Vanilla Sky e o Coração de Hortelã

Acordei da cama hoje na base do susto e com o coração disparado. Costumo geralmente acordar antes do celular despertar, o que é bom, pois assim eu pego o celular e programo uma soneca ou alguns minutos a toa olhando para o teto, tentando recordar de algum sonho e encontrar algum sentido. Ou apenas: “como vai ser o meu dia hoje?”.

E hoje, segunda-feira, dia 2 de abril de 2012, eu acordei irritada…levemente irritada. Ao final do texto, imenso por sinal, vai ficar sabendo porque eu me irritei. Mas foi uma irritação com fundos de doçura. Me irritei porque o despertador tocou na hora certa, mas eu queria não ter ouvido…eu queria ter sofrido mais na alegria do meu inconsciente, minha angústia seria maior?Não sei…Eu não queria sair daquele sonho, porque nele havia um coração de hortelã, com um componente eletrônico estranho no meio do coração. É engraçado…porque no meu sonho, o hortelã era uma árvore com galhos retorcidos e flexíveis. Uma cheirosa árvore no campus da universidade. A única coisa com sentido ali, era aquela árvore, que apesar da forma “away”, tinha a cor escura…um verde escuro de hortelã. Um verde escuro irlandês!E aquela árvore, foi moldada, estranhamente moldada. Em meu sonho, o sonho desta madrugada de segunda, eu andava pela universidade, com meus livros de arte e semiótica nos braços, sem motivo nem razão aparente para estar lá. Podia ser que eu estava estudando. Eu gostaria de voltar a estudar…talvez eu faça História ou Filosofia…é um sonho também. Bom, vamos voltar ao enredo…

(Continua)

No meu sonho, eu caminhava alegre, mas lá dentro, algo me angustiava, me consumia por dentro. Mas eu sou gentil, não importando o meu estado de consciência. Pode explodir o mundo, mas eu vou ser gentil. As pessoas dizem agora, “Ana você é muito Alto Astral”. E então, perambulando pela universidade, meus olhos estavam perdidas, eu andava como estou sempre, meio desligada, em off. E então no meio do nada, eu resolvo checar meu email. Faz muito tempo que eu não olho meu email, e estou falando disso em tempo real, meu email está abandonado as traças, como diz a minha mãe. De vez em quando eu dou uma olhadinha nele, mas nunca há nada de bom, apenas alguns spams e mensagens de fóruns da área em que atuo. Apenas eu abro meu email, para executar “ações em massa”. Lixeira, e depois, “Limpar Lixeira”. Sendo assim, eu não me preocupo muito.

Continua…

No meu sonho a conexão era surreal, lógico, não podia deixar de ser!Eu achei uma delícia isso!Cômico…curioso!E então, n o meu sonho eu abri minha caixa de entrada e tinha uma mensagem lá, sem remetente. No assunto estava: “Coração de Hortelã”. No instante em que eu abri a mensagem, senti um cheiro de hortelã. Foi algo muito instântaneo…foi muito bom…um cheiro de hortelã fresco. E o email contrariava toda a lógica do mundo real, pois ele chegou a mim somente com o título da mensagem, somente com o assunto, e o meu nome no destinatário. Apenas isso. E então eu saio da sala, e volto a perambular pela universidade sem rumo algum, apenas seguindo o cheiro de hortelã que estava em todo lugar. E então, eu comecei a ficar angustiada, porque eu fiquei emocionada com uma porra de email. E nele tinha apenas “Coração de Hortelã”. E até no sonho eu penso: “Ana, você é uma tola, porque fica alegre com tudo”, e eu acho que sofro de um mal chamado “Bobose Aguda”…mas, eu tenho um pouco de transição, de Bobose Aguda eu parto para um momento de angústia aguda e silêncio total, mas isso dura pouco. Mas nessa transição binária Alegre(1), Triste(0), o cheiro de hortelã fica cada vez mais forte…e no meio da multidão, o cheiro vai aumentando…e ele é divino, extasiante. Cheiros em sonhos, são muito mais intensos que o real, é uma sensação arrebatadora. Geralmente quando eu sinto cheiros em sonhos, aquilo me marca, e eu já tive muitos “dejá-vu”, envolvendo cheiros. Enfim, voltando, isso aqui parece uma conversa, mas eu gosto de conversar…eu falo demais não é?Já percebeu?Acha que eu devo parar com isso?

