobri que as coisas e pessoas morrem quando vi a pomba morta no chão. E chorei dias seguidos com medo de perder alguém próximo. Os adultos me confortavam dizendo que as pessoas que morrem vão para um lugar bonito, onde não existia tristeza e demais coisas ruins. No ano passado confortei meu irmão menor que chorou dias e dias a morte de um amigo de minha família que vendia pastel na rodoviária e que por costume íamos até o trailer dele toda sexta-feira. Meu irmãozinho aguardava ansiosamente a “Sexta-feira do pastel”. E teve um dia que a pastelaria nunca mais abriu. O Senhor dos Pastéis foi executado cruelmente. Amarrado, colocaram-no de joelhos e deram-lhe um tiro na nuca. Tudo por causa de uma furadeira, uma televisão e cerca de quinhentos reais. E a notícia correu quatro cantos. Meu irmão viu a foto tirada ao longe do corpo sem vida do seu amigo pasteleiro jogado no canavial. Foi vítima do sensacionalismo barato. Ele chorou nos meus ombros. A Morte pra ele foi mais traumática. O meu primeiro encontro com ela foi através de um pássaro no meio da calçada, mas ele passou para um degrau filosófico muito mais pesado que aquele que eu passei. Ele em tenra idade passou a questionar quanto vale a vida… E ficava triste pelos cantos, até que o Tempo lhe curou as dores…

Quando eu era menina, e ficava triste pelos cantos, eu subia no telhado de casa. A vida era incrível lá em cima. Isso passou a ser corriqueiro na época em que eu me tornei uma criança triste, fragilizada emocionalmente. Era em cima do telhado que eu encontrava minha paz que tanto me fazia falta. Eu era feliz quando meu irmão Ricardo ia me visitar, e nós íamos ao cinema, escutávamos música, ou quando ele me levava para brincar em piscinas de bolinhas ou carrinhos bate-bate. Ele sabia que eu passei a ser uma criança sozinha em um mundo de adultos estressados, deprimidos e alguns deles, opressores. Quando ele não estava lá, eu ficava no telhado. Escondida, sim, escondida. Porque as pessoas passavam sempre olhando em frente ou olhando para o chão. Nenhuma delas olhava pra cima para ver o quanto o céu estava bonito, ou o bem-te-vi que sempre cantava em galhos nas árvores da minha rua. Outra alegria que eu tinha era levar minhas cachorras para passear. Ver a alegria delas cheirando pequenos canteiros e chegarem cansadas em casa era uma forma de eu ficar feliz. Um dia minha cadela Gabi, já velhinha, talvez ciente de sua morte, fugiu. Dizem que os cães sabem quando vão morrer, e alguns deles se afastam dos donos para evitar que eles sofram. Todos os meus bichinhos sabiam quando eu estava magoada. Eles deitavam ao meu lado e não saiam, e os mais novos faziam graça para tentar me fazer rir. E de certa forma, funcionava. Hoje, sinto falta de ter um cão. O amor dos animais é incondicional. Um amigo me disse que eles são mais humanos do que aqueles que recebem essa alcunha. Falam que o Homem é ser-HUMANO… Tenho minhas dúvidas. A criança sim, esta é um ser humano. Um ser em perfeição, tão incompreendido. Não penso em ter filhos, não agora. Penso que o mundo é cruel demais para seres tão perfeitos conviverem. E então eu pensei se ainda podemos oferecer para as crianças um mundo mais bonito. Mas o problema não está em nós, está ao redor. O que podemos fazer? Mantê-las em redoma de vidro? No momento sou egoísta o suficiente para apenas eu sofrer com as dores e intempéries do mundo, a ponto de querer ter de volta a inocência que eu tinha anos atrás. Eu era apenas uma menininha banguela, magrela que sorria brincando em balanços. Muitas vezes eu sonho com essa época, com as crianças que eu brincava, com André Luis… Um lapso momentâneo daquilo que perdemos ao passar dos tempos. Mas quando eu acordo, vejo que estou de volto para aquilo que corresponde à minha realidade. Hoje, não vejo mais crianças nas ruas. Não mais como antigamente… Não mais… Ser adulto é tão chato!

Lembro-me que eu usava polainas, sonhava em ser bailarina. Meu pai tinha me presenteado com um porta-joias que quando dava-se corda, a bailarina dançava. Então, eu sempre dava corda, e tentava fazer igual. Ao fim eu nunca me tornei bailarina, nem médica, nem toquei violino, nem astronauta... Não fui nada que eu sonhava quando criança. Mas eu sinto que essa menininha aí da foto nunca me abandonou...
Lembro-me que eu usava polainas, sonhava em ser bailarina. Meu pai tinha me presenteado com um porta-joias que quando dava-se corda, a bailarina dançava. Então, eu sempre dava corda, e tentava fazer igual. Ao fim eu nunca me tornei bailarina, nem médica, nem toquei violino, nem astronauta… Não fui nada que eu sonhava quando criança. Mas eu sinto que essa menininha aí da foto nunca me abandonou…

Epifania: Clarabella.

