Elegy

Quando eu fiz um mochilão pela Europa, depois de largar a escola…Fui para uma ilha perto da Sicília. Era uma ilha vulcânica. No barco, indo pra lá, tinha um caixão de pinho. Era um morador da ilha voltando para ser enterrado lá. Tinha um monte de sicilianos idosos vestidos de preto…Esperando, em fila, na praia. Quando o caixão chegou na praia, todas as velhas enlouqueceram, gritavam, se atiravam sobre ele…Batiam no peito, puxavam os cabelos, uivando como animais. Era tudo tão…Tão verdadeiro. Eu sempre vivi cercado de funerais, mas nunca tinha visto tanta dor. Na época, fiquei assustado, mas acho que aquilo é bem mais saudável do que isto…

Diálogo entre Nate Fischer e Claire Fischer, no episódio piloto de “Six Feet Under” ou “A sete palmos”, meu seriado favorito.

Estou sonhando, com caixões de pinho, cinzas ao vento,
Sinto a terra fofa e cheirosa pesar neste meu corpo,
Estou viva, mas Meu Amor morreu, está triste,
Desfalecendo, e sua canção é tão dolorida,
O Tempo chegou para lavar minha alma,
E ele está me olhando, nos olhos, com toda calma,
E com lágrimas nos olhos eu lhe digo adeus,
Meus olhos tão grandes, estes olhos estão molhados agora,
Cada vez que o Tempo sussurra seu Adeus nos meus ouvidos,
Cada vez que eu vejo seu rosto se desmoronando,
Feito castelos de areia, destruídos pela calma onda da orla,
Na beira da praia, eu pedi a Deus que me trouxesse,
E que me permitisse amar, com o coração mais puro,
Mas os ventos chegaram e levaram meu Amor embora,
E é na tempestade que se aproxima, que minhas emoções afloram,
Cada gota que eu vejo cair na janela, cada tom escuro da tempestade,
Me lembra dos teus olhos, cada riso de uma criança pulando as poças d’água,
É uma elegia, um réquiem, do teu sorriso que eu tanto amei,
Cada canção que o trovão grita, madrugada adentro, são palavras tuas,
Escritas em minha memória, em linhas tortas, devaneios, lembranças,
Teu rosto pálido, como um lírio, és a flor do meu túmulo,
E neste meu túmulo, eu, mulher errante e apaixonada…
Descanso em paz, esperando o Tempo, consumir meu Amor,
E jogá-lo ao mar, ao vento, como as cinzas de um funeral.

E eu não estou com medo de morrer,
a qualquer hora pode acontecer, eu não me importo.
Por que estaria com medo de morrer?
Não há razão para isso,
você tem que ir algum dia.”
“Eu nunca disse que estava com medo de morrer.

Se você pode ouvir este sussurro você está morrendo…”

* The great gig in the sky, Pink Floyd.

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