Ansiedade e os moinhos de vento.

Tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(Fernando Pessoa)

Ser ansioso é ser idealista, é ter pressa, das coisas acontecerem, pressa da chuva passar rápido e colocar-se a correr nu pelas calçadas da cidade de pedra. Digo correr nu, porque pessoas ansiosas vivem constantemente nuas, são pessoas intensas, mesmo aquelas imersas na timidez, que não se permitem sair da toca, por medo de serem julgadas, mas que todas as noites, muitas vezes insones, coloca-se a pensar no tripé “E se”, “Será”, “Quando”. E então imaginamos um turbilhão de possibilidades para o nosso mundinho, um milhão de situações em que imaginamos nossos castelinhos de areia construídos de maneiras diferentes, e sempre nos cobrando por castelos perfeitos que nunca sejam destruídos quando a marola chegar. Às vezes é uma marola tão mansa, tão calma, que apenas molha nossos pés, mas nós a vemos como um maremoto prestes a engolir uma linda cidadezinha litorânea.Eu costumo citar o Dom Quixote, um fidalgo que confunde inofensivos moinhos de ventos com dragões enormes, e vale lembrar que hoje, as Dulcinéias é que matam seus próprios dragões, talvez pela pura ansiedade nossa, das mulheres, de tomarmos um passo à frente e ficar roendo as unhas ou comendo barras infinitas de chocolate Talento.

"Sonhar o sonho impossível, Sofrer a angústia implacável, Pisar onde os bravos não ousam, Reparar o mal irreparável, Amar um amor casto à distância, Enfrentar o inimigo invencível, Tentar quando as forças se esvaem, Alcançar a estrela inatingível: Essa é a minha busca." Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha
“Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca.” Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha

E assim vamos levando nossos dias, nós pessoas ansiosas, que sempre queremos o aqui o agora, que nos aborrecemos com o fracasso, com conclusões precipitadas, queremos nossos ideais realizados da noite para o dia. Nós planejamos para ontem, e quando nosso escopo de vida se atrasa, nos martirizamos por não ter chegado e fincado nossas espadas de aço no coração de nossos dragões, que são nossos medos, angústias, sonhos, amores, e até a tão cruel e desnecessária vingança. Temos pressa e ouvir e ser ouvidos. Temos pressa de Amar e sermos correspondidos. Esperamos um telefonema que nunca chega, uma conversa que nunca nos chama, esperamos sempre por algo que nos faça sair da toca, algo para dividirmos nossa tão esfomeada ansiedade. Entramos embaixo do chuveiro cinco horas da amanhã, e já pensamos nas cinco horas da manhã do dia seguinte, olhamos nossa cara amassada no espelho e já imaginamos as olheiras do dia seguinte. Construímos nossas estruturas em cima de uma base, e estamos sempre torcendo para nossa base nunca desmoronar. E quando ela desmorona, no dia seguinte já queremos nossas estruturas abaladas novamente no lugar. Por quê?Pra que tanta pressa?Nós pessoas Ansiosas, estamos sempre correndo contra as areias do tempo, nossa calma esvazia-se em poucos segundos, mas muitas vezes escondemos nossa falta de calma em um rosto sereno e dissimulado, deixamos nossas emoções desafloradas dentro de um vaso guardado num armário à sete chaves, dentro de nossa bolha de proteção. É o medo de sermos julgados, de ver nossos anseios jogados no lixo, como uma estratégia mal feita em um jogo de xadrez. E talvez, esses nossos atos sejam apenas por Amor,por Amor às nossas causas que quase sempre as pessoas ao nosso redor acham que são perdidas. Jaz aqui, uma ansiosa forte e decidida, por Amor às minhas tão queridas causas…PERDIDAS?

Tudo bem… Até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento

Muito prazer… Ao seu dispor

Se for por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas

 

* Este texto foi escrito em pedido a uma amiga, publicado no Facebook via nota, e no site MLD Quadrinhos, ao qual também escrevo.

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