“Since I’ve been loving you
I’m about to lose my worried mind
Said I’ve been crying, my tears they fell like rain
Don’t you hear, don’t you hear them falling”

Todas as manhãs no meu mundinho particular. Todas as malditas manhãs que eu me levanto de minha cama sem sentido, entorpecida em sonhos de verão, primavera, outono e inverno. Não me importa se as folhas que caem são vermelhas, se as tulipas esarão amarelas o bastante, se o meu corpo vai ficar dourado no próximo verão. É vivendo os dias, um dia após o outro, que vou me rastejando feito um verme, um verme tão feliz, mas porém um verme. Aquele verme que vai te perfurando as entranhas, sugando sua alma. Lá no escuro está eu gritando, uma súplica silenciosa que se arrasta com a treva do tempo. E naquele calor de verão, eu sinto um suor frio escorrer pelas minhas costas, e o meu coração palpita. O médico me disse uma vez: “Ana, pelos seus exames, você está com uma leve arritmia. Está apaixonada?”, eu me lembrava disso quando tomava meus remédios. Era uma época de depressão leve, crise de pânico e muito estresse. Hoje não tomo mais remédios, hoje sou uma mulher com o coração normal, mente sã!Amor estou mentindo, eu lhe digo isso, estou bem amor…amor estou mentindo. Está tudo bem, mas falta algo, falta aquele com uma charmosa pintinha no lado esquerdo do teu rosto e barba por fazer. E eu me pego todos os dias com o coração apertado, meus olhos marejam quando acordo, quando acordo e vejo que cada maldito sonho é apenas uma projeção do meu inconsciente, que pega aquelas coisas lá no fundo, escondidas, coisas inimagináveis, e mistura-se com as coisas reais. Pega tudo isso e joga no meu teatrinho inconsciente com trilha sonora, cores e sensações. Os meus olhos se movimentam loucamente durante a noite, R.E.M…Não…Não estou perdendo minha religião.  Meus dançam e o meu inconsciente me engana, ele adora me enganar, E o maldito celular velho com DDD 51 desperta enquanto eu arranho suas costas. E com todo o meu ódio comedido eu amaldiçoo o passar das horas. Cada minuto em um sonho, corresponde a 1 segundo aqui, no real. Sabia disso?Enquanto você sonha com uma noite inteira de amor, se passou apenas 2 minutos no mundo real. Se eu pegasse um papel, um crayon e tivesse algum talento para desenhar, eu seria como Hyeronymus Bosh, eu iria descarregar toda minha tensão, minha loucura, minhas objeções, minha tristeza, meu riso e meu grito numa maldita folha de papel, ou em qualquer coisa, qualquer coisa que me dessem, mas isso sem nenhum pingo de moralidade. Mas isso seria no mundo real, porque no lugar mais obscuro dentro de mim, cada pedacinho de suas costas é um caminho que eu percorro. Eu faço desenhos imaginários com a ponta dos dedos, faço um entalhe com as unhas, um pincel molhado de aquarela com a língua.O papel ronrona feito um gato…ele tem um leve relevo, são bolinhas de calafrio. Eu adoro calafrios, porque vivem nos pregando peças. No calor de 40 graus, todo mundo tem um arrepio, ele surge nos pés e sobe até a nuca. Quando passa pelas costas ele faz uma pausa, e percorre mais devagar no pequeno abismo na cova do caminho da espinha dorsal. E quando ele chega na nuca, eu tenho mania de esfregar o pescoço, atrás, bem na nuca. Se me ver fazer isso, é porque senti um calafrio. E eu senti isso atravessando a rua, com pressa, numa quarta-feira. Eu não estava no meu melhor dia. Eu não queria que me visse daquele jeito. Eu estava no meu dia mais sem-graça. Aquele dia em que eu acordo e pego a primeira roupa que vejo pela frente, o primeiro sapato, passo um batom de qualquer jeito só para evitar os lábios ressecados por causa do ar-condicionado de todos os dias. Foi o dia que eu liguei o botão foda-se a aparência, hoje eu vou de qualquer jeito trabalhar. Eu estava cansada, com pressa e desleixada. Um dia depois eu estava de saia e salto alto. Era assim que eu queria que tu me visse. Cansada, distraída, com pressa, mas irresistível aos olhos. Bem, aos meus olhos, eu me acho linda. Eu me amo, de verdade. Mas tem aqueles dias em que me machuco, aqueles dias em que evito me olhar no espelho. Eu me olho e penso porque meu rosto foi construído em grandes proporções, nariz, boca de caçapa, olhos arregalados. Mulher é um bicho desgraçado, que nunca está contente com a aparência. Tem dias em que eu me amo, e dias em que me odeio. E você me viu justamente no dia em que eu acordei e pensei “foda-se o universo, foda-se o mundo, eu não estou preocupada com minha aparência hoje, afinal quem liga pra essa bosta?”. Eu fui lá, trabalhei, fiz meus companheiros de trabalho rir, eu dei risada das piadas ruins(eu confesso que tenho muito senso de humor, mas muito mesmo). Foi um dia como os outros, a diferença é que nesse dia eu pedi pra te ver, eu não lhe vi, mas como sempre estão zombando de mim e me privando das coisas belas, me deixando sempre a última a saber, eu estou aqui, amaldiçoando minha blusa listrada horrorosa, minhas pernas cobertas pela calça jeans aleatoriamente puxada do gaveteiro. E culpando meus olhos de coruja(meu pai me disse um dia que tenho olhos de coruja), por nesse dia não ter olhado na direção certa. E então eu fico apenas me perdendo tentando adivinhar como você estava naquele dia. Mas pra mim não importa, em traje de gala ou dentro de um escafandro, você será sempre irresistível. Basta apenas sorrir e me mostrar-me as covinhas que forma em teu rosto.

