Love for a child

Está a garotinha num bar com seu pai,
Há bêbados ao redor, com seus copos reluzentes,
Observando embasbacados no meio dos soluços e garrafas,
A garotinha que brinca com as cartas do baralho,
Ela faz um enorme castelo de cartas,
Seu Rei está lá no topo, com o rosto colado…
[Na Rainha]

Hey filha!Vamos jogar uma partida de bilhar! – diz o pai
Ela sorri e escolhe o melhor taco e o melhor giz.
Enquanto o pai arruma as bolas sobre a mesa,
Ela olha lá fora e vê que pela estrada de terra vem um garoto,
Com sua bicicleta pequena, velha e singela,
Ele vem pedalando e freia na frente do bar,
Olha para a garotinha e diz “Olá!” e fica olhando sorrindo,
A garotinha responde, e então ela olha para seu pai…
[“Pode ir minha filha…”]

“Garoto do sorriso bonito!Para onde tu me levas?”
“Não se preocupe!Não se preocupe!Siga-me!”
“Vai devagar!Vai devagar!Minhas pernas não aguentam!”
[“Você está a milhas de distância!”]
[“Querido me espere!”]
O Garoto parou a bicicleta, voltou atrás e lhe deu a mão:
“Seguiremos o mesmo ritmo então. Eu lhe acompanho! Segure no meu braço!”

E a Garotinha segue sua jornada, olhando pra trás vê seu pai acenando,
Ela diz adeus e no meio do caminho tudo desaparece,
Há apenas a terra vermelha, o horizonte nublado,
Não há mais ninguém, apenas ela e seu Garoto na estrada,
Ela faz uma prece enquanto segura sua mão:
[Abençoados os lunáticos]
Que se esquecem
[das próprias convicções]…

E assim, a garotinha e seu garoto foram cantarolando,
Cantigas de criança, trovas, enigmas…
O Garoto olha para a Garotinha, ele lhe toca os braços:
“Está com você! Venha me pegar se puder. Corra! Corra!”
“Não vale! Você é mais rápido! Nunca vou lhe alcançar!”
[Cada passo um suspiro]
[Cada minuto, gotas de suor]
[Cada aproximação um sorriso.]

E quando a Garotinha alcança seu Garoto, ela o segura e o derruba no chão,
“Vou te contar um segredo, quer ouvir?” diz o garoto suado,
[Sujo de Terra Granada]
“Quero!”… E então a Garotinha rola de cima de seu garoto e deita-se,
Ao lado do seu Garoto, que olha para o céu cinza e triste com seus olhos castanhos,
[Olhos de caleidoscópio]
“Eu tentei correr mais rápido que você, eu não esperava que me pegasse”
[“Mas nossos passos são sincronizados”]
[“Nada mais há de se fazer. Você me pegou agora”]
[“O que faremos agora ma petite?”]

“Dance with me little stranger” – diz a Garotinha,
“Não podemos dançar agora!Olha só este lugar!” diz seu Garoto,
A Garotinha olhou ao redor, era tudo muito cinza e triste.
[Como as chuvas de verão]
No horizonte havia um campo aberto, mas ele não tinha nada.
Era um lugar onde ambos sempre estiverem, mas ele é velho e desgastado.
[Preciso de um novo lugar]- diz ela
[Preciso de tempo] – diz ele
E assim, a Garotinha abraça seu garoto e lhe beija a testa,
E quando ela abre a boca pra lhe dizer algo,
Ele sela seus lábios com os dedos,
[“Não diga nada! Você sabe o que eu sei”]

A garotinha foi andando pelo campo cheio de joio.
Ela se machucou com os espinhos que constantemente machucavam,
Ela precisa cuidar daquele jardim imenso, ela têm certeza disso.
Lá no horizonte, ao longe, há uma casinha cinza e velha, de telhado torto.
Sua chaminé é alta e ela pende para a esquerda,
Ela corre em direção a casa, vai chover e ela quer abrigo,
[Ela sente frio, quando seu Garoto não está por perto]

Ela bate na porta da casinha,
[Há alguém aí?Deixe-me entrar!]
Ninguém responde, nem mesmo o vento, nem a coruja marrom de olhos amarelos…
[Paralisada em cima do telhado]
Ela abre a porta devagar, está tudo escuro!
Em frente à porta que se abre está uma velha sentada num trono,
[Tal como sua avó paterna]
[Quando prestes a morrer]

Em seus dedos magros ela segura um terço,
E em cada conta do terço, ela passa as pontas dos dedos magros,
Sua boca se mexe, ela sibila alguma oração.
Ao lado de seu trono, tem um saco marrom e um regador.
A Velha pega o saco e o regador, e entrega para a Garotinha.
[Ela não precisa dizer nada.]
[A Garotinha sabe o que fazer.]

Ao lado da casa velha, há uma árvore velha e seca,
[Galhos retorcidos]
Nessa árvore há um balanço de madeira, preso por grossas cordas,
[Seu Garoto é o impulso]
Quando ele a empurra tocando suas costas,
Ela se sente mais viva, como uma borboleta.
[Ele gosta de Newton]
[Seu Garoto é a Força]
[É Ele que a faz balançar]
[É Ele que lhe ensina essa Poesia]

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