Dom Quixote de Saias

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta

"Tudo bem... Até pode ser, Que os dragões sejam moinhos de vento Muito prazer... Ao seu dispor Se for por amor às causas perdidas Por amor às causas perdidas..."
“Tudo bem… Até pode ser,
Que os dragões sejam moinhos de vento
Muito prazer… Ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas…”

Costumo andar pelas ruas, sozinha, para colocar os pensamentos em ordem. Costumo ir sozinha em um bar, apenas para observar o movimento. Pode parecer que apenas estou flertando com alguém, pois posso fixar meus olhos em um ponto e voar, pra bem longe, e então alguém estrala os dedos e me chama para a realidade, quando estou acompanhada, porque quando estou sozinha, é um momento que eu me autoconvido para minha dispersão de pensamentos, como essa noite de agora, esparramada na minha cama, ouvindo Beirut. Eu sou ruim demais para flertar com alguém. Estou tão acostumada com os rapazes que se encantam e fogem como garotinhos com medo. Garotinhos que quebram vidraças com a bola e tem medo de apanhar da mãe, mas está na espreita pelo pedaço de torta feito por ela,a torta cheirosa e bonita que está em cima da mesa, mas o Medo está lá. Talvez o Medo de ser feliz, ou simplesmente o medo de machucar-se, de sair da toca, da redoma de vidro que tanto conviveu bem. O homem, tem medo de Amar, tem medo da entrega, tem medo da precipitação, de sexo no primeiro encontro. É o medo de ser julgado, E quando eu digo o Homem, a metáfora é aplicada para a mulher também. Mas eu digo mulher com M maiúsculo, eu digo Homem com H maiúsculo. De pessoas vazias e pobres de espírito o mundo está cheio. E é por isso que eu digo, “Escuto no silêncio que há em mim e basta”, mas eu teimo em meu silêncio me expressar em palavras, sinceridades de Woody Allen num papel, talvez perturbadoras, porque não?Meu instinto na escrita não pede freios, apenas meu silêncio é quieto, mas minhas palavras berram, uma canção bonita, ora triste, ora alegre, em nuances de paixão, Amor, raiva, e um pouquinho de bom senso, que muitas vezes eu acabo entrando em vias contrárias. Bom senso é pra poucos, saber utilizá-lo com um pouco de loucura injetada nas veias é para uma margem bem restrita da sociedade. E eu não me arrependo, de ser assim, doida desenfreada, uma Dom Quixote de saias, talvez um pouco ingênua, por acreditar no Amor, por acreditar que ele é capaz de mover montanhas, de enfrentar meus singelos dragões cuspidores de fogo, e eles serão apenas moinhos de vento?

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