Hoje, eu não estou preocupada com estética textual, estou apenas escrevendo exatamente, exatamente aquilo que vai aparecendo. O meu estômago roncou agora, e a preguiça me impede que eu pause o Itunes, me levante da cama, abra a porta do quarto, e me arraste até a cozinha. Esse tipo de fome eu sei que posso saciar abrindo a geladeira, pegando uma faca, cortar um pedaço de queijo branco e um pedaço de goiabada bem vermelha. Papai pode acordar no meio da noite e me criticar, porque comer altas horas da noite faz mal. Eu iria segurar meu pratinho de goiabada com queijo, sorrir com cara de falso sono e dizer “Tá bom pai!”. E quando ele virasse as costas, eu abriria a geladeira e pegaria um pedaço bem grande de queijo e outro igualmente maior de goiabada. Meu Bem eu sou exagerada. Eu vou da treva, do abismo, à ultima camada da atmosfera, eu gosto dos extremos, mas transito também no meio termo. É como a iluminação, há a luz matinal, a penumbra e a escuridão. Não me fale que eu não consigo fazer uma coisa. Aí é que eu vou fazer mesmo. Não me provoque, por mais que eu não consiga, eu vou ter que arrumar um jeito de pelo menos tentar. E se eu não conseguir, eu vou ser aquela que vai fazer troça de minha própria desgraça. Eu me divirto Amor, eu me arrisco, eu não sou mais daquelas que tem medo de me dar mal. Eu dou risada de  meus erros, afinal, aprendi muito com ele. Eu acho graça quando vejo que estou sendo ridícula. Aí eu penso: hoje eu fui uma cretina, e isso não acontecerá mais. E assim vai ser. Eu não costumo cair no mesmo erro. Sou um ser orgulhoso, e muitas, muitas vezes, sou chata pra caramba. Um dia um amiga chegou e me disse que leu no horóscopo que ela teria uma surpresa agradável. Aí eu lhe disse: “Você acredita nessa merda?Você acredita mesmo sabendo que o universo está em expansão e os planetas e estrelas não ocupam mais a mesmíssima posição, e que a posição de estrelas, planetas e tudo mais tem mais a ver com física teórica do que com sua maldita personalidade?”. Sim, eu estava de mal humor. Isso acontece, e nessas horas a gente machuca as pessoas. Eu pedi desculpas e então ela continuou com o histórico dela de acontecimentos da semana, e o que o horóscopo acertou, que sempre, sempre são coisas óbvias. E em todo horóscopo, desde aqueles gerados pelo gerador de lero-lero 2.0 até os daquele astrólogo famoso, virgem sempre será considerado o mais sem graça de todos, aquele signo insuportável, cheio de burocracias e aquele que faz sexo por conveniência, e não porque gosta, e tem que se tudo muito limpo e devidamente higienizado. Você quer me Amar? Amor, quer que eu seja sua Garotinha, aquela que morde o lábio superior cada vez que te vê?Assine aqui então esse papel com 5 vias que diz que você pode fazer o que quiser comigo, desde que tenha tomado 3 banhos e esticado os lençóis da cama. E se for me jogar contra a parede, assine mais umas 10 vias. E não deixe as roupas espalhadas no chão, e não jogue meus livros no chão caso queira que a sobremesa seja servida em cima da mesa. Virginianos de modo geral, odeiam o caos. Talvez esse seja o motivo de fazer troça das pessoas que leem o horóscopo. Eu adoro o Caos, adoro supresas, odeio burocracia. Se você pudesse me ver agora meu Amor, você me veria deitada no meio das cobertas, com o lençol emaranhado, com os livros jogados em cima da cama. É no meio do caos que eu encontro minha paz de espírito. Na minha bagunça eu sei exatamente onde as coisas se encontram, mas tem dias que me dá branco e eu fico em uma procura frenética. É como sonhar. Quando eu acordo imediatamente,no meio da madrugada, eu lembro cada centímetro do que eu toquei, a música de fundo, a cor do gato Stalker que apareceu na janela e que se encrespava com nossa dança, mas logo adormeço de novo e acordo sem lembrar de quase nada. Apenas pedaços, apenas pedaços me restam. Eu odeio isso, Amor, como eu odeio. Uma fisionomia eu nunca esqueço, porque sonhos não podem ser assim também?Minha cabeça é tão hiperativa, porque eu não consigo fazer todas as minhas sinapses inconscientes tirarem uma foto do seu sorriso imaculado que sempre insiste aparecer, mesmo que seja bem rápido, perdido na multidão, e eu te procurando, te procurando. Mas não, não, eu só consigo me lembrar daquele sonho ridículo em que eu era adestradora de marmotas coloridas, numa escola para…MARMOTAS! Marmotas…marmotas são engraçadas. Dois dias depois eu sonhei que estava dormindo e tinha uma marmota em cima da minha cama, e ela não tirava os olhos de mim. Ficava lá parada, sem se mexer. Maldita marmota perturbadora…Parecia que estava me dizendo: “Eu sei…eu sei o que você quer”. Sim, sim, maldita marmota, eu quero aquele garoto com barba por fazer. Como você sabe disso?Nunca te vi mais marrom na minha frente. Some daqui, e deixe meu garoto se deitar. Mas a infeliz continuou lá e eu lembro exatamente cada centímetro desse sonho. Nunca vi aquela Marmota, mas ela me conhecia e sabia o que eu queria.

