Vou começar a prosa de hoje, citando o saudoso Renato Russo:

“Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo estou tentando me defender
Digam o que disserem O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição.”

Estamos aqui, no inverno, sendo mais exata, no fim dele, aliás, que raios de inverno foi esse?Estando frio ou não, o inverno é estação onde todos querem um pézinho para entrelaçar embaixo das cobertas. A estação em que os corpos se juntam para transmitir calor, mesmo o fato de sair pelado(a) das cobertas nesse frio não ser lá uma sensação muito agradável, mas dependendo do esforço efetuado nos exercícios inter-humanos (se é que vocês me entendem), não vai ser tão frio assim. Mas existem pessoas, tipo, eu e você, que talvez esteja sozinho também, que muitas vezes se coloca a pensar na solidão do mundo. Estamos todos esperando por afeição?Mas nós respeitamos os sentimentos um dos outros para termos afeição, ou somos muito mesquinhos?Coisas do coração humano, que muitas vezes não sabemos exatamente o porquê fazemos isso. Talvez, creio eu, por medo de se envolver e acabar de decepcionando. Nós temos muito medo da rejeição, das críticas, do fracasso, por isso muitas vezes deixamos as coisas para trás, sem explicação, por puro medo da rejeição. Sendo assim, nós ficamos arrogantes. Sim, o ser humano é muito mesquinho…

Cada um imerso na sua própria arrogância…

 

Ah…vida real! Como é que eu troco de canal?

Eu estava falando com um amigo muito querido, sobre essa questão de relacionamento. Quem me lê, quem me conhece, sabe que eu sou o tipo de pessoa que tem as entranhas para fora. Eu sou uma pessoas intensa, e isso muitas vezes assustam as pessoas. Eu tenho dificuldade de iniciar um relacionamento com uma pessoa, por n motivos.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro… Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo… Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol! Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música…

Eu sofro do “Mal de Snoopy” e você?

Estava lendo uma matéria sobre a solidão, onde um tal de John Cacioppo, filósofo e especialista no tema “Solidão” diz que as pessoas estão cada vez mais se acostumando com a idéia de que ser sozinho não é mais uma coisa tida como “vergonha”.

Ainda que o isolamento físico contribua para a sensação de solidão, ela é muito mais do que isso. Podemos estar casados, ter uma família numerosa ou estar no meio de uma multidão e, ainda assim, sentirmo-nos sozinhos. A solidão é uma condição psicológica caracterizada por uma profunda sensação de vazio. É um estado adverso que, do ponto de vista evolutivo, nos motiva a mudar – a procurar companhia. Assim a sensação de isolamento tem efeito semelhante ao da dor e ao da fome. O desconforto que a solidão provoca foi uma das forças que nos impeliram a procurar a vida gregária, a preservar o corpo social – imprescindível para a nossa sobrevivência e prosperidade. Nos primórdios da espécie humana, sobrevivemos apenas porque nos mantivemos em bando, o que garantia a proteção mútua.

Eu não sei definir, o que pode ser pior. Estarmos rodeados de pessoas ao redor, mas nos sentirmos sozinhos. Conheço muitas pessoas que são populares, vão para a balada todo final de semana, postam fotos cercadas de pessoas, mas reclamam que estão sozinhas, pois aquele monte de pessoas ao redor não as fazem sentir a pessoa mais completa do mundo, ou, nem precisa sentir-se a pessoa mais completa, até porque eu acredito que ninguém se sente completo. O ser humano nunca está contente, vai sempre precisar de algo, seja apenas mais sexo, mais amor, mais atenção, mais morangos com chocolates ou simplesmente mais uma ou duas caixas de Bis de limão. O meu caso em particular, não sou uma pessoa de muitos amigos, posso contar nos dedos aqueles que posso contar, aqueles que eu sei que ao lado deles não me sentiria sozinha. Nos finais de semana não costumo sair muito. Gosto de ficar em casa no meu canto, sair para caminhar, ler um bom livro, e é claro, escrever. Muitas vezes as pessoas me perguntam se isso não me incomoda, essa questão da solidão. Se eu disser que não, é óbvio que estarei mentindo. Muitas vezes me sinto absurdamente sozinha, contando apenas o barulho de meus passos numa caminhada solitária ao entardecer. Tenho meus momentos de crise de choro, meus momentos que quero socar a parede, mas quando estou assim, vou pro parque do Taquaral, e fico em um gramado ou embaixo de uma árvore, para pensar na vida. Isso me acalma. As pessoas me vêem sozinha ali, podem imaginar que eu sou uma pessoa triste, mas não, apenas sou uma pessoa tentando lidar comigo mesmo, nos meus momentos de fúria ou má compreensão por parte dos outros. Tudo seria perfeito, se todos compreendessem o vazio das pessoas, e talvez não vissem como frescura ou viessem com a clássica frase: “Mas tu é uma mulher(homem) tão bonito(a)!”, desde quando a beleza ou falta dela tem álibi quanto ao fato de nos sentirmos sozinhos?

Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Dizem que o mal do século é a solidão. O que fazemos para combater a solidão?Hoje eu acredito que o ser humano deve aprender a conviver com ela. Nós temos que aprender a conviver com nossa própria escuridão. Conheço inúmeras pessoas que pregam “Solteira sim, sozinha jamais”. Qual o problema nisso?As pessoas estão constantemente desesperadas em achar sua tampa de panela, mesmo que isso implique nessa frase tão ambígua, e bem discutível. A pessoa que sabe conviver bem consigo mesmo, não necessita trocar saliva com 10 caras ou 10 mulheres numa balada ou levar uma mulher pra cama todo final de semana. Isso é a maldita autoafirmação. Sozinha jamais…ok?Porque você faz isso?É o maldito medo da solidão. O ser humano é mesquinho, diz que não tem medo da solidão mas pega herpes de dezenas de bocas na balada pra não ser taxado de “forever alone”. Toda vez que eu ouço essa frase, “Solteira sim, sozinha jamais”, eu fico pensando o quanto nós somos hipócritas. Além da única certeza que temos nesta vida, o nosso maior temor, depois da Morte, é o medo de sermos aquelas pessoas sozinhas e frustradas que criam animais desenfreadamente, aquelas pessoas que a única coisa que sobrou, é o amor dos animais, pois eles não exigem nada em troca, ao contrário de nós, que estamos sempre esperando que o outro ofereça o lenço para assoarmos o nariz ou que estenda o casaco numa poça para passarmos, e muitas vezes, a pessoa faz isso por você, mas ele é somente o seu amiguinho legal, e o coitado ou coitada têm de ficar escutando seus elogios de “Nossa, seria tão bom se todos (as) homens (mulheres) fossem iguais a você” e as lamúrias de ter se envolvido com o cafajeste ou com a vadia dos peitos fartos e bunda perfeita, porém sem cérebro, que te coloca mais galhos que cabeça de cervo das montanhas. E ainda tem que aturar a pessoa falando que não existe homem ou mulher que preste, que mulher só pensa em dinheiro ou que homem não presta. Se você é uma pessoa que só se envolve com vadias ou com aquele cara bonitão e sem princípio que todo mundo sabe que só não come a sua mãe porque ela ainda não piscou pra ele, sinto muito, mas você não tem direito nenhum de reclamar. E nós, que nos respeitamos como pessoas, nós estamos perdendo nosso tempo, tendo medo, aquele medo da rejeição, da perda, do risco. Estamos sempre nos protegendo, tão mesquinhos, dentro de nossas esferas que tentamos em vão reproduzir um mundo perfeito, onde os riscos só ocorrem não por nossa culpa, mas sempre por conta de terceiros. E nós nos lamuriamos todo o tempo por não sermos correspondidos, mas nem ao mesmo tentamos dar uma chance para nosso sentimento. Todo mundo um dia já fracassou ou passará por uma situação que terminará um relacionamento e vai ter que colocar a vida em ordem novamente, e é incrível o quanto ficamos mais duros e rabugentos com nós mesmos, o medo da repetição, da separação, das lágrimas de retorno pra casa, pós-separação, a briga na justiça pelo divórcio. Estamos cada vez mais fadados a termos medo do fracasso e não nos arriscarmos mais. Estamos o tempo todo com medo de dizermos “Eu te amo”, por perda de adicionarmos mais um erro no nosso “livros dos dias, o livro dos nossos amores”.
Tem uma música, que eu ouvi infinitas e infinitas vezes hoje, é a belíssima “Eu preciso dizer que eu te amo”:

