Entranhas com alho frito.

Algumas pessoas se autocanibalizam, por falta daqueles que não tem colhões suficientes pra encarar suas verdades estampadas e escarradas pra fora, temos tendência de gostar daquilo que só passa a mão na nossa cabeça, aqueles que cospem sinceridades, são os chatos da vez, tão demodê… Se este termo não existe, autocanibalização eu acabei de inventá-lo agora. Não estou nem aí para o que vão pensar. Enfim, vamos falar de autocanibalização e canibalismo:

Algumas pessoas comem suas próprias entranhas fritas com alho e sal em frigideiras antiaderentes, sim…ANTIADERENTE, temos amor próprio, não queremos nossas tripas grudadas, queimadas. Nós engolimos nossos próprio sentimento. Já engoliu o orgulho?Então, ele tem gosto de fígado acebolado. Paixão tem gosto, olha só que clichê maravilhoso: coração!Ahhhh os clichês, tem horas que não conseguimos escapar deles. Entranhas tem de serem engolidas sem muita frescura sabe? E então, já se perguntou o porquê? Eu lhe digo que é para puramente não se perder a essência. Quando temperamos muito, temos sentimentos mascarados, e as coisas não devem ser assim. Temperamos apenas para não dar um gosto tão horrível, mas se temperarmos demais, nós não conseguiremos sentir textura, sentir nada. Tudo tem de estar em equilíbrio, até porque senão ficaremos loucos, mais do que já somos, enjaulados na clausura de nossa autocomiseração. Sejamos misericordiosos com nós mesmos. Comeremos nossas tripas e lamberemos os beiços, por unicamente, Amor-próprio, coloque um pouco de sal e engula tudo a seco. Se quiser cuspir, cuspa, mas não faça cara de nojo, poupe-me, o mundo já está nojento demais em meio da natureza vazia dos outros. Tem entranhas que são podres, nem precisa chegar perto para sentir o mal cheiro. Mas sempre tem gente que encara, e acha gostoso!Hummm delícia!Depois vem chorar nos ombros. “Comi uma guria, mas ela me usou”… Ohhh pobre coitadinho!As vadias chupam-lhe o pau e depois quando você diz eu te amo, elas te abandonam, como uma cachorrinho na rua. Ou você, guria bonita, inteligente (não vamos falar de vadias burras, eu já escrevi um pouco delas na linha de cima, me poupe), respeita o cara, não faz dele um brinquedinho, uma marionete de seu teatro infame. Você morreria pelo imbecil, mas ele não está nem aí pra você. É sempre assim, o ser humano é foda, gosta daquele que pisa, ou aquele que não lhe dá nem um pouquinho de atenção. E nós, como diz Renato Russo, esperamos um pouco de atenção, e nossa arrogância tem gosto de fel…Aquela bile que fica na boca quando não se tem nada mais pra vomitar.

Sabe, eu queria escrever esse texto nas costas, sair por aí, correndo pelada. Eu poderia colher cada flor do asfalto amaldiçoada pela falta de atenção, porque você estava pensando em comprar um carro zero, e esfregar na cara daqueles que não dão valor pra nada, aquele que não fala bom dia, aquele que não tem consideração nenhuma por quem está sempre do teu lado. Ahhh, mas se nós cuidarmos das flores, vêm a porra de um carneiro e a engole. Então meu querido ser quase dotado de massa cerebral, valeu a pena pra você?Você cuidou bem da sua flor, ela lhe fez sorrir?Sim?Ótimo!É isso que importa, você deu o máximo de si, pra que ficarmos nos lamentando? É eu sei, adoramos lamentar…Adoramos encontrar agulhas em palheiro. Adoramos criar fatos que não existem. Se cuidou da sua flor, chegou um carneiro e comeu, da próxima vez, cuide melhor da sua rosa, do seu girassol, faça menos cagadas, talvez se você tivesse plantado sua flor com um pouco de amor próprio, talvez ela não morreria…

Ando por aí, segurando minhas tripas, que escorrem do meu ventre, aberto, meu peito aberto, rasgado… Olha só…quer comer meu coração com molho pardo e azeitonas? Tem vinho aqui em casa, vinho vai bem com carne, mas segure a taça do vinho pela base. Sou uma puta exigente meu querido. Para devorar minhas entranhas você não pode ser um estúpido mesquinho. Para eu lhe dizer, entre de novo, você tem que me olhar por dentro, eu não sou apenas uma mulher bonita em cima de um salto alto, toda arrumada, eu acordo cedo com a cara amassada, tenho muitas vezes preguiça de tirar a maquiagem pra dormir, e às vezes eu bebo demais e acordo no outro dia de ressaca, com uma dor de cabeça dos infernos. Posso te amaldiçoar, posso chutar-lhe da minha cama, mas depois eu vou lhe estender a mão, e vamos nos amar em meus lençóis velhos, tão cheios de perguntas, muitas sem respostas. Beberemos, vamos brindar…Vamos devorar um ao outro, que tal? Fazer uma salada de entranhas, se você já guardou suas tripas pra dentro, pois já estavas cansado de ser julgado por ser assim, vem aqui, eu vou fazer-lhe um rasgo e colocar uma linda fita de cetim, suas tripas lindamente amarradas, meu presente.  As minhas são amarradas com um pedaço de cetim vermelho escandaloso. Elas estão servidas aqui pra você. Coma-as ou apenas olhe, simples assim, porque as coisas nesta vida tem de ser complicadas? Vem aqui, seu corvo tímido, venha crocitar seus medos e soltar seus demônios em cima de meus ombros. Estou à disposição, corpo, alma…E entranhas, servidas no alho frito.

Ahammmmm...
Ahammmmm…
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