Solitude – Nosce te Ipsum

Este bichinho simpático é conhecido como Eremita. Ele vive sozinho dentro de sua concha, mas ele necessita da interação da Anêmona. Isso se chama Simbiose. Nós, humanos, assim como o Bernardo-Eremita aí da foto, temos que aprender a conviver sozinhos e ao mesmo tempo conviver com outras pessoas ao nosso redor. A solidão não é benéfica quando vista da perspectiva da redoma de vidro.

We sail,
through endless skies,
stars shine like eyes,
the black night sighs.

Estive muito tempo pensando sobre a solidão. Aquela questão de se aprender a conviver bem consigo mesmo, sem ter que viver dentro de um escudo de isolamento. Aquela coisa de se conhecer. Quantas pessoas já separaram um tempo para colocar a vida em ordem, tirar um tempo para si, mas sem ter que se afastar de tudo e de todos? Isso não significa ser uma pessoa egoísta e anti-social, que não quer ver outras pessoas pela frente, não significa que você odeia as pessoas ou que é uma pessoa triste e infeliz, apesar de neste período normalmente diminuirmos bem as interações sociais, por estar num profundo momento de reflexão pessoal. Estou falando de solidão, em ambos os sentidos, digamos, espiritual e pessoal também, não somente na condição de relacionamentos amorosos, capiche?

