Tal como o vinho, parte I

Chegou de mansinho com olhos mansos e misteriosos, deixei-me levar,
E como uma garrafa de vinho, deitei minhas emoções noite a fora,
Deslizei na noite de um prazer que me tira a razão, um gemido na madrugada,
O hálito do vinho na minha boca é um pedaço teu que ficou em mim,
As linhas aqui escritas é toda minha eloquência talvez muda, surda, cega,
Minha eloquência convidando para beber um gole etílico de minhas emoções,
Aproxime-se, pegue sua taça, brinde comigo e vamos fazer Amor, ou Sexo,
Como quiser, quando quiser, basta chegar, abrir a porta e me convidar pra entrar…De novo.

 

Noite de sexta-feira, as emoções de uma noite embriagada me arrepiando os pelos da nuca. O calor daquela bebida fazendo-me suar, por dentro, por fora, por todos os poros da minha pele, transcende, transmuta o dia em que eu amaldiçoei minhas convicções, e a perda do medo de arriscar. Deveria ter continuado com minha alma tão pessimista e escondida de emoções, quietinha no meu canto, mas eu permito-me entrar na minha teimosia que eu interrompi há tantos meses. Estava eu lá, quieta, mas algo me dizia para dar a cara para bater. Fui e ofereço as duas faces. Cansei de esconder-me no véu dos sentimentos escondidos, meu rosto em carne viva viciou na arte de se espancar pela vida. Aqueles que vivem, com o rosto e alma sem cicatriz alguma, não tiveram Vida alguma, são seres mesquinhos e inanimados, bonecos fantoches controlados por Parcas mal humoradas de TPM, num momento sem criatividade.

Eu tinha uma fotografia na parede de meu quarto, no auge dos meus 16 anos, e nela dizia que não se vive sem correr riscos, e eu protegia-me naquela redoma, com meus cadernos de textos, poesias, escondidos no fundo do armário. Eu era uma fortaleza, uma rocha, eu repelia quem se aproximasse. Eu não tinha tempo nem paciência para coisas de amor, sexo e tudo mais. Nem no mundo tão insano e doentio de boa parte de meus livros que povoaram meus questionamentos juvenis, questões de Amor e declarações soavam-me como bonitos e irreais contos da carochinha. Eu dizia que jamais cairia naquelas armadilhas, que seria daquelas mulheres bem sucedidas com um cachorro deitado aos pés da cama, e que eu sairia todas as manhãs para passear com ele no parque, antes de trabalhar. Eu tomaria um bom vinho e escutaria um blues triste ao chegar cansada do trabalho, que eu faria o que bem entender. Mas aos poucos, fui conhecendo o círculo viciante e perigoso do coração. Digo coração, porque nessas horas, o nosso cérebro é o que menos funciona. Tento quase o tempo todo medir minha razão e minhas emoções numa balança. Queria que a Razão tivesse um peso infinitamente maior dos nossos sentimentos, emoções, talvez torpes. Mas então eu me perguntaria o tempo todo se eu me permiti ser feliz, nem que seja por poucas horas, poucos instantes. Mesmo que eu sinta uma saudade ao qual a magnitude do universo não seja capaz de medir, eu quero que a vida me espanque, e que eu dê um gemido gostoso de satisfação, mesmo com a face de tristeza, saudade que não consigo represar em poucas palavras ou um silêncio absoluto, eu deito em minha vida, e ela me devora, divinamente. Ela me DEVORA, assim, com letras maiúsculas.

 

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