Oração

Pessoas gritando, pessoas correndo,

Crianças sorrindo, brincando em círculos,

Há a pressa, há a o ódio, há sorrisos.

Dia após dias, as pessoas seguem seus caminhos,

Num lugar onde pode se chamar de seu, o lugar que se ama,

Ou aquele único que restou, a última opção.

Quando chegar, e deitar seu corpo cansado,

Um novo dia virá coberto pela incerteza.

Por mais planos que sejam traçados,

Há sempre os erros de percurso,

Aquelas esquinas que entramos errado,

Aqueles caminhos na contramão de cada dia,

Fugindo da rotina, fugindo da mesmice.

Um linha torta, um passo em vão,

Um segundo, um gesto, um passo para trás,

E assim mudamos todo o eixo de nossas vidas.

E na contramão do destino estamos então,

Cada passo errôneo, caímos em falso,

Esbarrando no acaso de todos os dias,

Com um sorriso tornamos a graça, o nosso limite,

E assim em passos desnorteados em uma dança,

Em meus passos sem sincronia, estamos na deriva.

Nossos barcos balançam em mar revolto,

Quando chegamos na orla da praia,

Há uma brisa e as ondas estão calmas,

Por enquanto estou na tempestade em alto mar,

E eu achava que lá longe existia um Farol,

Mas ele não está lá, eu sei disso,

Está ventando e estou seguindo meu rumo,

Assim sem destino, sem esperança, apenas seguindo,

Estou me afogando com olhos bem abertos,

Erguendo minhas mãos aos Céus,

Estou pedindo uma vida mais sensata e bonita,

Onde posso ser eu mesma, sem medo, sem medo.

Pessoas choram, correm, falam ao celular,

Enquanto isso, estou distante, estou distante,

Ergui minhas mãos aos céus, buscando sentido.

Um momento após o outro,

Um dia após o outro, Senhor, me dê me um pouco…

Só um pouco de paciência e juízo,

Tire de mim todas as minhas ilusões,

Não existe Farol, estou sozinha, agora

Esse sentimento é só meu, só pertence a mim.

Não me faça acreditar naquilo que não existe,

Não me deixe cair em tentação naquilo que é distante,

Distante, recluso, incógnito,

Por que Senhor?Porque eu gosto daquilo que é distante e complicado?

Senhor, porque eu gosto tanto de sofrer?Me dê apenas amores de finais de semana…

Me permita Amar uma pessoa como um Objeto,

Amar sem esperar absolutamente nada em troca,

Me deixe enxergar tudo como algo banal, sem sentido.

Senhor, você sabe que eu nunca me senti assim,

Senhor, porque fez isso comigo?

Senhor…na orla da praia eu te pedi…

“Senhor, coloque alguém especial no meu caminho”,

E agora você ri, há uma cascata de deboche nos meus ombros…

Senhor, em cada ar que eu respiro,

Me traga a serenidade…nesse tempo de desespero e incerteza.

Que a Ignorância não me acometa, não me deixe cega,

Deixe meus olhos enxergarem apenas a realidade.

Só acredito vendo!Senhor…me deixe ver…me dê o ceticismo de São Tomé.

Senõr, que cada sentimento seja Forte, seja verdadeiro,

Mas que seja exato, e não incerto, que seja real e não apenas dor.

Eu agradeço por cada passo em falso, que segui nesta vida

Eu não amaldiçoo mais meus erros, minhas linhas tortas.

Eu sou intensa como uma orquestra, tenho a saudade de uma criança,

Toda criança tem um amigo imaginário, eu tenho um agora,

Será que ele é real?Só acredito vendo Senõr…

Ele me mostra suas chagas, mas sou pior que São Tomé…

Estou livre agora, estou em paz, Senõr, me dê um pouco mais,

De sensatez…e ceticismo…eu acredito agora…não…eu não acredito.

Senõr, afaste as mãos de meu rosto e enxugue minhas lágrimas…

Senhor, Senhor meu Pai, quantas vezes eu já gritei?

Por mais silenciosa que seja a minha oração,

Você me ouviu, quando eu lhe pedi, aos pés da orla,

Senhor, coloque alguém especial na minha vida,

E assim eu que não acreditava em nada, passei a acreditar,

Mas minha dor é tanta, que estou São Tomé de novo.

Senhor, quero meu ceticismo de volta,

Me faça acreditar, que ninguém pode me Amar,

E que Ilusões não nos trazem nada, apenas a dor.

Senhor, me traga o bálsamo do tempo,

Ele é uma Eternidade, ele cura as feridas,

E é nesse tempo, na paz e na solidão dos dias,

Que eu estou esperando teu apóstolo,

Na calma, no silêncio e na incerteza dolorosa de meus dias.

Me traga o seu bálsamo, para limpar as feridas,

Do meu Amor crucificado na cruz em forma de x.

Ele está machucado, eu posso sentir sua dor,

Só vou acreditar, quando ele me mostrar suas chagas

Enquanto não chega, e pode ser, pode ser Senhor,

Que esse dia nunca chegue, mas eu estarei aqui,

Na solidão, no silêncio, e na minha reclusão.

Talvez…talvez…um dia…eu acredite.

Traga seu apóstolo aqui e me aponte as chagas,

E então eu acreditarei…eu vou acreditar…

Eu somente acreditarei naquilo que meus olhos podem ver…

Mas meus olhos não vêem, mas meu coração sente…

E este sentimento, que eu quero não acreditar,

Agora, neste momento, enquanto eu escrevo,

Gostaria de não sentir nada, nada…

Absolutamente nada, nem as lágrimas, nem dor, nada…

Há um maldito cheiro de caramelo no ar,

Mas estou em silêncio…em silêncio

No escuro, na reclusão, sentindo cheiro

Fios de caramelo em minhas mãos,

Senhor, me tire daqui, dê-me paz,

E um pouco de paciência,

Está tão frio Senhor…eu quero os fios de caramelo,

Mas eu só acredito vendo…e sentindo…

Estou enxergando agora, Pai…Pai…eu enxergo com meu coração…

Meus olhos sangram e estão em constante arritmia,

Seu apóstolo, o irmão de Pedro não está encostado em meu peito,

Porque se Ele estivesse, ele sentiria meus olhos baterem bem alto…

E Mark Twain dizia: “Não abandones as tuas ilusões. Sem elas podes continuar a existir, mas deixas de viver…”

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