Poema Frio.

Um homem passa com sua bicicleta enferrujada,
O taxista que parece o Freddie Mercury também toma café,
Há um homem grisalho barrigudo de jeito engraçado,
Há a mulher da lanchonete espremendo laranjas.
Os carros passam lá fora nesta manhã,
Estranha… Estranha magnificência dos dias.
Pegue tudo aquilo que acredita e dê risada disso,
Pegue toda a sua tristeza e coloque a leilão,
Sempre há alguém que compra a tristeza.

Meta suas crenças em seus bolsos de calças de grife,
Se eles estiverem furados de tanta dor, suas crenças cairão,
Junte os cacos do seu vitral quebrado, e passe a acreditar,
Que suas crenças tão singelas de tempestade não se perderão.
Os meus olhos estão queimando no fogo, e você me diz:
[São apenas 93 milhões de milhas para se percorrer]

Estou quebrando minhas torradas com os punhos,
Enquanto o chá esfria, eu conto as migalhas em cima da mesa.
E neste mundo, o que é novo, é incomum, o que é velho é brega,
Estranhos queimam no calor das manhãs, suspirando preguiça.
Abanando os bilhetes de ônibus contra o rosto, meninos de bicicleta,
Fumaças de cigarros e risos aleatórios, deve ser alguma piada engraçada.

Eu vejo um homem de camisa listrada passar, com o jornal,
E tudo o que eu vejo é bonito, mesmo a mulher triste empurrando carroça,
Pois meus olhos sabem enxergar a beleza do dia, mesmo estilhaçada.
Pegue tudo aquilo que acredita, coloque em prato,
Coloque uma pitada de pimenta em volta, algumas alcaparras,
Faça um círculo de sal grosso ao seu redor…Não é assim?
Não deixe ninguém entrar em seu mundo, você odeia invasores,
São suas coisas, aquilo que você ama e acredita.
E se te disserem que tudo é uma piada,
Diga que é verdade, a vida é uma maldita piada,
O tempo todo, e nesse meio tempo, choramos de rir.

Chove lá fora e eu estou chutando e pulando nas poças,
Está todo mundo vendo, mas eu não me importo,
Meus pés estão molhados agora, e eu corro,
Estou correndo atrás dos pássaros, eu quero voar também,
Mas os dias estão difíceis e pesados, sem visibilidade.
Estou em minha gaiola, e qualquer dia sairei na surdina,
Voarei então para bem longe, e vou pousar em seus ombros,
Mas só farei isso se nele estiver uma palha para meu ninho.

Noites de Natal, tudo me lembra uma noite de natal,
As pessoas cantam todos os dias, noites felizes.
Como se toda maldita noite fosse noite de natal.
Eu não estou carregando um saco de presentes,
Eu não tenho meias penduradas na minha porta,
Eu apenas passo a meia noite na espera,
Estou com frio na beira da janela.

Mulher-sentando-Janela

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