Conhece a ti mesmo?Não somos meros coadjuvantes nessa vida, a vida é como uma simbiose entre uma anêmona e um paguro-eremita, ela é harmoniosa e recíproca quando sabemos viver respeitando os espaços um do outro, sem exigências e sem exigir nada em troca, trocando experiências de vida, de maneira que os indivíduos cresçam. O paguro tem a proteção da anêmona que protege sua estrutura frágil, a anêmona se beneficia do deslocamento do paguro para obter alimentos de maneira mais ágil. Vivemos em simbiose, uma proto-cooperação. Quem vive em uma redoma de vidro, é sufocado pela própria existência. A solidão só é benéfica quando temos um tempo para aprendermos mais sobre nós mesmos e nos tornarmos atores principais de nosso próprio palco, afinal nós nascemos sozinhos, e isso é uma condição natural do homem. Quando aprendemos a lidar com nossa solidão, nos tornamos fortes o suficiente para sermos anêmonas ou paguros na vida de outras pessoas.
Como eu já escrevi no post anterior, eu costumo fazer uns programas “alone”. Eu gosto de por exemplo, entrar numa livraria ou numa FNAC da vida e ficar horas e horas lá dentro, ou sair para caminhar, 1 ou 2 horas de caminhada diárias. Eu faço isso para colocar os pensamentos em ordem, para ter novas idéias, pensar e repensar em atitudes, e muitas vezes apenas observar ao redor. É um tempo que reservo pra mim, esqueço trabalho, esqueço tudo. Eu vou para a aula de flamenco, e depois faço uma caminhada em Barão Geraldo, até chegar em casa. Já me falaram que é perigoso, mas enfim, existem pessoas que certas coisas só na base da porrada mesmo. Eu gosto de caminhar, e gosto de caminhadas noturnas. Eu sempre achei a noite uma coisa belíssima, assim como finais de tarde, quando fica aquele clima barroco no ar, jogos de sombra e luz, aquele céu meio laranja, ou arroxeado.
Quando saio, depois das horas na livraria e algumas vezes cinema, eu gosto de sair para tomar um vinho e comer alguma coisa, fazer uma “gordice” solitária. Costumo ir no restaurante Monte Bello, no Parque Dom Pedro. Lá tem rodízio de pizza por preços bem acessíveis, e tem aquele suco de uva integral Mitto, que é uma delícia. Vinhos eu costumo tomar no Giovanneti, que possui uma carta de vinhos de melhor qualidade, ou compro uma garrafa e levo pra casa, para tomar enquanto leio ou escrevo algo, ou simplesmente ficar sentada largadamente na minha cama pensando na vida. Vinho é uma bebida para se tomar vagarosamente, pensando na vida, uma bebida para se tomar sozinha(o) com no máximo mais uma pessoa, se é que me entendem…sabe…o clímax…vinho vermelho igual paixão…capiche?São nestes locais, dentro de restaurantes, que eu me sinto julgada. É engraçado a reação das pessoas ao ver uma pessoa comendo pizza sozinha, parece bizarro, mas acontece mesmo. Quando eu entro no restaurante, depois de ter escolhido a mesa e disposto as minhas comprinhas numa cadeira ao lado, o garçom pergunta se estou esperando alguém e eu respondo que não. No restaurante Monte Bello, como já sou cliente assídua, na última semana o garçom perguntou se poderia fazer uma pergunta pessoal: ele me perguntou se eu não me sentia sozinha, e eu sempre fui pra lá sozinha, de noite, aos finais de semana, em um lugar cheio de pessoas confraternizando, casais trocando juras e carinhos suaves no rosto, dividindo garrafas de vinho, tomando na mesma taça, ou entrelaçando as taças, ou muitas vezes discutindo a relação.  As pessoas olham para você como se fosse uma pobre coitada,  elas te olham e comentam a sua “solidão” com as pessoas ao lado, e eu apenas observo ou simplesmente tiro um livro da sacola e me coloco a ler, intercalando a leitura com algumas espiadinhas ao redor. Sou uma pessoa detalhista. Eu gosto de detalhes, gosto de observar. Eu sento em uma mesa, gosto de observar o movimento, o comportamento das pessoas, seus gestos, peculiaridades e eu me sinto absurdamente viva, e acho engraçado a reação das pessoas: “Ana você vai num rodízio sozinha?”, falou um amigo meu com cara de espanto, como se isso fosse a pior coisa do mundo que acontecesse na vida de alguém. Eu vi, algum tempo atrás, um trecho do livro “Quando Nietzsche chorou”, do Irvin Yalom, que falava sobre a solidão. Dizia o trecho que a pessoa que sabe abraçar a solidão, que sabe viver como uma águia, será uma pessoa mais forte em um próximo relacionamento, porque não usará o(a) companheiro(a) como um escudo anti-isolamento. Eu vejo muitas pessoas por aí em um desespero quase doentio, em um medo intenso de ficarem sozinhas, como se a solidão fosse um bicho de sete cabeças e que a vida será assim sempre, como se a pessoa será “forever-alone” para a vida toda. Eu tenho uma amiga que brinca que ela vai ser daquelas pessoas que sentem compulsão em pegar animais, ela diz: “Eu vou ser aquelas tias com mais de 100 gatos e muitos cachorros cagando alucinadamente no quintal e eu a recolher fezes o dia inteiro, porque a única coisa que me restará é o amor dos animais, pois eles não pedem nada em troca, faça um simples afago diário, os leve para passear, água e comida, apenas isso”. Concordo sobre a opinião dela sobre o amor incondicional dos animais…Mas acredito que não é bem assim que funciona. As coisas apenas acontecem na hora e momentos certos que tem que acontecerem, as consequências que vêm depois são unicamente culpa de nossos atos. Se agirmos corretamente e sermos sensatos, as coisas vão se encaminhando, mas…é tão difícil não tropeçarmos e deixar de sorrir para a impulsividade, deixar de agir sem pensar…

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não no outro.