Clarabella acordou numa manhã disposta a arrumar a casa. Na verdade, ela fazia isso quando se sentia magoada, o ato de se reorganizar era uma forma de colocar sua alma tão aturdida em uma paz teleguiada. Era como se ao limpar o chão, varreria do porão da memória toda a angústia que a atormenta. Começou pelo quarto, arrumando a cama, com os lençóis cheios de vincos, lembrança de uma noite que tentou sem sucesso ter algum pingo de amor do marido. Ele chegou tarde e cansado, ela preparou-lhe um jantar e o aguardava apenas de lingerie. Passou o fim de tarde toda preparando um assado, ele olhou, comeu um pouco apenas para não vê-la triste. Dizia-se cansado, o trabalho estava massacrando-o e ele se sentia estilhaçado. Tomou um banho, deitou na cama, dormiu. E ela então colocou seu velho pijama confortável para dormir, mas havia perdido o sono, e quando ela ficava magoada, sentia fome. Fez um prato de comida, e foi para o sofá, carregando todo o peso dos estilhaços, uma tristeza vítrea. Se ao menos, ela pudesse ter alguém para reconstruir-lhe sua alma já tão minimizada, talvez um artista conseguisse enxergar a beleza dela, e faria um vitral com o Amor que ela tão esperançosa acreditava. Ali, naquele sofá da sala, assistindo filme romântico de fim de noite, estava uma mulher adormeceu com o controle remoto em cima do peito, subindo e descendo conforme respirava, e nos sonhos , ela vivia em um mundo menos mesquinho e cheio de noites de Amor. Não culpava o marido, apenas não sentia aquele amor todo que sempre almejava. Tentava amar aquele que sempre lhe ofereceu a mão, que esteve ao lado dela nas dores da vida, mas faltava algo.

Na limpeza do quarto, encontrou um velho baú ao qual guardava suas memórias. Fazia um tempo que ela não o abria, pois quando ela fazia isso, uma saudade da época em que não tinhas tantas obrigações, invasões de tal forma que ela passava a relembrar o passado com olhos perdidos, e uma espécie de torpor causado pela saudade, fazia desligar-se do mundinho real, inserido naquele contexto ao qual ela não almejou.

Dentro do baú ela encontrou a doçura e a inocência de seus tempos de criança. Havia uma boneca que ela carregava para todos os cantos. Ela dizia que era sua filha. E ali, naquele momento, Clarabella, já adulta, experiente e de olhos ainda desacostumados com as provas que a vida escancarava na sua janela,  sabia que o mundo é egoísta e destruidor de sonhos, mas ela não desistia, era uma Dom Quixote de saias, sempre lutando com seus moinhos de ventos transmutados em dragões. Naquele momento, com a boneca nos braços, começou a balançá-la enquanto murmurava uma canção de ninar:

“Dorme, dorme menininha…Eu estou aqui…

Vá sonhar, ainda é tempo, menininha

Vá, vá dormir…Sonha sonhos cor de rosa

Passeia no céu e no mar

Apanha o mundo no teu sonho, menininha

E não deixa ninguém roubar…

Olha, não reparta com ninguém os teus sonhos de menina

Dorme, dorme…Dorme e sonha menininha

Sonha, é tempo ainda…”

 

Naqueles braços, a boneca lhe trouxe as memórias do sonho de ter uma filha. O nome da boneca era Sophia, e ali, agarrada, sentada ao chão em frente de seu baú de memórias, olhou para o relógio e viu que as horas estavam paradas, ignorou o fato de ser apenas um relógio com pilhas mortas, e em um esconderijo de fundo falso no guarda-roupa, as roupas de recém-nascido que compra todo mês, um sonho antigo, eterno. Era ali seu segredo, ela queria uma criança, mas o marido não. Ela queria um pedaço dela nos braços, mesmo que não tenha ali, o DNA de seu amor verdadeiro, um homem que conheceu há anos, e nas idas e vindas de um amor já antigo, a vida lhe deu soco no estômago que lhe impossibilita de viver aquele Amor.

Olhando para a boneca Sophia, apaixonada pelo gesto de ternura, pelo sonho de ser mãe, ficou preocupada, achando que seria daquelas mulheres presas dentro de um hospício, falando sozinha, no canto de uma cela, com uma boneca no colo e injeções diárias de antidepressivos. Passaria o dia dormindo, sonhando com uma criança correndo entre os irrigadores do jardim. Então, rapidamente guardou a boneca, e as roupas de bebê no fundo falso perfumado com sachê de rosas. Sentou na beira da cama, e com o rosto entre mãos, derrubou lágrimas tristes e convictas de que nunca conseguiria ser mãe.

Foi numa tarde de domingo, que numa caminhada para aliviar a tensão, encontrou uma linda cadelinha numa feira de adoção. Levou-a pra casa, colocou uma fita vermelha no pescoço, e presilhinhas nas orelhas. A cadelinha agradeceu o carinho lambendo-lhe o rosto e adormecendo nos braços de Clarabella. E ali teve uma epifania, e o mundo não parecia mais tão egoísta.

“Se alguém disser pra você não cantar
Deixar teu sonho ali pr’uma outra hora
Que a segurança exige medo
Que quem tem medo Deus adora

Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora
Que você volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora…

Eu quero ser feliz Agora

Se alguém vier com papo perigoso de dizer que é preciso paciência pra viver.
Que andando ali quieto
Comportado, limitado
Só coitado, você não vai se perder
Que manso imitando uma boiada, você vai boca fechada pro curral sem merecer
Que Deus só manda ajuda a quem se ferra, e quando o guarda-chuva emperra certamente vai chover.
Se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora.
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela…

Eu quero ser feliz agora

Se alguém disser pra você não cantar
Deixar teu sonho ali pr’uma outra hora
Que a segurança exige medo
E que quem tem medo deus adora

Se alguém disser pra você não dançar
E que nessa festa você tá de fora
Que volte pro rebanho.

Não acredite, grite, sem demora…

Eu quero ser feliz Agora”

PS: Os trechos em aspas são músicas do Oswaldo Montenegro. 😀

Tal como o vinho, parte I

Chegou de mansinho com olhos mansos e misteriosos, deixei-me levar,
E como uma garrafa de vinho, deitei minhas emoções noite a fora,
Deslizei na noite de um prazer que me tira a razão, um gemido na madrugada,
O hálito do vinho na minha boca é um pedaço teu que ficou em mim,
As linhas aqui escritas é toda minha eloquência talvez muda, surda, cega,
Minha eloquência convidando para beber um gole etílico de minhas emoções,
Aproxime-se, pegue sua taça, brinde comigo e vamos fazer Amor, ou Sexo,
Como quiser, quando quiser, basta chegar, abrir a porta e me convidar pra entrar…De novo.

