Madrugada de Rimbaud

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então…

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
Arthur Rimbaud

Eu me encontrei agora num sorriso de verão. Agora o outono pode chegar e me abraçar envolta de um mar de folhas coloridas jogadas ao chão. Nunca amei tanto a minha falsa sensação que e os momentos são eternos. Digo falsa sensação, porque eu sei, minha alma ignorante sabe que a nossa vida não é eterna, mas nossos instantes, sim, nossos breves espetáculos do palco da vida, nossos beijos, abraços, saliva e suor, podem ter o cheiro breve de um toda eternidade. Um cão pode lamber minhas lágrimas enquanto me coloco a chorar sobre a verdade nua e crua da vida. Enquanto o cão lambe minhas lágrimas, eu penso em dia não muito distante, um dia onde minhas conjecturas serão lidas e compreendidas por uma alma que antes eu achava tão inexistente. E eu então vou me perguntar, todas as manhãs, ao abrir meus olhos, se o meu mar terá cores tão bonitas, quando o teu raio de sol bater em minhas águas. O meu mar está calmo, e o teu raio de sol aquece minhas águas, e no horizonte, um arco-íris bonito se perde na beleza infinita do universo. Quando o outono chegar, quero me deitar contigo em cima das folhas, quero que tires pequenas folhas tímidas que vão se emaranhar nos meus cabelos. E o vento do outono teimará em levar minhas anotações embora, mas eu como uma criança teimosa, sairei correndo atrás de meus ímpetos e desejos, e numa manhã qualquer, juntarei todos os meus papéis, e então posso escrever algo que posso vir a considerar como a coisa mais bela que eu já escrevi. Meus pensamentos transcritos de forma linear, permito-me dar as minhas emoções um tom de granada, como uma tarde ensanguentada de touros, esse vermelho sangue que vês agora, é minha alma tão intensa pintada em quadros de Bosch. Se pareço confusa, permita-me descrever-me por linhas tortas e insones. Se olhar em meus olhos, encontrará apenas o mistério expresso em duas bolas pretas. Mas meus lábios, estarão sempre úmidos. O meu corpo me trai, minha mente tenta me enganar, mas meu corpo trai, há caminhos de arrepio em minhas pernas, há pelos eriçados em meus braços, e talvez algum rubor em meu rosto. E eu darei um sorriso tímido, porque eu sou assim, não sei me expressar com olhos, eles tentam dizer e exprimir meus mais íntimos sentimentos, mas são as palavras que consomem e ardem meu desejo, é o meu corpo que faz meus sentidos gritarem, é ele que trai a eloquência do meu raciocínio.

Speak to me only with your eyes

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