A grande maioria das pessoas vêem a solidão, tanto amorosa quanto “social” como uma espécie de morte, e querem desesperadamente preencher o vazio que sentem com a primeira pessoa disponível que aparece pela frente, muitas vezes, brincando com sentimentos ou no caso da solidão “social”, o fato de não serem capazes de ir numa sessão de cinema desacompanhadas, por exemplo. Lógico que Amar é bom, sair com os amigos, todo mundo quer uma pessoa ao lado certo?Todo mundo fica angustiado quando está amando alguém e não pode ter a pessoa ao lado, afinal, é bom ter alguém para partilhar as emoções do dia a dia, ou quando não tem nenhum amigo para acompanhar numa festa, ou assistir um filme e rachar a pipoca.
Quando falamos sobre os relacionamentos amorosos, pessoas que conseguem lidar com a solidão,  sabem respeitar melhor os espaços, sufocam menos o relacionamento, pois passam a enxergar que todo mundo precisa de um tempo para si. Eu confesso que o sufocamento e a pressa foi um dos fatores que me fez terminar um longo relacionamento. Eu tenho colhões o suficiente para admitir, que o fato de eu não ter aprendido a conviver com a solidão, como hoje estou sabendo lidar, me fez sufocar o meu companheiro de uma certa forma, e eu não enxergava que eu conseguiria fazer as coisas sem depender dele. Uma amiga me disse um dia que eu era muito dependente, na época eu discordei, mas hoje eu vejo que sim, eu era muito dependente, e eu não precisava disso. Claro, isso não foi, o fator principal do término, mas colaborou para o desgaste, para as brigas intermináveis, a falta de diálogo, troca de ofensas.
Depois que terminei o meu relacionamento e voltei para minha cidade natal, me senti desnorteada. Muitas vezes sentei e chorei porque não sabia o que seria da minha vida dali em diante, porque toda a minha vida virou de pernas para ar. Foi como se eu fosse uma criança perdida. Aos poucos e com apoio de minha família e amigos, fui reconstruindo minha vida, e foi como se eu tivesse renascido. Quando eu arrumei um emprego, decidi que sairia da casa de meus pais, até porque nos últimos 2 anos, morei fora, tinha uma certa independência. A princípio eu queria dividir um apê ou uma casa com alguém. Mas depois, eu repensei e decidi morar sozinha. Hoje eu digo que foi a melhor escolha que eu fiz. Nunca amadureci tanto em curto espaço de tempo. Hoje eu me amo mais, enxergo o mundo com outros olhos. Eu posso dizer com todas as palavras que nunca me senti tão mulher como eu me sinto hoje. Hoje eu sou uma mulher que acredita no meu poder pessoal, muito mais segura de minhas atitudes, uma pessoa sem medo. Antes eu tinha muito receio de demonstrar uma atitude, de demonstrar sentimentos. Hoje eu não perco mais o meu tempo, me escondendo atrás de um muro alto. Eu aprendi a dar a cara para bater, é como ligar o botãozinho foda-se. Antes eu me preocupava muito com o que os outros vão achar. Hoje não mais. Eu escrevo neste humilde blog, e não estou preocupada com estatísticas, não estou preocupada se alguém ou ninguém vai ler, se vão falar a la Bocage, “Esses poema “ficaro” uma bosta”. Antes, eu escrevia meus poemas e jogava fora, porque eu achava que ninguém ligaria para o que estava escrito ali, porque eu achava que tudo o que eu fazia teria de ser importante para os outros. Escrever me faz bem, me lava a alma, me deixa mais leve, porque eu tiro tudo aquilo que eu gostaria de dizer, de uma certa forma é a forma de me mostrar quem eu sou para o mundo. É muito mais fácil me conhecer pelos meus textos, pois tem muitas coisas que eu demonstro ser somente aqui (“Nossa Ana…não sabia que você era romântica…”). É neste endereço humilde e gratuito que eu mostro todas as minhas cores, e lá fora, muitas vezes eu estou apenas em preto e branco. Ficaria muito feliz se alguém elogiasse tudo isso aqui, se tivesse mais comentários, se a pessoa que eu amo e destino 99,9 por cento dos meus poemas não profissionais mas não tão horríveis assim, porém extremamente sinceros, desse mais atenção para o que está escrito aqui, e aparecesse fazendo algum comentário extremamente sutil (eu adoro sutilezas, acho extremamente elegante) ou apenas escrevesse qualquer, mas qualquer coisa,poderia ser “Esses poema “ficaro” uma bosta” , mas isso não é mais um fato de exclusão, de jogar tudo num buraco e colocar fogo, como fiz com meus escritos que eu tinha dos meus 15 aos 20 anos. Eu não vou excluir o blog porque ele não passa da média de 5 a 15 acessos. Aprender a conviver com a solidão, me fez enxergar que a vida está aí para darmos a cara pra bater, e como diz o sábio médico  Flavio Gikovate, a solidão não é vergonha, é dignidade.
E para encerrar o texto de hoje, eu sou teimosa e não aprendo, eu não posso encerrar isso sem falar de Amor, mesmo que seja um Amor que muito provavelmente nunca vai dar em nada, talvez porque deveria ter ficado quieta como sempre, pois eu nunca dei a cara para bater, e nunca fui de demonstrar sentimentos, pois tinha muito medo de julgamentos. Um dia uma pessoa muito especial e que hoje está desaparecida a dias, muito provavelmente ao inferno de final de semestre ou outro motivo qualquer(talvez alguma abdução alienígena, vai saber…), me disse que estava brincando de ser eremita, e eu me lembro(tenho memória de elefante) que ele disse “quando eu brinco de eremita…”. E foi com ele que eu aprendi que brincar de eremita é uma coisa muito bonita e capaz de mudar a forma de enxergar a vida. E desde então eu vivo aqui na minha casinha, na minha montanha particular observando um lago azul imaginário lá embaixo. Talvez eu encontre este belo ermitão por aí, sentado nas pedras(conversando com os musgos, quem sabe, ele disse que ainda não chegou ao ponto de conversar com pedras musguentas), pensando longe, muito longe. Eu daria tudo por pelo menos 1 por cento do que se passa naquela cabecinha complexa e adorável. Talvez, um dia, caso nos encontrarmos, poderíamos acender uma fogueira, sentarmos os dois numa pedra, e então eu vou contar uma história, pois um dia este velho homem me disse que gostava de história…

“Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.”

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Primeira citação: Trecho de Planet Caravan, do Black Sabbath.

Segunda Citação: Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta especialista em relacionamentos humanos. O cara é genial e tem argumentos e contra argumentos sobre tudo no que se diz respeito a relacionamentos.

Terceira Citação: Marla de Queiroz, dona deste blog aqui, que a propósito, escreve muito bem: http://doidademarluquices.blogspot.com.br/

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5 comentários sobre “Solitude – Nosce te Ipsum

  1. Hey dona Ana.
    interessante essa publicação, ou, como diriam Hermes e Renato, “Esta publicação está muito foda. oras porras.”. Eu ultimamente tenho desaprendido a como conversar com outro ser humano porque passo um tempão falando com máquina, se é que me entende. (Garoto de programas aqui). Well, vc me conhece. Ainda sou o mesmo cara rabugento e ímpar.

    Olha, vc é uma pessoa que tem opinião contrária à de muitos que já falaram comigo sobre o fato de ir morar sozinho. Aprecio o fato de como estou certo em pensar que provas de força como essa são bem vistas e praticadas pelas pessoas ainda, ainda mais por alguém que vi, de camarote, desabrochar como uma rosa que cresceu em meio de tanta adversidade. Pensa que eu não lembro dos seus tempos difíceis? Foda. Mas vc tá aqui. E bem. E ler isso, saber que está bem é uma das alegrias que há muito tempo não tenho.

    Bom, eu estou vendo os outros posts hehe. Achei outra coisa para ver além do Family Guy x}
    Keep it up!

    Muchacho

    1. Aproveite!!!Espero muito que goste. A maioria do blog, são poemas a la bocage: “Esses poema aqui ‘ficaro” uma bosta.” Mas voltei para as crônicas e textos em prosa. Poemas são para pessoas apaixonadas, e eu não estou mais nessa vibe, bom, eu ainda estou, mas não vale a pena continuar a declamar o Amor pra quem não está nem aí pra você. Enfim, eu cansei de ser trouxa. A vida muitas vezes judia da gente, e muitas vezes a gente ama demais as pessoas erradas nas horas erradas. Mas enfim, tu me conhece, eu sou o tipo de pessoa que não poupa palavras. C’est fini!C’est la vie!

