Dentro de um livro, na cinza das horas.

“Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.”

Charles Bukowski

Talvez eu saia para dar uma caminhada, ou cerca de três desenhos mal sucedidos eu deite na minha cama e volte a estudar francês. Queria aprender mais sobre arte, visitando o museu do Louvre. Um amigo meu disse que este museu é bom ir sem criar expectativa nenhuma. Guardei isso na memória e vou levar comigo quando for para a Europa no ano que vêm. Enquanto isso, tropeço no francês e me permito perder-me na pronúncia tão bonita e afrescalhada. Francês é o idioma mais boiola do mundo, meus amigos dizem que é para eu aprender alemão, pois isso que é idioma de macho. Sim, como diz meu amigo Bruno, eu, Ana, sou mais macho que muito homem nesta terra. Tenho uma coleção de lingeries no armário e pinto meus lábios de vermelho, mas sou mais macho que muito homem…

Discussões sobre o meu lado mulher, ou meio mulher, meio homem, eu sei que sou uma mulher quase ordinária, e hoje apesar do dia lindo lá fora, talvez por causa do sonho que tanto me perturbou, ando meio cinzenta. Não sei porque, ok, minto, eu sei porque, mas eu vou colocar minha máscara de fingimento mal modelada, mal arquitetada, mal desenhada, disforme e feia, muito feia. Eu não sirvo para ser atriz, talvez eu escreveria um bom roteiro, mas jamais, jamais teria a convicção da arte de representar. Dizem por aí que os nossos olhos entregam a mentira. Meus olhos são grandes demais, talvez seja por isso que eu não consiga mentir, ou quando conto uma mentira, eu me entrego facilmente. Não precisa ser especialista para entender. Meu irmão de 9 anos percebe…E ri constantemente da minha cara. Eu me lembro, que quando tinha Yakult em casa, eu pedia um gole de yakult pro meu irmãozinho. Ok, isso é mancada, uma tremenda falta de sacanagem. Ele olhava pra mim e disse: Você vai tomar tudo né? E eu, “Nãoooooooooooo”, aí ele dizia que eu era mentirosa. Sim, eu tomava tudo e ele ia sempre me maldizer para minha mãe. E minha mãe me dizia que eu sou pior que criança. Tenho vinte e cinco anos nas costas, estou sofrendo com a crise antecipada dos trinta, mas não aquela questão de casar e se reproduzir antes dos trinta, é pura questão de se sentir velha e muitas vezes enferrujada. É como se eu estivesse perdendo o sopro da minha juventude, que está tomando sendo ocupada por um furacão de rabugisse. Eu me vejo, velha, sentada numa cadeira de balanço com um cachorro velho e surdo deitado aos meus pés. Talvez meu velho esteja ao meu lado babando e roncando, ou não…Talvez eu fique viúva antes do tempo, e me transforme naquelas velhas amarguradas. Talvez eu seja uma escritora reconhecida, e fique lúcida em meios de papéis velhos, talvez eu receba alguma visita para tomar chá com bolachas.

Eu não penso no meu futuro como velha senil num ambiente puramente futurístico. Aquela coisa de carros voando, robôs pra tudo quanto lado, penso na velhice como algo mais antigo. Penso em dominó na praça, jogo de xadrez com os netos, cadeiras de balanço feitas com madeira de lei. Penso em folhas amarelas e vermelhas caídas no meu jardim, penso no meu velho rastelando as folhas e me dando um sorriso quase sem dentes. E eu nem ao certo sei qual será as cores do meu velho e eterno amor. Talvez eu morra primeiro, ou talvez essa imagem seja apenas uma lembrança boa quando eu jogar flores no túmulo dele nos finais de semana. Eu não gosto disso, mas sempre me pego pensando nas malhas do destino. Se eu encontrasse a parca que está tecendo meu cobertor de tricô, aquele que o final vai cobrir metaforicamente o meu corpo quando eu partir deste mundo, eu olharia nos olhos dela e diria que ela é uma grande filha da puta, mas que as surpresas que ela tricotou ali me trouxeram muitas vezes um sorriso no rosto. A vida não é perfeita. As parcas da mitologia grega não sabem contar. Elas erram em seus pontos de costura, e quando chegamos nos trechos desse tricô mal planejado, nós tropeçamos, choramos e mais tarde rimos, porque nos tornamos nobres, quando aceitamos a nossa própria idiotice e enxergamos nossos defeitos como um erro de percurso, e não como um ato falho de nosso caráter. Falhas de caráter não são culpas das parcas. Estamos falando aqui de destino, e não personalidade, apesar de muito intimamente estarem interligados. Mas isso não é o debate aqui. O que está aqui é apenas um fluxo de pensamento de uma pausa de desenho em papel A3. Provavelmente vou jogar cores no papel, e mais tarde olhar e dizer, que lixo, mas foi válido.

Mais tarde, quem sabe, eu saia pra comer um cachorro quente e observar os velhos com seus jornais na praça. E talvez eu dê um suspiro quando a juventude ao qual eu sinto falta e um dos principais motivos do meu tom cinzento de hoje passar ao meu lado de bicicleta, com um sorriso no rosto e cabelos ao vento. Saudades dos meus 15 anos…

Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a . Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem, Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos aos, estes ainda reservam prazeres. Sêneca
Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a . Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem, Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos aos, estes ainda reservam prazeres. Sêneca
Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s