 

Noite de sexta-feira, as emoções de uma noite embriagada me arrepiando os pelos da nuca. O calor daquela bebida fazendo-me suar, por dentro, por fora, por todos os poros da minha pele, transcende, transmuta o dia em que eu amaldiçoei minhas convicções, e a perda do medo de arriscar. Deveria ter continuado com minha alma tão pessimista e escondida de emoções, quietinha no meu canto, mas eu permito-me entrar na minha teimosia que eu interrompi há tantos meses. Estava eu lá, quieta, mas algo me dizia para dar a cara para bater. Fui e ofereço as duas faces. Cansei de esconder-me no véu dos sentimentos escondidos, meu rosto em carne viva viciou na arte de se espancar pela vida. Aqueles que vivem, com o rosto e alma sem cicatriz alguma, não tiveram Vida alguma, são seres mesquinhos e inanimados, bonecos fantoches controlados por Parcas mal humoradas de TPM, num momento sem criatividade.

Eu tinha uma fotografia na parede de meu quarto, no auge dos meus 16 anos, e nela dizia que não se vive sem correr riscos, e eu protegia-me naquela redoma, com meus cadernos de textos, poesias, escondidos no fundo do armário. Eu era uma fortaleza, uma rocha, eu repelia quem se aproximasse. Eu não tinha tempo nem paciência para coisas de amor, sexo e tudo mais. Nem no mundo tão insano e doentio de boa parte de meus livros que povoaram meus questionamentos juvenis, questões de Amor e declarações soavam-me como bonitos e irreais contos da carochinha. Eu dizia que jamais cairia naquelas armadilhas, que seria daquelas mulheres bem sucedidas com um cachorro deitado aos pés da cama, e que eu sairia todas as manhãs para passear com ele no parque, antes de trabalhar. Eu tomaria um bom vinho e escutaria um blues triste ao chegar cansada do trabalho, que eu faria o que bem entender. Mas aos poucos, fui conhecendo o círculo viciante e perigoso do coração. Digo coração, porque nessas horas, o nosso cérebro é o que menos funciona. Tento quase o tempo todo medir minha razão e minhas emoções numa balança. Queria que a Razão tivesse um peso infinitamente maior dos nossos sentimentos, emoções, talvez torpes. Mas então eu me perguntaria o tempo todo se eu me permiti ser feliz, nem que seja por poucas horas, poucos instantes. Mesmo que eu sinta uma saudade ao qual a magnitude do universo não seja capaz de medir, eu quero que a vida me espanque, e que eu dê um gemido gostoso de satisfação, mesmo com a face de tristeza, saudade que não consigo represar em poucas palavras ou um silêncio absoluto, eu deito em minha vida, e ela me devora, divinamente. Ela me DEVORA, assim, com letras maiúsculas.

 

Vou começar a prosa de hoje, citando o saudoso Renato Russo:

“Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo estou tentando me defender
Digam o que disserem O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição.”

Estamos aqui, no inverno, sendo mais exata, no fim dele, aliás, que raios de inverno foi esse?Estando frio ou não, o inverno é estação onde todos querem um pézinho para entrelaçar embaixo das cobertas. A estação em que os corpos se juntam para transmitir calor, mesmo o fato de sair pelado(a) das cobertas nesse frio não ser lá uma sensação muito agradável, mas dependendo do esforço efetuado nos exercícios inter-humanos (se é que vocês me entendem), não vai ser tão frio assim. Mas existem pessoas, tipo, eu e você, que talvez esteja sozinho também, que muitas vezes se coloca a pensar na solidão do mundo. Estamos todos esperando por afeição?Mas nós respeitamos os sentimentos um dos outros para termos afeição, ou somos muito mesquinhos?Coisas do coração humano, que muitas vezes não sabemos exatamente o porquê fazemos isso. Talvez, creio eu, por medo de se envolver e acabar de decepcionando. Nós temos muito medo da rejeição, das críticas, do fracasso, por isso muitas vezes deixamos as coisas para trás, sem explicação, por puro medo da rejeição. Sendo assim, nós ficamos arrogantes. Sim, o ser humano é muito mesquinho…

Cada um imerso na sua própria arrogância…

 

Ah…vida real! Como é que eu troco de canal?

Eu estava falando com um amigo muito querido, sobre essa questão de relacionamento. Quem me lê, quem me conhece, sabe que eu sou o tipo de pessoa que tem as entranhas para fora. Eu sou uma pessoas intensa, e isso muitas vezes assustam as pessoas. Eu tenho dificuldade de iniciar um relacionamento com uma pessoa, por n motivos.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro… Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo… Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol! Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música…

Eu sofro do “Mal de Snoopy” e você?

Estava lendo uma matéria sobre a solidão, onde um tal de John Cacioppo, filósofo e especialista no tema “Solidão” diz que as pessoas estão cada vez mais se acostumando com a idéia de que ser sozinho não é mais uma coisa tida como “vergonha”.

Ainda que o isolamento físico contribua para a sensação de solidão, ela é muito mais do que isso. Podemos estar casados, ter uma família numerosa ou estar no meio de uma multidão e, ainda assim, sentirmo-nos sozinhos. A solidão é uma condição psicológica caracterizada por uma profunda sensação de vazio. É um estado adverso que, do ponto de vista evolutivo, nos motiva a mudar – a procurar companhia. Assim a sensação de isolamento tem efeito semelhante ao da dor e ao da fome. O desconforto que a solidão provoca foi uma das forças que nos impeliram a procurar a vida gregária, a preservar o corpo social – imprescindível para a nossa sobrevivência e prosperidade. Nos primórdios da espécie humana, sobrevivemos apenas porque nos mantivemos em bando, o que garantia a proteção mútua.