  2. Bah, guria! Curti tua publicação! Também sou uma independente irrecuperável desde os tempos de adolescente. E, concordo com tudo o que tu escreveu! 😀
    Beijãao!

    1. É extremamente complicado essa questão de se conhecer. Por mais que aprendemos a conviver bem com nossa solidão, a sermos felizes com ela, pois ela nos deu a oportunidade única de conhecer aquele pedacinho escuro e desconhecido, somos seres humanos incapazes de sermos completos apenas com nossa existência. Muitas vezes eu queria me esconder em uma redoma de vidro, e o mais engraçado que já me vi como a Sandy do Bob Esponja, eu vejo a casinha dela como uma redoma de vidro, ela é uma estranha no ninho, uma esquilo no fundo do mar. Hoje eu posso dizer que sou feliz, eu aprendi a me conhecer e amadureci muito, antes eu era apenas uma garotinha devoradora de livros que agia sem pensar(ok…eu ainda devoro livros e muitas vezes não sou nenhum pouco sensata), mas eu vejo que essa minha fase pós-fim de relacionamento(3 anos e meio, não foi pouco né?), foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Eu nunca tirei um momento só pra mim, eu sempre fui muito dependente do calor humano. Eu sai de casa aos 23 anos para morar com outra pessoa, e eu não me permitia fazer nada sozinha, mesmo que isso nunca fosse um problema. Quando tiramos um tempo sozinhos, nós passamos a nos autoavaliar e isso foi muito positivo.É como se passasse um filme de todas as cagadas e acertos que fizemos nessa vida. Enfim, brincar de eremita é algo que eu recomendo para todos, mas confesso que sinto falta de alguém bem específico para entrelaçar os pés debaixo das cobertas ou acender uma fogueira. O inverno é a estação mais triste para os Forever Alones não é?heheheheheheh. E hoje eu brinco de eremita numa selva de pedra e faço de minha humilde kitnet minha montanha, mas eu não sou de ferro e saio com os amigos pra tomar umas brejas e jogar conversa fora.

      1. O meu exercício de autoconhecimento é um pouco diferente do teu… Acho que minha missão é entender o quanto sou parte do mundo, das coisas e das pessoas… Meu grau de dependência emocional é bastante pequeno desde que me conheço por gente. Sempre convivi muito bem comigo mesma e isso me trouxe como consequência uma personalidade bastante forte, em grande parte motivada numa certa dificuldade em confiar nas pessoas. Meu sacrifício de ego foi admitir que preciso dos outros pelo simples fato de existirem e que preciso colocar o nariz pra fora da casca de vez em quando.
        Acredito que eu precise fazer o caminho inverso que tu está trilhando e às vezes eu sinto que estou conseguindo. Mas, confesso que não é fácil… O complicado de se sentir independente é que, se chegamos ao ponto de precisar de alguém, paramos e pensamos racionalmente numa solução para a situação. Em questão de minutos uma solução se apresenta e ultrapassamos aquele problema. Isso serve tanto para um chuveiro queimado, quanto para uma TPM das piores. Claro que isso não significa que eu não peça conselhos ou uma ajuda de vez em quando. Consigo perceber o momento em que meu conhecimento é pouco, a questão é que não me prostro diante de um problema e me desespero.
        Mas, as demais pessoas gostam de se sentirem inexplicavelmente úteis, necessárias, válidas, importantes, etc… É difícil explicar para alguém que gostamos dela pelo fato de que ali, naquele momento em que estamos juntos temos paz, de que não temos motivo nenhum para gostar dela além do fato de que a vida faz mais sentido ao lado dela. Demora muito até que alguém entenda que o amor não precisa ser baseado na carência ou na falta de nada. O amor pode ser baseado justamente na ideia de que temos tudo e escolhemos alguém especial para compartilhar este tudo e crescer a partir disso. Acho que é por isso que jamais tinha me apaixonado até conhecer o Bem…
        Enfim, isso é o que eu sinto, mas as mudanças estão sempre acontecendo.
        Desejo uma baita sorte pra ti na tua caminhada!
        Um beijo grande!

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