A loucura das quatro estações – Parte 2

Quero apenas cinco coisas.. Primeiro é o amor sem fim A segunda é ver o outono A terceira é o grave inverno Em quarto lugar o verão A quinta coisa são teus olhos Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser... sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando.                Pablo Neruda
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

Despiram-se, como árvores que perdem as folhas. Insanamente, começaram a se amar, ali, no chão. Eram todas as cores juntas, misturadas, o sexo tem cores, e elas se misturam, e era nisso que eles acreditavam. Um sexo cinza é broxante, tudo deve fluir, as cores das peles juntas e suadas, os fios de cabelos, o toque, os gemidos. Sexo é sinestesia. Tudo em cores de outono, olhando de cima, um casal se amando entre as folhas. As cores do lençol que se misturavam quando ele a levantou e a carregou para o aconchego daquela cama simples. Era uma cama velha, mas bem arrumada e com lençóis bonitos. A lingerie vermelha largada ao chão era como uma rosa, uma rosa que floresceu em pleno outono. Para as rosas, não existem estações, não existe o Tempo. A rosa é uma flor a frente do seu tempo. Ela floresce quando bem entender, debaixo dos raios de sol escaldantes de um verão tempestuoso, com suas chuvas de finais de tarde, florescem no outono resmungão, rabugento com seus ventos, exalam sua beleza e perfume no inverno que nos arrepia a pele e nos convida para perto do fogo, e na primavera…bem, na primavera a Rosa floresce sem a mínima vergonha. Ela se abre, se deixa envolver, suas pétalas são suaves, e sua beleza é eterna, mesmo estando secas guardadas dentro de uma garrafa de vinho sobre a mesa. Pessoas deviam ser como rosas, sem tempo ruim, devemos nos permitir crescer e desabrochar como as rosas. As rosas tem espinhos…Sim caro leitor, toda rosa tem seu espinho, ao espetar seus dedos, você pode gritar de dor, ou levar o dedo a boca e sugá-lo levemente, como uma criança suga os peitos da mãe, como um amante beijando os mamilos de sua amada. Nós podemos levar nossas loucuras, erros e tropeços com agressividade ou suavidade. Podemos sair esbravejando feito vento matutino de uma manhã de outono, mas basta nos proteger embaixo de nossos agasalhos de razão e bem senso. É fácil falar, é fácil escrever?Não não é…Escrever é como o outono. Você fica embaixo de uma árvore e espera que tua folha de inspiração caia em teus pés, mas a vida não funciona desta forma. Muitas vezes temos que ter força suficiente para pegar uma escada e buscar nossa inspiração antes que ela caia aos nossos pés, e vale lembrar, algumas folhas nunca caem, e quando caem, é de uma tal brevidade que o gari já a levou embora e agora ela é queimada numa fogueira. Não vamos perder tempo, vamos contemplar o outono e apanhar nossas folhas antes que elas voem longe com o Tempo, e isto não é loucura, isto se chama saber viver. Quanto as folhas de outono caírem e emaranharem-se em meus cabelos, tire-a com a suavidade de uma rosa, mas vamos fazer amor com a intensidade de um vento de outono, com a beleza de uma tempestade, que seja um sexo quente como o verão, que nosso carinho um ao outro seja suave como a primavera, mas que ao mesmo tempo nos permita a selvageria de uma nevasca em terras europeias  e que esteja ao final,  nossos corpos arrepiados o bastante para nos abraçarmos.

Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza.
Nietzsche

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2 comentários sobre “A loucura das quatro estações – Parte 2

  1. Obrigada querido!!!Fico imensamente feliz pelo elogio. Tente, sair um pouco da gaveta. Eu era assim também, e eu lhe digo, sair da gaveta transforma a pessoa. A vida é muito curta para ficarmos nos escondendo, Eu sigo a filosofia “Carpe Diem”!Ou traduzindo, “FODA-SE ESSA MERDA”. HEHEHHEE.
    Fiquei feliz com sua visita, e sinta-se a vontade para comentar, tecer críticas e sugestões. Um grande abraço!

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