Eu não sei definir, o que pode ser pior. Estarmos rodeados de pessoas ao redor, mas nos sentirmos sozinhos. Conheço muitas pessoas que são populares, vão para a balada todo final de semana, postam fotos cercadas de pessoas, mas reclamam que estão sozinhas, pois aquele monte de pessoas ao redor não as fazem sentir a pessoa mais completa do mundo, ou, nem precisa sentir-se a pessoa mais completa, até porque eu acredito que ninguém se sente completo. O ser humano nunca está contente, vai sempre precisar de algo, seja apenas mais sexo, mais amor, mais atenção, mais morangos com chocolates ou simplesmente mais uma ou duas caixas de Bis de limão. O meu caso em particular, não sou uma pessoa de muitos amigos, posso contar nos dedos aqueles que posso contar, aqueles que eu sei que ao lado deles não me sentiria sozinha. Nos finais de semana não costumo sair muito. Gosto de ficar em casa no meu canto, sair para caminhar, ler um bom livro, e é claro, escrever. Muitas vezes as pessoas me perguntam se isso não me incomoda, essa questão da solidão. Se eu disser que não, é óbvio que estarei mentindo. Muitas vezes me sinto absurdamente sozinha, contando apenas o barulho de meus passos numa caminhada solitária ao entardecer. Tenho meus momentos de crise de choro, meus momentos que quero socar a parede, mas quando estou assim, vou pro parque do Taquaral, e fico em um gramado ou embaixo de uma árvore, para pensar na vida. Isso me acalma. As pessoas me vêem sozinha ali, podem imaginar que eu sou uma pessoa triste, mas não, apenas sou uma pessoa tentando lidar comigo mesmo, nos meus momentos de fúria ou má compreensão por parte dos outros. Tudo seria perfeito, se todos compreendessem o vazio das pessoas, e talvez não vissem como frescura ou viessem com a clássica frase: “Mas tu é uma mulher(homem) tão bonito(a)!”, desde quando a beleza ou falta dela tem álibi quanto ao fato de nos sentirmos sozinhos?

Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Dizem que o mal do século é a solidão. O que fazemos para combater a solidão?Hoje eu acredito que o ser humano deve aprender a conviver com ela. Nós temos que aprender a conviver com nossa própria escuridão. Conheço inúmeras pessoas que pregam “Solteira sim, sozinha jamais”. Qual o problema nisso?As pessoas estão constantemente desesperadas em achar sua tampa de panela, mesmo que isso implique nessa frase tão ambígua, e bem discutível. A pessoa que sabe conviver bem consigo mesmo, não necessita trocar saliva com 10 caras ou 10 mulheres numa balada ou levar uma mulher pra cama todo final de semana. Isso é a maldita autoafirmação. Sozinha jamais…ok?Porque você faz isso?É o maldito medo da solidão. O ser humano é mesquinho, diz que não tem medo da solidão mas pega herpes de dezenas de bocas na balada pra não ser taxado de “forever alone”. Toda vez que eu ouço essa frase, “Solteira sim, sozinha jamais”, eu fico pensando o quanto nós somos hipócritas. Além da única certeza que temos nesta vida, o nosso maior temor, depois da Morte, é o medo de sermos aquelas pessoas sozinhas e frustradas que criam animais desenfreadamente, aquelas pessoas que a única coisa que sobrou, é o amor dos animais, pois eles não exigem nada em troca, ao contrário de nós, que estamos sempre esperando que o outro ofereça o lenço para assoarmos o nariz ou que estenda o casaco numa poça para passarmos, e muitas vezes, a pessoa faz isso por você, mas ele é somente o seu amiguinho legal, e o coitado ou coitada têm de ficar escutando seus elogios de “Nossa, seria tão bom se todos (as) homens (mulheres) fossem iguais a você” e as lamúrias de ter se envolvido com o cafajeste ou com a vadia dos peitos fartos e bunda perfeita, porém sem cérebro, que te coloca mais galhos que cabeça de cervo das montanhas. E ainda tem que aturar a pessoa falando que não existe homem ou mulher que preste, que mulher só pensa em dinheiro ou que homem não presta. Se você é uma pessoa que só se envolve com vadias ou com aquele cara bonitão e sem princípio que todo mundo sabe que só não come a sua mãe porque ela ainda não piscou pra ele, sinto muito, mas você não tem direito nenhum de reclamar. E nós, que nos respeitamos como pessoas, nós estamos perdendo nosso tempo, tendo medo, aquele medo da rejeição, da perda, do risco. Estamos sempre nos protegendo, tão mesquinhos, dentro de nossas esferas que tentamos em vão reproduzir um mundo perfeito, onde os riscos só ocorrem não por nossa culpa, mas sempre por conta de terceiros. E nós nos lamuriamos todo o tempo por não sermos correspondidos, mas nem ao mesmo tentamos dar uma chance para nosso sentimento. Todo mundo um dia já fracassou ou passará por uma situação que terminará um relacionamento e vai ter que colocar a vida em ordem novamente, e é incrível o quanto ficamos mais duros e rabugentos com nós mesmos, o medo da repetição, da separação, das lágrimas de retorno pra casa, pós-separação, a briga na justiça pelo divórcio. Estamos cada vez mais fadados a termos medo do fracasso e não nos arriscarmos mais. Estamos o tempo todo com medo de dizermos “Eu te amo”, por perda de adicionarmos mais um erro no nosso “livros dos dias, o livro dos nossos amores”.
Tem uma música, que eu ouvi infinitas e infinitas vezes hoje, é a belíssima “Eu preciso dizer que eu te amo”:

