Cais de poesia

1 – Assombro

Barcos no horizonte, sombras na areia
O sorriso incontido de felicidade clandestina
Andando pela praia, sol que deita na pele
Baixei os olhos para o silêncio de meus dias
Enquanto uma marola de beleza invadia meu peito
E as palavras ditas e não ditas, escritas em tinta preta
Soltas em devaneios que dançam conforme a maré
E as cores intransigentes no horizonte vespertino
Buscaram sua paz naquele quadro de sol com dilúvio
Ao longe, a tempestade se aproxima com seus raios e trovões
E um eco de perfeição ao longe que escorre na pele
A chuva que molha meu corpo e ensandece meu juízo
Tinge minha paz no conforto daquele gosto de céu
E longe do caos, do barulho ensurdecedor de minhas dores
Caminho sem rumo, como um barco em alto mar
Guiando-me pela minha necessidade de solidão egoísta
Deveria voltar, e aceitar aquela chama que não se apaga
Suspirar pelas trilhas de pedras e erros no meio do caminho
Eu deveria ficar, tingindo meu céu de cores de Dalí…
Debaixo de um pano cinzento e silencioso de nuvens parvas
O meu amanhecer é quase estoico… E as tardes são transigentes
A noite chega para me contar sua beleza e seus encantos
Os dias trazem as carícias de desejo e assombros.

2 – Dilúvio

De repente o céu desaba, é um dia de Verão
Crianças brincando na rua, desatinam a correr
Algumas lambem o céu, outras pulam as poças
Mulheres na calçada correm para o lar
A chuva cai e leva consigo papéis e folhas
Cada gota que escorre dos meus lábios
É o gosto de um amor amargo de Verão

3 – Acaba?

E nunca acaba, nunca termina
Dia após dia a soma de aquarelas bucólicas
Desenhos canções e tragédias em furta-cor

4 – Encore, une fois

Tingindo de vermelho os caminhos desnudos,
Todos os caminhos solitários na bruma da noite
Meus quadros de cores esvaídas ao fundo
Instinto animalesco de depravações conscientes
Aquele softporn solitário, satisfações pesadas
Fazendo o desalinho em lençóis solitários
Domina-me por completo meu conjunto de sombras
Chamando para dançar na beira de um abismo
Lá embaixo, apenas metáforas e desejo úmido e incontido.

5 – Baque

Causa-lhe horror,
Rasga-lhe a alma
O martírio e o dedo na ferida
Resigna-se… Cruel
Ofereço o céu
As cores
As dores
O corpo
Mãos em desespero
Desorientadas
Quentes,
Como uma estrada no verão…
Perfeita esta ilusão
O baque,
De nossos corpos
Caindo…

6 – Just another night in Portland

Apostei todos os meus medos
Em copos de rum e deslumbres
Teci minhas metáforas em linhas de seda
Tão macias quanto aquela canção de fim de tarde
Na manhã de domingo a névoa me envolveu
E encheu meus cabelos de orvalho
Preenchi meus dias com vinho e cigarro
Preenchi meus dias com amores vazios
E na tarde de domingo deitei meus olhos
Para nunca mais voltar, apostei meus medos
Misturei desejo em um copo de gin
Joguei cartas e quebrei garrafas
Foi apenas uma noite como outra qualquer.

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