A metáfora da mariposa

Há várias mariposas circundando ao redor, dançando bêbadas ao redor do fogo, debatendo-se caindo no chão e rodopiando com as asas pra baixo. São como os anjos caídos por acreditar nas próprias convicções contrárias à lei divina, quando amanhecem no dia seguinte mortas, queimadas pela luz que elas tanto amavam. E as mariposas não se importam, aquela luz eram delas, e elas rodopiam em volta, até suas forças serem consumidas. Caem, mortas, secas e depois varridas por uma velha rabugenta. As mariposas não voam mais, jazem mortas na terra, levadas por formigas.

E as demais mariposas, todos os dias ficam numa dança obscena, hipnotizadas, com suas asas batendo violentamente, em volta das lâmpadas, do fogo dos lampiões, tão sensuais quanto um casal amando-se entre quatro paredes. Quando as luzes se apagam, as mariposas choram como mulheres que perderam um amor que se acabou. Elas esperam pelas noites, num jardim, rodopiando pelas flores de cores sensatas e insensatas, camuflando-se em troncos marrons cheios de juras de amor dos anos 80. E quando as luzes do quarto se acendem, ou quando vêem a chama dos lampiões, elas se aproximam novamente. Elas beijam sua luzes, como um vício, beijam suas luzes, como uma mulher que beija os olhos de seu amado. Tal como as mariposas, as mulheres curvam perante seus desejos, e as nossas mariposas batem as asas, freneticamente em nosso ventre.

luz

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