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

E pra terminar, vou colocar o porque nos sentimos sozinhos, e porque coloquei um trecho do Renato Russo no início:

Nós, eu, você, ele e ela, a imensa maioria dos bilhões de pessoas neste mundo, estamos o tempo todo tentando nos defender. Nos defender do quê?Nós sentimos medo, angústia, tristeza, temos medo de nossos dilemas e suas consequências, temos medo de amar e não dar certo. E assim, nós seguimos sorrindo pra todos, com nossa beleza e educação. Entendem? Aí está a nossa arrogância, pois estamos nos escondendo por trás de uma falsa felicidade, mas na verdade estamos esperando afeição e compreensão das pessoas, o tempo todo!Nós colocamos nosso sorriso estúpido e nossa cara de “tudo azul, tudo rosa, a mil maravilhas”, “made in paraguay”, ou “made in china”, se preferir, e o que nós fazemos?Nós esperamos que as pessoas ao nosso redor tenham a capacidade de entender nossos problemas, ou enxergar que não estamos bem, como se isso fosse a coisa mais fácil deste mundo. E aí está, meus amigos, o nosso cinismo: “E aí?Tudo bem?”, “Tudo ótimo!!!”, “está namorando?”, “Não, estou solteira, mas sozinha nunca”. Mas quando chega à noite, depois de uma balada com todos os amigos, dezenas de fotos postadas, muitos beijos na boca de desconhecidos, ao deitar na cama e encostar a cabeça no travesseiro, o fantasma da solidão vêm sussurrar nos ouvidos. E lá vamos nós, imersos na nossa arrogância e esperando um pouquinho, mas só um pouquinho de afeição…

Majesty – She & Him

 You were majesty
Your ropes were heavy
And your longing was a cutting from bone

1 – She
E o Amor se tornando real, os olhos abrindo-se aos poucos, diante de uma noite de brisa leve. E eles eram tão jovens, e ela era sua majestade. E quando ela sentia medo, ele aninhava ela nos braços e sussurra palavras doces nos ouvidos. E as lágrimas que escorriam de seus olhos molhavam as mãos dele, que lhe segurava o rosto dizendo olhos nos olhos que ela era especial e as tempestades nesta vida eram passagens, um mal necessário. E aqueles olhos, tão escuros, tão castanhos, como uma tempestade, tal como a canção de Renato Russo, olhos grandes e curiosos, com brilho de avelã. Em sua memória,seus olhos, boca e na pele, o sentido do toque, na mente. Uma fotografia que nunca envelhece, que nos momentos de raiva, quando está sozinha, essa fotografia quer queimar numa fogueira junto com todas as suas emoções, memórias, sentidos. E então ela lembra que a tentação é mais forte do que a sua própria força de vontade de parar. E a vontade de sair gritando, correndo, embaixo de uma tempestade, talvez, um raio cair sobre seu corpo e sofrer uma perda de memória, e todos os erros impulsivos serem completamente apagados da memória. Tão jovem, e os caminhos se estreitando e ela então caindo e caindo nos mesmos erros. E o corvo que sempre dizia, “Nunca mais, nunca mais”, canta sua velha canção novamente, e de noite, nas noites solitárias a canção do pássaro ecoa pelo quarto de paredes frias, e o seu medo invade, e todas as suas veias dilatadas, coração acelerado. Ela liga o ventilador, talvez o barulho das hélices girando, faça seus sentimentos dispersar, talvez a vontade de chorar vá embora, talvez o Amor que está surgindo devagar, a saudade sem sentido, vá embora, como uma dor aguda no corredor de um hospital, com o soro na veia e dopada de remédios. E quando ela fecha os olhos, ela se lembra, daqueles olhos, com as pupilas dilatadas pelo momento de êxtase, e ela era pra ele como sua droga, ela lhe dava prazer, mas não precisava ficar com ele, era uma troca, apenas uma troca. Ele precisava de sexo, e ela também, e eram apenas amigos. A vida poderia ser muito mais fácil, se não fosse a eterna luta entre a razão e o coração, tão irracional. E então ela se apaixonou e ela tentou vê-lo, pelo o que ele é, e tentou, sentir como ele se sentia. Ela poderia lhe estender a mão, poderia acariciar o rosto e fazer carinho na cabeça, ou simplesmente, deitar-lhe a cabeça no colo, e contar-lhe histórias engraçadas da infância, e fazê-lo rir, e ver seu sorriso, ou aquela risada besta de uma piada ruim. E ele poderia lhe dizer que ela não tem talento para ser humorista, apesar de toda força de vontade, e então, eles poderiam rir juntos, e ela acharia aquilo lindo, mesmo sem a beleza e o despudor do sexo. E ela queria que pelo menos, ele a enxergasse por dentro, e não como um pedaço de carne para degustar como quiser, quando quiser. E o Amor, pensou ela, é uma coisa bonita que dói, que aperta como uma corta no pescoço, tirando o ar, pouco a pouco, ela vai morrendo, por dentro, pouco a pouco ela se sente fraca, pouco a pouco as lágrimas escorrem pelos olhos e então ela vê o quanto ela cavou sua sepultura, e aos poucos a terra está sendo jogada sobre o corpo, e essa terra lhe cobriu os olhos, ela não enxerga mais, não respira, mas sente todo o peso do corpo dele, como uma tonelada de terra…E aquilo era bom… “Abra os olhos querida”, e então ela abriu e lá estavam os olhos de tempestade, e desde então eles a observam dormindo, entre lençóis, um sorriso sádico no rosto, uma meia luz entrando no quarto, e ele gostava disso.

