Tempestade na janela

Caminhos inóspitos, eis minha tempestade correndo no vidro na janela,
Talvez lá no horizonte surja algum arco-íris, tímido, calmo,
Eu olho com um brilho nos olhos a vida que nasce lá fora,
Com todas as cores saltando aos meus olhos, num dia tão nublado,
E quando chega o final da tarde, eu quero esquecer todo o tempo que passou,
Quero apenas as lembranças boas dos meus últimos dias, um par de olhos bonitos,
Apenas a lembrança de um sábado chuvoso e preguiçoso, deitada com minhas emoções,
Emoções tão a flor da pele, desbotando em cores tão novas, o desabrochar de uma rosa,
As páginas amareladas de um velho livro marcado à caneta e com fitas de cetim,
Meus lápis coloridos espalhados, no meio de papéis coloridos em breve rasgados,
Minha emoção não me permite achar meus desenhos deveras bonitos, apenas rabiscos,
Minhas ações, regadas a uma hiperatividade que assusta, estou agora olhando-te nos olhos,
Minhas emoções agora saltando no papel, escorrendo como as gotas de chuva em minha janela,
Talvez o meu sorriso seja inquieto demais pra você, talvez minha fúria seja enlouquecedora,
E então eu vejo as crianças ladeira abaixo com suas bicicletas enferrujadas pelo tempo,
E então lembro-me dos tempos em que eu era criança e saia pela rua, chutando formigueiros,
Eu sentava-me ao chão e observava as formigas organizarem seu caos, provocado por mim,
E eu ficava lá, vários minutos, talvez para aprender que a bagunça é necessária,
Para colocar nossos pensamentos em ordem, toda lágrima na noite, é uma dor necessária,
Todo desespero, todo medo, todo Amor desenfreado, é ma lição aprendida em meio ao caos,
Nesse meu mundinho tão caótico, entrou de manso na minha brincadeira de balanço,
E eu senti então a emoção de duas mãos que me empurravam, eu precisava desse impulso,
Eu já andava tão desacreditada na falta de emoção das pessoas, pessoas nubladas,
Com os olhos vendados pelo egoísmo ou pela simples necessidade de aprender a enxergar,
Mesmo não sendo cegas, a fúria e o egoísmo deste nosso mundo ordinário deixaram elas assim,
E elas nem ao mesmo cantam uma canção para ganhar uns trocados, apenas se fecham em seus mundos,
Passam alheias à vontade da flor do asfalto que apenas pediu um pouco de atenção, e nós lá,
Encolhidos internamente com nossos óculos de sol, nos protegendo de nossas emoções, raios de sol,
Tão mesquinhos, a ponto de ignorar a beleza a poucos metros de distâncias, e querer apenas,
Querer apenas o ideal de beleza intangível, palpável, sem emoções maiores, talvez por medo,
Esse medo que nos deixa entocado, embaixo das cobertas, correndo das emoções, de paixões,
De um olhar, uma palavra, um aperto de mão ou uma palavra de carinho, ou sete páginas,
Sete páginas insones de um domingo incomum, preguiçoso, mas cheio de cores e lembranças,
E é por isso que eu hoje encostei meu rosto na janela, e neste momento que agora escrevo,
Uma lembrança insone de teus olhos azuis, que não me permite chamar de inspiração,
Porque foi contigo que eu aprendi que a maior inspiração que podemos ter é nossa própria vida,
E eu observo minha vida através da minha janela, e lá fora estava chovendo, e aqui também,
Há uma tempestade na minha janela, mas uma brisa leve e doce dentro do meu peito.

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