(Don’t Fear) The Reaper

No domingo de Páscoa, almoço com a família. Estava um dia muito bonito, todo mundo feliz. Casa cheio, risos e crianças felizes. Vovó estava em casa e fez pudim. Vovó faz pudim como ninguém, e eu digo que está para nascer uma pessoa que faça pudim tão bem quanto ela. Eu sou desastrada com pudim. Eu adoro cozinhar, mas quando faço pudim, todos os meus dotes culinários são jogados no lixo. Por isso nem chego perto. Enquanto minha querida avó estiver viva, ela cuidará dessa parte do pudim. Quem sabe, até lá eu aprenda?Nunca é tarde não é?

Minha cunhada foi em casa também. Ela aprendeu a fazer bombons. E ela levou uma caixa lá em casa. Bombom de licor, com cereja, crocante, de chocolate branco…comi um monte deles. Foi engraçado este dia. Passei o feriado e o sábado totalmente introspectiva, sozinha e extremamente fechada. Só sai da toca à noite para comer alguma coisa que não seja chocolate ou água. E no final da noite comi um pedaço de peixe assado recheado que minha mãe fez. E foi assim, na sexta e no sábado. E no domingo, eu não sei porque diabos eu estava feliz. E quando eu estou feliz, eu faço coisas aleatórias. E a coisa mais aleatória que eu fiz, foi tomar um banho, colocar uma roupa(óbvio, não vivemos numa sociedade adepta do naturalismo) e resolvi andar de moto. Minha cunhada tem uma moto, então pedi pra ela que me levasse até o centro da cidade. E o detalhe mais sórdido disso, é que eu morro de medo de andar de moto. Na quinta-feira antes do feriado, teve um acidente na rodovia SP-304. Estava eu lá, dormindo no ônibus, com fone nos ouvidos, escutando Paco de Lucia(consigo facilmente dormir ouvindo música. E eu digo ainda que já tive vários e vários sonhos com trilha sonora), e continuando, estava eu lá dormindo e talvez babando. Então eu acordei, para olhar aonde eu estava, pois a chance de eu parar em Piracicaba é bem grande. Eu sou desligada sabe?Quando eu me fecho em meu mundinho, é como se me jogasse numa dimensão de um buraco negro, mas o que tem além, é só meu. Ninguém mexe, ninguém coloca a mão. E então eu acordo, assim, meio besta, meio zumbi, totalmente cansada. E então ao olhar a janela, eu vejo um cadáver totalmente espatifado. Foi um flesh de segundos, pois o policial estava jogando o temível lençol branco nele…mas deu pra ver, e essa imagem me deixou mal. Foi horrível e eu me senti mal. E então a única coisa que eu pude fazer, foi orar. Eu não sei para onde vamos, quando nós partimos dessa vida. Mas eu creio na força de uma oração. Eu acredito na Força de algo maior, coisas que a ciência não consegue resolver sozinha. Mas, enfim, voltando, resolvi andar de moto. E quando coloquei o capacete na cabeça e me ajeitei na garupa da moto e então eu me lembrei de uma cena do “Six Feet Under” que o personagem tem um feeling assim. Pega uma moto e sai por aí. Mas é claro, eu queria estar dirigindo, mas ainda não tomei vergonha na cara e não tirei carteira de habilitação. E então, quando minha cunhada entrou na estrada, antes de eu pensar no detalhe mórbido por qual passei, eu fui o caminho inteiro com “Don’t Fear the Reaper” na cabeça. Passava aqueles caminhões enormes, ao lado da moto, e então se sente o deslocamento do ar. E a sensação de liberdade, aquela sensação…do vento batendo no rosto, nesses instantes, eu visualizei a compra de uma moto. Mas…digamos que demoraria muito. Mas enfim, eu sou medrosa, é raro eu abdicar meus medos. E assim foi. Minha cunhada me deixou no centro de Santa Bárbara, na praça central. E foi andando naquela praça, pensando na vida, observando os Sábios falando sobre a vida, jogando cartas marcadas de baralho. E fazia muito…muito tempo que eu não passava por lá. O tempo passa para todos, mas tem coisas que nunca mudam. O s carrinhos de pipoca ainda estão lá…na praça central, e eu ainda morro de medo de andar de moto, mesmo sendo bom…a sensação do vento batendo no rosto.

Came the last night of sadness
And it was clear she couldn’t go on
Then the door was open and the wind appeared
The candles blew and then disappeared
The curtains flew and then he appeared (saying don’t be afraid)
Come on baby (and she had no fear)
And she ran to him (then they started to fly)
They looked backward and said goodbye (she had become like they are)
She had taken his hand (she had become like they are)
Come on baby (don’t fear the reaper)
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