2 – Him

So am I good or bad?
The way that things did turn out

E ele sempre a achou linda. Uma beleza exótica, um dia ele disse isso a ela. Ele poderia lhe dizer várias coisas, mas o tempo seria um bálsamo que lhe cairia pelo corpo, e o medo da rejeição talvez fosse embora. Ele era tímido, será que ela saberia disso?E o sexo era ótimo, ele sabia disso, mas os olhos dela eram um mistério não revelado. E quando ela o olhava, por cima, aqueles olhos contavam uma história sem início, meio ou fim, e ele queria entendê-la muito além do corpo, aquele corpo no início coberto por uma lingerie lânguida e meias 7/8, e ele olhava ela com um olhar de desejo, e ele então pensava que ela era apenas mais uma mulher, e que talvez ele poderia se apaixonar, e um dia magoá-la. Ele poderia fugir, ao não saber como fazer, ele era jovem e poderia ter várias mulheres, quando quisesse, porque iria se prender e acabar com a liberdade?E ela estava lá, tão linda e tão real,com todos os seus defeitos, e não como capas de revistas impressas em papel de editoração. E ele não queria se sentir tão mesquinho, e o medo de se apaixonar o amedronta como um menininho com medo de palhaço. Um dia ela lhe contou que tinha medo de palhaço, porque na cena de um filme,que ela havia assistido quando criança, um palhaço malvado arrastou um menino para dentro de um bueiro. E aquela cena não saia da cabeça dela. E então ele ri, por dentro, quando lembra que ela é linda sendo mesmo assim, meio boba, com seus medos traumáticos de criança ou quando conta aquela piada velha e ridícula dos pontinhos e ela ri dela mesma e ele gosta disso nela, o senso de humor, mesmo com suas crises de bipolaridade. E ele queria que ela visse aquele jogo de favores sexuais, estreitados em laços de amizade, para conhecê-la melhor, como mulher, e não com um objeto sexual.

But in my mind
I could still climb inside your bed
And I could be victorious
Still the only man
To pass through the glorious arch of your head.

A visão dela, enrolada nua nos lençóis, ou o toque ora suave ora agressivo em suas costas, o deixava fraco, e essa fraqueza o preocupava, pois era a mesma fraqueza que sentiu em experiências anteriores, com outras mulheres, uma lembrança ruim de relacionamentos mal resolvidos. Ele queria ser racional, aquela mulher ali deitada, era para ser apenas alguém para servir como válvula de escape, para suas necessidades íntimas. Ele não queria se envolver, para depois, talvez ser rejeitado. Desta vez, ele queria apenas ser mais um amigo. E quando ele começa a sentir amor por aquela criatura de cabelos emaranhados pós-sexo, ele quer apenas fugir como uma criança. E o corvo um dia lhe sussurrou nos ouvidos: “Nunca mais, nunca mais”, mas ele, mais uma vez, se deixou levar. E então ele olha ela adormecida, com o peito subindo lentamente numa respiração doce e calma, e então um sorriso lhe abre no rosto.

Homem e mulher, morrendo de sede,
Na noite se sentindo tão sozinhos,
E então talvez uma xícara de chá lhe acalmem os nervos,
Ele a deseja, essa mulher, sua majestade,
E ela também o desejo, amá-lo como um rei,
Acariciar seu rosto e amar com a devoção de uma súdita,
E ele queria, toda vez que ele tirasse seu manto de rainha,
Que ele não fosse tão pesado, e quando ele lhe beijasse a face,
Ela não se sentisse tão sozinha,

Ela era sua majestade, ele era o seu rei,
E os olhos grandes e escuros dele não eram mais tão tristes,
E os olhos grandes e escuros dela, lhe contava uma história,
E os anseios não eram mais impossíveis…o medo se chamava Amor,
O tempo os ensinou, que o medo pode nos surpreender.

“Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares.
Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata.
Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume.
O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios.
Cânticos 1:10-13”

I don’t know what to say…

Let it go, when I meet you
All the clouds parted, all that light came shining through…

This… I write now, is the hardest thing I’ve ever put on paper. And this text here, I’ll be the most honest and straight I’ve been. I never lied to you, believe me, but especially when you read this, I do not get no doubt, because I tried not to use metaphors, what you read here will not be hidden on a veil of a second interpretation, or a “do not get me wrong.”Now, I will not be misunderstood. And I pray, I pray to God that don’t misunderstand me. Have you ever … I wonder, have you ever not understood what I wanted to tell you?Did you got it all wrong so far? What kind of woman cliché you think I am? You think I’m just one? Dear … sorry to tell you, well, I’m not an ordinary woman. I doubt, I put my hands on fire, you’ve met someone like me. I am only my love, I make all the difference in a crowd, but this difference are very few who see. Few people that I see inside, there are few people who come to me and say, I’m unusual because I pretend, I pretend not do difference. I love me, know this, I have a like “Lion” to be, but this is not the side …Its not most important thing that matters now … my self-love?Don’t interest now. What’s important is that I never wrote anything with so much love and sincerity. Now, at this point, I’m putting everything I ever wanted to tell you, from the outside. Maybe that’s what you want … a bit of sincerity, or a little more sincerity? Want something outright? Direct and straight? All I ask, my love, I’ll do the only thing that can not and will I deny is that I love you. And this love, this love, brought me better days, and I saw the light again. I was so worried, and you appeared, and then I recalled a childhood sweetheart, 12 years ago, when I saw you sing. And until then, until you reappear, I did not know it was you, and when you said “Delight, I’m Figaro…” I choked on toast. I am the beast my love, I am moved with little. Love, I’m so simple, nothing too complicated. I’m not a complicated woman, but I’m no one. I’m not an ordinary woman. I used a ridiculous yellow dress on the day you first saw, and the second time I wore black clothes and white gloves. And now I touch your face with my white gloves, as much as now they do not serve me more, but it is with them that I will touch the face, because my love is pure.