Continua…

E eu fui seguindo aquele cheiro, que fugia da multidão, e então eu entro num imenso lugar vazio, um gramado bem bonito. E então lá no horizonte, não tão distante, a apenas alguns metros, eu encontro uma árvore. A cor dela era divina…verde escuro irlandês, e é agora, neste momento, que eu vou sair da prosa e entrar num poema:

E naquele campo de incertezas comuns,

Perambulando na universidade, pensando…

Lá naquele lugar em que meus pés não chegam,

Porque são milhas e milhas de distância,

O cheiro intenso de hortelã estava bem forte,

E lá no horizonte, não tão distante, está algo,

Verde-escuro irlandês, com galhos retorcidos,

Cheios de folhazinhas refrescantes…verde irlandês

Quando eu chego lá, na árvore onírica de hortelã,

Eu olho para ela e tomo um susto, eu entro em êxtase,  –*eu gosto muito dessa palavra…êxtase…percebeu?*–

Porque aquilo que eu vejo ali, é uma obra de arte,

Parecia um elemento na paisagem de um quadro de Hieronymous Bosh…

Os galhos da árvore de hortelã, se entrelaçavam,

Formando um coração, um coração verde e cheiroso,

Coração de Hortelã, Coração de Hortelã…

E eu fiquei ali, minutos e minutos…

Sentada naquele lugar, sozinha, olhando

O coração de hortelã…aquilo seria meu…

E naquele coração de hortelã, no centro,

Tinha uma coisa, uma peça de máquina,

Não me pergunte como minha cabeça,

O meu inconsciente fez aquilo daquela forma,

Bem…na verdade, me pergunte…você sabe…

Eu gosto quando você me faz perguntas,

Por mais que eu não saiba o que responder, como é o caso agora,

Eu gosto quando você me pergunta…qualquer coisa…eu gosto.

Voltando ao poema…

Havia uma estranha peça no meio do coração,

E então eu me aproximei, para observar o que era,

E então eu sussurei sozinha: “Deve ser um motor…”

E então fiquei lá, acariciando aquela peça,

Cheia de circuitos, fios, parafusos…

Eu não entendia para o que servia aquilo,

Mas eu achava muito bonito…e quando eu tocava,

As folhinhas de hortelã e aquela peça estranha,

A minha angústia dava lugar a momentos de Paz,

E eu sentia Amor, um bonito e estranho Amor.

E de repente, o meu olfato, o cheiro se mistura,

No meio do cheiro de hortelã, o cheiro verde,

Aparece um cheiro de baunilha…cheiro amarelo…

Eu adoro cheiro de baunilha, desde criança,

Quando eu era criança, minha avó fazia bolo,

E me dava as vasilhas para raspar, e eu pegava o vidrinho,

O vidrinho de essência Oaker…eu adorava, eu ainda adoro,

E eu me lembro, que eu ficava cheirando…aquela essência…Baunilha!

E o cheiro de baunilha, ficou bem forte,

E eu estava lá, admirando ainda mais o coração,

Coração de Hortelã, com fundo de Baunilha.

E então eu sinto uma mão me tocando os ombros,

Eu estava de vestido, meus ombros estavam nus,

E então, eu escuto uma voz…uma voz de Vanilla…

[Vanilla Sky…Vanilla Sky]

“É bonito não é?A forma disso, as cores…”

E então eu olhei para sua cara de Incógnito…

[Incógnito…Quem é você?Ninguém sabe]

E olhar para aquele rosto…O seu rosto…

Foi tão ou mais bonito, que contemplar,

O coração de hortelã…coração de hortelã

E então eu lhe perguntei:

“Você já experimentou mascar folhas de hortelã?”

“Então você sorri rindo: “Não…e você?”

“Eu já…é muito bom, quer experimentar?”

E então eu ergo os braços e pego uma folha,

E quando eu lhe entrego, você me olha,

Bem fundo em meus olhos, perturbador…

Isso me estremece, no surreal e no real,

Enquanto estou largada, em minha cama,

Eu estremeço no mundo real e no meu inconsciente Feliz…

Me faz Feliz…me faz voar…não quero mais acordar…

E então, lado a lado, nós contemplamos,

Aquele coração de hortelã, verde e cheiroso,

E o Vanilla Sky estava sentado ao meu lado,

E o cheiro de baunilha que vinha dele,

É deliciosamente perturbador…

“Você sabe o que é aquilo?”, Ele me pergunta,

“Aquilo o quê?Aquela peça cheia de circuitos?” –

“Sim…Você sabia que aquilo é importante?”

“Não…porque aquela peça é importante?Me explique…”

“Porque é ela que move todas as coisas, nada funciona sem ela…”

“Até mesmo um reator?Um reator nuclear?”

“Sim… querida…até reatores!(…)”

E foi no “Sim…querida…até reatores!”, que a porcaria do celular anunciou a hora de acordar. E em um susto eu pulei da cama. E na luz matutina entrando pelo vão da persiana, meu corpo inteiro arrepiou e o meu pensamento foi “Meu Deus…o que foi tudo isso!”. E o arrepio tomava conta, e não era o frio matutino do outono. Era a folha colorida de outono, agora  com cheiro de baunilha me perturbando lá do alto.

E eu fiquei um tempo, sentada na cama, amaldiçoando o celular que despertou, na hora “certamente” errada. E assim, eu fiquei paralisada, sentada, abraçando os joelhos, extasiada, e um pouco angustiada…e aquilo ficou na minha mente…”Sim…querida…até reatores!”…E eu sentirei cheiro de baunilha, enquanto chupo balas de hortelã, ou mastigar alguma folha do hortelã do fundo do quintal da casa do meu pai…eu lembrarei disso…E a partir de agora, vou te chamar de Vanilla Sky…

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s