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

E pra terminar, vou colocar o porque nos sentimos sozinhos, e porque coloquei um trecho do Renato Russo no início:

Nós, eu, você, ele e ela, a imensa maioria dos bilhões de pessoas neste mundo, estamos o tempo todo tentando nos defender. Nos defender do quê?Nós sentimos medo, angústia, tristeza, temos medo de nossos dilemas e suas consequências, temos medo de amar e não dar certo. E assim, nós seguimos sorrindo pra todos, com nossa beleza e educação. Entendem? Aí está a nossa arrogância, pois estamos nos escondendo por trás de uma falsa felicidade, mas na verdade estamos esperando afeição e compreensão das pessoas, o tempo todo!Nós colocamos nosso sorriso estúpido e nossa cara de “tudo azul, tudo rosa, a mil maravilhas”, “made in paraguay”, ou “made in china”, se preferir, e o que nós fazemos?Nós esperamos que as pessoas ao nosso redor tenham a capacidade de entender nossos problemas, ou enxergar que não estamos bem, como se isso fosse a coisa mais fácil deste mundo. E aí está, meus amigos, o nosso cinismo: “E aí?Tudo bem?”, “Tudo ótimo!!!”, “está namorando?”, “Não, estou solteira, mas sozinha nunca”. Mas quando chega à noite, depois de uma balada com todos os amigos, dezenas de fotos postadas, muitos beijos na boca de desconhecidos, ao deitar na cama e encostar a cabeça no travesseiro, o fantasma da solidão vêm sussurrar nos ouvidos. E lá vamos nós, imersos na nossa arrogância e esperando um pouquinho, mas só um pouquinho de afeição…

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2 comentários sobre ““Digam o que disserem: O mal do século é a solidão.”

  1. oi~~
    Pasando aqi pra diser que ceu blog ta deiz! passa nu meu http://www.blablablablabla.bla
    bejos
    ——————–

    O lol. o comentário acima ilustra uma pessoa anestesiada mentalmente para ler coisas brilhantes. Como este seu post, dona Ana.

    No entanto, mantenho meu raciocínio de antes sobre o mal do século, que eu acredito que não comentei com vc. Não acho que seja a solidão. Pois a solidão é um estado do ser humano que é consequencia de algo maior, a Dúvida. A dúvida nos aprisiona dentro de nós mesmos, a ponto de reprimir nossos instintos, nossa vontade de lutar pelo nosso ponto de vista… nos reprime também a ponto de nos entocar dentro de nosso estado de falso conforto (porém com um fraco desejo de mudança), com medo de tomar novamente aquele salto de fé que anteriormente haviamos feito, mas tivemos uma derrota amarga. A dúvida é quem causa o medo. Como um cirurgião (permita-me esclarecer isso com um exemplo fora do contexto amoroso) aceitaria tomar a vida de alguém em suas mãos para tentar salvá-la, mesmo que com uma taxa de sucesso menor que 7%? A certeza e a auto confiança faz com que ele não possua dúvidas. Sabe que 7% é uma margem alta, ainda, porque 7 é maior que 0. E o faz. Salva a vida do paciente (ou mata ele mesmo, mas tem a sabedoria de entender que usou todos os esforços e quebrou limites para tentar salvar o paciente, porque realmente o mesmo estava muito, mas muito pior e a taxa de sucesso era muito menor)

    Mesmo com esse ponto de vista, ratifico que minha consideração sobre o seu post ser brilhante reflete no fato de eu concordar com grande parte das coisas que vc expõe aqui. É foda mesmo.
    Mas para o meu ponto de vista, a dúvida é o dono da marionete solidão.

    flwz Ana! bjo

    PS: A parte que disse que o seu blog tá 10 é verdade. Considerando que a nota vá de 0 a 5.
    Tem um conteúdo muito rico aqui. Vc se empenha na hora de postar. Keep up the good work!

    PS2: dps preciso te contar algo.

    PS3: não, não tenho um blog. Yet.

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