And years later, I saw you on the road some mornings, and I always found it beautiful, but I did not know you inside, I never got around and asked: “I know you from somewhere?.” I saw her face and liked him. I’d like to see you lost, sitting waiting for the bus… and lost. One day I saw you with his old girlfriend in the supermarket parking lot, there near the church Aparecida(Pague-Menos market, same street of church), and for a minute I felt a slight envy, and I thought, “cute couple”. And then I went back to reading my book. But I did not realize, I do not imagine that one day you will rise again. And the way you came, it was funny … I saw you on facebook, and I recognized, I’m back in the years that I looked lonely waiting for the bus. And I commented to a friend, “Bia, I remember him waiting for the bus, he is the brother of Leo, remembers?”, And I exclaimed “Heavens, every day this man is more beautiful,” and then she said, “he added … add like a friend! what are you waiting?”. And I just said,”Are you crazy? He did not know me, and I do not know. Because he accept? We have never spoken a word to each other, I’m not crazy to do that!”. Don’t know, i don’t knew little about you, we never talked around, and you never remember my face. And so it was, and I watched their profile photo for several moments, but then I went to sleep. I went to sleep because it would the beach with my family. During one week, I was thinking about life and meaning. And it was there on the edge of the beach, I asked someone good in my life. I said, “God, someone special place in my life, someone who see me inside.” And then I came back from my retreat by sea on a Sunday night, and then you appeared, wanting to be my friend. And now you’re gone. You disappear, no longer responds to that I ask. I asked him how was your exams in college, and you did not answer me, I asked him how was the show of Roger Waters,and you ignored me. You were the first person I told about my promotion at work, I expected it to be happy, but you did not answer. And that hurt me. And do not think this would happen only with yourself. Any person I respect and feel the least affection, if Ignored it, I would be very sad.. I will not let go of what I wrote to you, because nothing in life is in vain. My love is true, however you do not believe in it or is it just iluded man. Love, I’m not playing with those feelings, and in no time I played with her. I’m sorry if you ever had that thought about me, I believe people make mistakes. If you think I’m a giddy, love, I forgive you, and forgive me if I spent that impression. Forgive me if I fell for you, from the moment you read that text about my childhood, a fact that nobody gave importance, everyone thought it was fool, no one paid any attention, and then you appear out of nowhere and you read without difficulty. And then that song has now become a sad thing. I thought it a sad beauty, and that song made me smile …but now…make me cry.

I will not beg, kneel asking who loves me. You know now, I think that more direct here, is not impossible? Baby I love you, and I’ll be here, you know, I love this place. Do you know where to find me, if you’re just confused again … be my friend and let nature and time take care of it. God knows how I take care of my garden every morning I water my flower with tiny drops of water, and it is a beautiful sunflower. He did not sprout, but I know it’s there … unknown and hidden beneath the soft earth. And I can not, I can not beg to be born.

I ask only to stay, pretend you don’t know that I love, then I pretend that I believe it, I can also pretend that you never felt nothing, absolutely nothing, and then we’ll be fine. Be my friend and pretend nothing happened. And in our pride, we will continue our lives, just as friends. I do not know anything, neither do you. Let’s be cynical, one with another,everyone has a friend is not cynical? Everyone has a sarcastic friend, everyone has a friend who denies all the time. And when I told you never loved anyone, know I’ll be being ironic. And now I do not love you anymore, I’m just your little friend now. And as I write this, is not going no tears, I feel no pain, I feel nothing. And you know why? Want to hear more once the damn truth? Why do I love you, and I do not know what else to tell you.Therefore, I Love You, Lover, I’ll say it one last time, the next “I love you” will just be me, in my silence, in my solitude. And if I ever see you in the crowd, know that I still love you, but I do not know what to tell you … I’ll just say “Hello how are you!” Because I’m cynical and sarcastic, even with tears eyes, I’ll ask if it’s okay!

I’m sorry if I’m too scary to you. But believe me, I have also felt fear when I discovered that I loved. But I dont deny my love, but even so, if it makes you feel better, Love, I’m sorry for scaring you. I’m too intense and I scared you as a little boy afraid of the dark. Are you close this place it is now, with its stones in his imaginary mountain, but you can not see, can not you see I’m just a woman who does not deny feelings. Sorry my love, my sincerity to hurt you, sorry because I like to write what I think, sorry if you curse me for simply exist, but not my fault, I do not have the fabric of fate in my hands, I am a woman who barely know how to sew. Forgive me if I just made you suffer, if that happened, because I don’t know, what goes through your lovely and confusing mind. Forgive me if you think I brought you illusions. I can’t control your feelings, I can’t demand anything from you, your friendship, not a pathetic “good morning”. But if you want, if you want to be a my friend, I can pretend that nothing happened. Honey, be just my friend, but don’t leave me this way. Talk to me as if nothing had happened. Never happened…Nothing happened between us, and that’s half true … is not it? I’m lying now?

