Escritos sortidos

1 – Love from room 109

Eu estava andando pensativa, voltando do trabalho, cruzando a rodovia através de uma passarela quando começou a tocar essa música, do Tim Buckley, pai do igualmente maravilhoso Jeff Buckley. Eu escutei essa música e então fiquei em paz. Respirei o ar do entardecer, observei os carros passando lá embaixo, respirei fundo novamente e segui meu caminho. Era a leveza do meu ser e ele é insustentável, talvez, pela intensidade de todas as minhas emoções.

Oh, como eu posso encontrar o ritmo e o tempo em você?
A menos que você cantar suas músicas para mim
O cheiro de sua pele doce faz complicar o meu sonho
Oh posso ficar aqui por algum tempo vivendo o seu sorriso

Ah, como você poderia saber o que você fez
Você aqueceu meu coração quando eu estava tão sozinho
Mas tudo o que tenho para dar
São os meus sonhos de ir e vir para sempre
Dentro dos rios do tempo você vai me encontrar esperando
Para que você possa encontrar paz em sua mente
Assim, podemos amar de novo

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2 – Todas as dores do mundo

Estou indo periodicamente num hospital aqui de Campinas para tratar de um problema. O tratamento é pelo SUS e este hospital é centro de referência nacional para o tratamento. É incrível o quanto eu levo as dores de todas aquelas pessoas que viajaram quilômetros em busca de tratamento. Na última vez conheci uma senhora e a filha dela, que vinham da divisa do Paraná. A filha dela têm câncer nos ossos e está espalhando para o corpo inteiro. Deram apenas 2 anos de vida pra ela. Ela estava pedindo dinheiro para comer. Desci com ela na lanchonete. Ela me disse que nunca tinha comido goiabinha e que a filha dela gostava de chocolate, mas ela não tinha condições de comprar. Gastei cerca de 30 reais, com coisas simples, frutas, suco, água, biscoitos (“Minha filha adora biscoito, ela me disse…), 2 salgados, chocolate e goiabinhas. E então ela me disse que nunca tinha comido tão bem na vida. Ela me disse que veio para Campinas unicamente pela fé, porque todos disseram pra ela que a vida da filha dela teria seus dias contados. Eu chorei, eu nunca vi uma expressão tão triste numa pessoa, quanto eu vi no rosto daquela garota. Parecia que a morte havia tocado nela, e ali estava apenas um corpo. A expressão dela era de dor, desesperança, desespero…E eu nunca me esqueci, da mãe dela com três dentes na boca, que nunca tinha visto uma goiabinha, da garota com o rosto encostado nos ombros da mãe. Eu saí daquele hospital chorando. Fui para o Giovanetti e enchi a cara de vinho. A garota têm só quinze anos, e segundo a mãe dela me disse, ela nunca teve infância, pois os ossos dela são frágeis demais. E nós aqui, reclamando por tão pouco…

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3 – A flor do asfalto

A flor branca, que nasceu entre a calçada e a rua continua lá. Hoje estava no ponto de ônibus, e observei isso. E parecia que ela estava ainda mais bonita. Um cachorro passou ali, ergueu as pernas e urinou nela. E ainda assim, ela permanecia bela, ali, ignorada, entre a calçada e a rua. E os lunáticos continuam passando, como eu, olhando para ela e sorrindo, porque as demais pessoas,passam por aquela flor, e nem ao menos olham pra ela.

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4 – Eu sei…Acabou, aquilo que nunca existiu.

“Se você é tão engraçado
Por que então está sozinho esta noite?
E se você é tão inteligente
Por que você está sozinho esta noite?
E se você é tão divertido
Por que você está sozinho esta noite?
E se você é tão bonito
Por que você dorme sozinho esta noite?

Eu sei… Por que esta noite é igual a qualquer outra noite
É por isso que você está sozinho esta noite
Com seus triunfos e encantos
Enquanto eles estão nos braços um do outro”…

O Amor é engraçado. Nos faz de besta o tempo inteiro. Sinceramente?Eu não ligo!A vida é muito curta para desperdiçarmos nossas emoções. Eu errei?Eu fui trouxa?Ele riu da minha cara?Eu não me importo. Eu fui sincera, o tempo todo, talvez, eu tenha me enganado, talvez ele não seja nem metade daquilo que eu o considerava, com todas as perfeições e imperfeições que ele carrega nos ombros tão pesados dele. O mais importante, é que um dia eu amei aquele homem, e por mais que talvez ele nunca mais me dirija a palavra, eu não me arrependo. A vida é muito curta para arrependimentos. E se eu Amar novamente, cometerei o mesmo erro, e vou usar um emaranhado de palavras para isso. Posso passar uma ou duas noites chorando, mas são histórias que eu vou levar comigo. Vou chegar para minha filha: “Um dia, eu conheci um rapaz, e ele tinha os olhos gentis…”

