Just like woman.

Estava chovendo desde o começo
E eu estava lá morrendo de sede
Então eu vim aqui…
E a sua antiga maldição machuca
Mas o pior…É essa dor aqui dentro

Sentada numa mesa de bar, ela não sabia bem o que estava fazendo ali. A chuva caia lá fora, mansa, e o seu copo de vinho barato estava pela metade, seu corpo também…pela metade…seu coração…inteiro, porém de ressaca eterna. “É o quinto copo”, ela pensou, a música decadente tocava um acorde triste. Ela podia ser a bailarina triste do fim da noite, aquelas que perderam o Amor no dia do espetáculo. Ela amou tanto, e nem ao menos teve algum reconhecimento, ela finge apenas, que tudo poderá dar certo um dia. Mas ela sabe, na sua cabeça de garotinha, corpo de mulher, que a mágoa, a frieza deixada por seu tão eterno amor, é uma realidade de fato. Ela toma um gole do vinho barato, desce azedo pela garganta, e ela sorri, daqueles sorrisos sarcásticos de canto de boca. Ela pensou que ao chegar em casa, jogaria os sapatos nos cantos, tiraria as roupas e tomaria um banho morno, e talvez cantasse alguma música, não se importando com os vizinhos. Ela canta mal, mas até agora ninguém reclamou, nem dela, nem do vizinho que canta músicas nipônicas, “Eu canto melhor…muito melhor”. Se naquele bar deprimente de cidade universitária tivesse um karaokê, talvez ela cantasse alguma música brega-deprimente, com o copo na mão, balançando de um lado para o outro. Talvez ela poderia até chorar, timidamente alguma lágrima escorreria no rosto. Eram as dores de um Amor não correspondido, e isso doía profundamente, e ela anestesia a sua dor com álcool, pois a ressaca do dia seguinte lhe dá uma dor de cabeça forte, e isso faz com que ela não tenha tempo pra pensar muito. Ele não se importa, ela tenta não se importar.
Ela sempre tem fome, unicamente do seu Amor. Poderia amá-lo uma única noite e nunca mais vê-lo, poderia fingir que seria apenas sexo, que não haveria nenhum Amor,nem sentimento, nenhuma conexão, apenas uma simples e selvagem troca de fluidos, apenas unicamente sexo…sexo…e mais sexo. Mas ela sabe, no final estaria apenas mentindo pra si mesma, pra ela não seria apenas…sexo…Ela até tentou, abrir os olhos e dar uma chance, para outros possíveis amores. Ela tinha um amigo, sexy,interessante, inteligente. Um belo dia, houve um convite, uma amizade colorida. Ela estava naquelas de ligar o botão “Foda-se essa merda”, e resolveu ser inconsequente, ser mulherzinha, afinal, como diz sua mãe, “ninguém vive de Amor”. Saíram três vezes. Mas era apenas sexo, ela queria Amor, e não encontrou, tentou se apaixonar, mas foi em vão. Não era aqueles braços que ela queria estar, não era aquela conversa no parque que queria ter. Aqueles olhos castanhos não eram os olhos castanhos que ela queria desvendar. Nada ali era real, era apenas uma cena de uma ficção, ela ensaiou, mas acabou saindo uma atriz de quinta categoria.No terceiro encontro foi embora pra casa, e decidiu que seria o último encontro. Aquilo não fazia sentido pra ela. Ela prefere ser careta, sozinha, mas não quer amar em vão. Sexo casual não é sua praia, mas com ele, aquele que vira sua vida de cabeça pra baixo, ela aceitaria fingir que seria sexo casual, frio e sem sentimentos, apenas a questão das necessidades humanas, apenas atração física.
Ela virou o resto do copo de vinho, ainda ficou um tempo no balcão, observando as pessoas. Ela quer apenas, ordem, clareza e sinceridade. O próximo homem que tiver nos braços, será apenas aquele que conseguirá fazê-la esquecer? Ela não nega, esse Amor, ela não sabe, se um dia, talvez, nessa escuridão que os envolve, haverá alguma luz, ou se ele será daqueles amores que duram a vida toda, como um naufrágio, escondido, mas que sempre estará lá. Seu coração é um cais de porto, naquelas águas mansas e por vezes revoltas, ela queria apenas que ele navegasse, e que ancorasse seu barco ao final da noite. O Amor deveria ser igual poesia, mas muitas vezes faltam as palavras, ficam apenas, talvez, as perguntas, e elas podem nunca serem respondidas, talvez porquê nunca foram questionadas. Ela chega ao final da noite, semi-embriagada. Pagou a conta do balcão e chamou um táxi. Naquela madrugada, após o banho, deitaria seu corpo na cama, e em seus sonhos de bêbada, talvez a realidade seja mais bonita, e lá ela não precisa fingir que não haverá Amor.

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