I’ll keep writing what I feel, what I see, what I want. But the mind is so powerful that you just need to imagine that when you read “I love you” on something I just imagine that I like just another person. You can? You can lie to yourself? Can you deny your own feelings?When you say you do not love me and that everything is an illusion, I see your whole body cheating. When you say I’ve never felt anything, your eyes will look down, the palm of your hand is up, you move your hands constantly, you’re in a cold sweat, and has too many line expressions on his face. I doubt that one day, never felt anything for me, not a little love, nothing … I doubt I did not move with you … did not I never once shook? You never thought of me No time? I wish I could look in your eyes and ask. But I can not do that. I can not and will not do. I’m just outsider, a stranger, and I don’t want to scare you. Are you an “anti-social” being who wants to distance, so I’ll respect that. Love involves respect for others. I could hate you,offend you, but I can not. Who loves consent … I even joked the first day of April, saying that I hate you, but that was a lie! And when I tell you “I love you”, “I don’t desire you” we’ll be two liars. We will be two beautiful children, lying to one another that the pockets are empty, but in fact, are full of candy.

And before I leave, stay in this place I love, before you go away with their excuses, their beliefs and feelings, you know: I love you. And if one day you want to go back, if you ever wanted something, you know where to find me. And if you ever come to me, it’s just a “Ana, how are you?” I’ll be happy. Love, I am content with little, if they are sincere.

And I end this text here, so in another language. It can have many errors here, but know that it was difficult for me. I like challenges, and I’m a box of surprises, love, I learn things very easy, especially if they challenge me. I am proud, proud a fool to express themselves without limits. I feel like I do, I love, I love writing, even if it causes me pain, as I feel now. I never, never opened myself so much in my life. I do not regret, I do not regret loving you, even you giving up everything. I have no fear of looking like a fool, Love, I am so aware of it. If you do not accept me this way if I scare you, leave you confused, love … what can I do about it? You want me to leave? You really want to try to get away? I will respect your silence, I respect your distance and your space, but I will not stop loving you and stop being myself because this.  Although crying now, this moment that I write, I am a strong woman, a strong woman who is showing to you all that I feel, I do not care what you will find that, if going to like it or not, but I that when I read this, you are aware of what I feel. Why not, I’ll never be able to say, to anyone, you never knew that. And what do you want to know about me, if you still have any doubt about the person I am, ask me and I will answer you, whatever you want. They say that only time heals our hurts, I do not want that time will take my love away, but if this is necessary, there is nothing I can do. If I could turn back the time, I would have been more sensible … or not, I believe it would fall again and again writing it again. And if I’m wrong about all this, if I really is a mad woman, God gives me a little more wisely next time. But I say again … I absolutely do not regret anything I did, or wrote, I am fully aware of what happened to me, than I feel. I do not have remorse for being the more foolish person that ever appeared in your life. I believe in the beauty of the belief of fools. I believe that the world is better with their existence. Better be a fool than ever believing anything…

Maybe someday, I say “Good Night” again, when you are tired and sleepy …

However far away…
I will always love you
However long I stay
I will always love you
Whatever words I say
I will always love you
I will always love you…

It’s not impossible things… meine Liebe.

“Você apareceu do nada e você mexeu demais comigo”

Tenho uma habilidade incrível em estragar tudo?Eu tento ser uma pessoa normal, uma pessoa que dá risada mesmo estando na pior. É uma válvula de escape. Eu não consigo entender que posso machucar as pessoas. Longe de ter a intenção disso, se isso fosse me fazer chorar mais tarde, madrugada adentro, como uma menininha renunciada pela mãe. Eu não sou perfeita, tenho meus defeitos, e olha que são muitos, mas não sou leviana. Eu não brinco com sentimentos, e ficaria muito chateada se imaginasse uma coisa dessas.

Estou com as mãos próximas da garganta, querendo me sufocar. A única coisa que eu quero é tirar esse peso de não amar mais uma pessoa com quem convivi três anos, e ter que dizer isso pra ela. Explicar que um dia amei, mas hoje não sinto mais nada. Nada que possa nos fazer ficar juntos de novo.Somente tenho a certeza que estou fazendo a coisa certa. E quando nós estamos nesse estado, vendo tudo aquilo que fizemos tão inconseqüentemente, aparecem surpresas na vida para mostrar o quanto mesmo você esteve errada esse tempo todo que achou que já sabia e tinha experimentado todas as sensações possíveis. Aparece feito uma tempestade que me deixou nua, sentindo frio e ao mesmo tempo calor, destruindo casas, arrancando árvores pela raiz,te deixando na escuridão a mercê do pecado. Estou mal, porque por mais que eu sofra, essa violência toda é deliciosa, é um vício, pois é  a primeira vez que eu experimento algo assim. Por isso não quero largar mais, estou viva, respiro ofegante, estou mais bonita. Penso em largar durante 1 segundo, mas é avassalador demais, e a toda hora eu quero me alimentar dessa força e quero cada vez mais, esse toque que me acaricia e que me bate,  esse vício que não desaparecer, isso que eu nunca tive na vida e julguei erradamente já ter vivido. E eu achava que já tinha me apaixonado de verdade, o meu orgulho todo foi posto a prova. Tomei uma bofetada tão forte, pesada, sutil, violento, que eu experimento o gosto do sangue todos os dias, todas as noites, 24 horas do meu dia, tirando meu fôlego, e dominando meus sonhos quando consigo adormecer. E enquanto ele estiver me batendo, eu vou adorar esse calor que me alimenta e me faz sentir viva, mesmo deformando meu rosto. Ainda terá a chuva pra me lavar, o vento para consertar meu rosto, e assim tudo recomeça. Ainda acha que tudo isso é uma mentira?É uma brincadeira?Uma “piada mortal”? Ich sage Ihnen, aber Sie irren sich meine Liebe…

“I’d love to touch the sky tonight

I’d love to touch the sky

So take me in your arms

And lift me like a child

And hold me up so high

And never let me go

Take me

Take me in your arms tonight

Hold me

Hold me up so high

And never let me down

Hold me

Hold me up so high

To touch the sky

Just one more time

Take me in your arms tonight

Take me in your arms

Just one more time

Just one more time

Just one more time”