E agora eu me cansei, o sono veio. Eu vou olhar mais uma vez aquelas fotografias que me levaram para o inferno do êxtase neste final de semana. E cada vez que eu olhos para aquelas fotos, eu vou me derretendo, eu pego uma faca e corto meu coração em pedaços, jogo na chapa quente(está quente Meu Amor, muito quente), e disponho num prato. Ele está esperando você tocar sua canção e acomodar ele dentro de meu peito novo. Ele se recusa a voltar pra mim. Amor, ele quer que você o toque, cada pedacinho dele. Ele é sádico meu Amor, cada pedacinho que você juntar dele, ele vai dar um grito de extâse. Ele é tão bobo, tão bobo!!Estou ficando angustiada meu Amor…angustiada, porque eu sei que vou me deitar agora e vou sonhar com você. Mas eu sou sádica meu amor…eu gosto de sofrer ao lembrar que te amei um dia, mesmo que não tenha sido aqui e agora no universo real. Se ele veio do meu inconsciente, ele é um doce desejo oculto que quer se realizar…Desde quando você me disse: Prazer, eu sou o Fígaro!

Há dez anos atrás, a menininha pirava no menininho que cantava uma ópera no coral INFANTO JUVENIL. Ela não sabia quem era, ela apenas o admirava enquanto mexia suas mãozinhas dentro das luvinhas brancas que seu pai comprou só para aquela ocasião. Ela estava de preto, com luvinhas brancas, ela cantava com seus olhões perdidos no Fígaro. Mas eu era criança…eu era criança. O tempo passou…o menininho cresceu e apareceu do nada…Prazer, eu sou o Fígaro…E a menina do vestido amarelo, que mais parecia um quindim ambulante está te chamando pra dançar, mas ela precisa deixar seu vestido bonito de novo. A dança da vida judiou um pouco dela, mas ela está ressurgindo de novo, e ela quer ser seu raio de sol…

“Figaro quà, Figaro là!
Figaro quà, Figaro la!
Figaro sù, Figaro giù!
Figaro sù, Figaro giù!”

La la la la la la la la la la!

La la la la la la la la la la!

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