Something Beautiful

São as areias finas do tempo escorrendo por entre meus dedos magros. Pintarei minhas unhas com a emoção que me sobra, com o vermelho de uma paixão desbotada, pela frieza calma e inconstante das manhãs do meu inverno. Ou seria inferno?Minhas emoções e sentimentos queimando numa fogueira inquieta de labaredas intermináveis. Posso trazer toda a água do meu oceano de águas calmas porém, escuras, e toda a fúria da minha razão que me sacode todas as noites. A sensatez anda visitando-me todas as noites, e talvez eu nem escute mais o vento frio do meu inverno pedindo para entrar. Talvez, no próximo outono, eu caminhe sob as folhas coloridas esparramadas na calçada, e o meu sorriso será completo, minha alma aquecida, meu coração em chamas, queimando em plena manhã de frio brando de outono. E talvez eu respire a neblina com semblante calmo, com olhos que há tanto tempo não lacrimeja mais de ilusões. Porque talvez, sua imagem esteja por debaixo das folhas que eu piso, misturadas ao limbo na calçada. Basta sair o sol para minhas emoções secarem, basta o sol chegar com o frio da próxima estação, e então estarei sorrindo, porque o Tempo chegou e me fez esquecer os dissabores das estações passadas, e então a lembrança de um possível cheiro doce da sua pele, os olhos gentis que um dia eu tanto amei, me falte à memória, como um recado num pedaço de papel velho, jogado ao vento. O tempo chega, e consome aquela velha tinta depositada ali, e então vira apenas um papel amarelado, ignorado, no meio de tantas folhas, coloridas.Meu outono, estação que eu tanto amo, está chegando, e ele está me convidando para amar de novo, e então eu amarei outras cores, e elas não estarão dentro de uma caixa fechadas a sete chaves, elas serão intensas, como um prisma, como um fractal. E então, cometerei os mesmos erros novamente, escreverei o meu Amor por linhas tortas, assim, sem rima, apenas um fluxo de pensamento insone. E talvez, um dia alguém enxergue o poder e a beleza do meu Amor declarado em linhas tortas, e eu sairei da toca novamente, e vou dançar, sem medo, porque o Amor é uma dança, que olha-me constantemente nos olhos e pisa nos meus pés, e me pede desculpas, mas ele vive cometendo os mesmo erros, meu Amor dança comigo, sorri, chora, grita…Mas é o par mais bonito que eu tenho na vida, e quando ele me chama para dançar, eu sempre estendo minhas mãos, sem medo, de errar meus passos. É algo assim, algo bonito…Estranhamente belo, enlouquecedor, viciante, e são estas palavras, esse sussurro, na calada da noite eu grito por um mundo mais bonito, mais cheio de amor, com mais música e pessoas querendo aprender a dançar. Algo extraordinariamente belo.

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