É tão fácil rir, é tão fácil odiar
É preciso força para ser gentil e carinhoso
Acabou, acabou, acabou
Sim, é tão rir, é tão fácil odiar
É preciso coragem para ser gentil e carinhoso
Acabou, acabou

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5 – Escrever sem muso inspirador

A good heart will find you, just be ready then

É uma bosta, escrever sem uma fonte de inspiração. Talvez eu pense no Heath Ledger, mas ele está morto, ou no Ewan Mcgregor, mas eu queria algo mais real. Algo que eu pudesse ter ao menos um pingo de esperança de todo o meu sentimento ultrapassar as linhas deste blog. Algo que eu pudesse repetir tudo, olhar nos olhos, e contar toda a história novamente, passar da prosa, da poesia, para uma canção ou uma conversa ao pé do ouvido. Mas a vida continua, eu sigo ela leve como uma pássaro e eu acredito nos dias melhores. E toda a minha dor de nunca ter tido ao menos uma resposta, talvez passe com o bálsamo do Tempo. E os ventos me trarão uma inspiração nova. Eu não tenho pressa, caminho debaixo do sol com a mesma intensidade que ando descalça na grama em dias chuvosos.

PS: Para quem não entendeu porra nenhuma, basta ler o texto “Plêiades”.

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6 – Um sonho e lágrimas

E ela, ao se desiludir, teve um último sonho com seu amado. Ela saiu de um lugar escuro e frio, estava escondida embaixo das cobertas, e em cima da mesa havia um vaso de flores, vermelhas, como sangue. Neste lugar tinha uma janela, e quando ela abriu a fresta da cortina, lá estava ele, imponente, com calças sociais e uma camisa branca. E ele sorriu, era um sorriso sarcástico, e ele balbuciava “Sua louca”, ela fechou a cortina e amou aquela última aparição como se fosse a última. E o corvo diz: “Nunca mais, nunca mais”.

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7 – Apenas mais um poema

Eu ouço o som de um violoncelo
E ele sempre me parece triste,
Se eu visse estes olhos,
Talvez exista algum brilho nele.

Talvez nesta rosa com espinhos,
As pétalas falem mais suavemente,
E elas se desmancham em minhas mãos,
Tingem minhas emoções, tão entediadas.

Toque-me, sem medo, chega bem devagar,
Não se assuste com minhas cores,
Elas extravasam, mas elas estão contidas,
Dentro de uma caixa, quero me esconder…
Das cores frias…Do inverno em minh’alma.

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8 – Sorveteria

Hoje saí do almoço com os companheiros de trabalho e fomos numa famosa sorveteria que têm aqui no Taquaral.De repente um monte de crianças chegam, e as mulheres do caixa entram em desespero. Eu peguei meu picolé de maçã verde e senti, ali naquele momento, saudades…Saudades daquele tempo que eu não tinha que me preocupar com absolutamente nada. E essas crianças…Querendo ser adultas tão cedo!Saudades da minha infância…E me sinto…Tão velha…Eu olhos para as minhas mãos, vejo meu rosto no espelho, e então me vejo, sentada numa varanda, com um cachorro cego e surdo ao meu lado, as crianças, meus netos correndo pelo quintal, e meu marido, um homem que amei e briguei durante anos, dormindo e babando na cadeira ao lado. Talvez eu me lembre do dia que eu pedi um picolé de maçã verde, e eu sentirei saudades.

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9 – Baleen Morning

Meu corpo cansado, se arrasta nas manhãs chuvosas,
Eu me encosto-me ao canto da janela, e as gotas de chuva,
Tão tímidas, brincam dançando no vidro e eu me emociono,
Elas dançam, elas escorrem, como lágrimas nestes meus olhos,
Meu Amor se foi, e ele nem sequer olhou pra trás,
Não me disse nem ao menos um “Adeus” …
Tranquei minhas emoções numa caixa, com cadeado,
Meu coração está fechado, ele bate devagar, baixinho,
Machucado, existe uma dor aqui, mas ninguém vê,
Um beijo nos meus ombros, um sorriso encantador,
E então talvez ele possa voltar a viver de novo, intensamente.

Lá fora chove, e por dentro minhas emoções,
Escorrem, como um rio que corre em direção ao mar,
Minhas águas agora, tão negras, ficarão cristalinas,
Quando o Tempo resolver dar um mergulho, e ficar horas,
Nessas minhas águas tão profundas, um barco navega,
Vazio, sem rumo, talvez um dia ele chegue ao meu cais,
Com uma beleza tão suave e encantadora, talvez cega e surda…
Um dia eu vou esquecer que te amei, e esses meus passos,
Serão mais leves, e os dias menos chuvosos,
E ele terá os olhos tão ou mais gentis que os teus,
E estenderá as mãos, e nós vamos dançar…Na chuva…

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