Poema irregular.

Eu escrevi esse poema, mas eu não sei como se faz

Todos os poemas de minha alcunha,

Foram abandonados pelo meu desprezo.

Eu joguei as páginas num buraco,

Risquei um fósforo e assisti os queimar.

Meu rosto queimava no calor daquele fogo,

Eu gostava disso, gosto até hoje, de sentar na beira e sentir.

[Teu calor]



Abracei meus joelhos e observei as labaredas.

Imaginei todas aquelas palavras dançando nas chamas,

Palavras ao vento, espalhadas, talvez sujando…

[alguma Honra?].



Quando criança havia um formigueiro na rua em frente de casa,

Chegava da escola, pisava com minha sandália em cima dele,

Sentava na calçada, a beira do formigueiro e observava,

As formigas desesperadas organizavam grão a grão

[O CAOS]



E então a ordem se estabelecia, no meio do desespero.

Eu era criança e tentava entender aquilo

As formigas desapareciam na calma já estabelecida.

Então eu pegava um galho e instalava novamente,

[A Violência]



Sou mulher, mas parte de minha alma ainda é criança,

Eu coloco um vestido preto, um salto alto e um perfume provocante,

Mas gosto de tirar meus sapatos, sentar-me na grama e observar,

[As Formigas]

Carregando o dobro do peso para dentro de suas casas.


Eu arranco um dente de leão, e assopro as sementes no seu rosto.

Você ri, aperta os olhos, eu lhe toco o rosto afastando os dentes de leão,

[Beijo teus cílios]

Olho teu rosto, teu sorriso enigmático me emociona.


Meus olhos agora querem enxergar todas as suas cores,

[Brilhe pra mim]

Como um prisma refletido na luz, e assim eu lhe pergunto:

[Permita-me amar-lhe?]



Segure  minha mão, aperte meus dedos,

Mamãe dizia que tenho mãos de pianista,

Nunca toquei piano antes, mas eu vejo um nas suas costas,

[Permita-me Tocar-lhe?]



Homem Valoroso, este é o significado de teu nome,

Na bíblia já foi crucificado, Pedro era teu irmão,

O teu nome de apóstolo eu sussurro

[Na Penumbra]



Meia-luz, neste momento estou agora, despindo meus sentimentos,

Consegue enxergar agora, meus olhos mirando você?


Meus olhos estão nus, eu consigo ver suas veias saltarem,

[na sua pele branca]



Eu sinto o seu calafrio agora, eriçando os teus pêlos,

Não me venha falando que é apenas

[Energia Estática]



Minha resistência queimou e não quero mais trocá-la,

Deixei-a lá com o Carpe Diem Modernista,

Não negarei mais, não quero esquecer

[Quero lhe amar debaixo de um cedro]



Beba-me quente como um gole de chá,

Pois você me disse que não importa o dia,

Em dias frios ou quentes você toma sua dose.

[Não se acanhe, mostre-me como é sua mágica]

Não reaja tal como na cantiga de amor

[de Christine de Pisan]

“Je vous vens La passerose.

-Belle, dire ne vous ose

Comment Amours vers vours me tire,

Si L’ Apercevez tout sanz dire.”



Quando me olhar face a face,

Faça o seu “Jugement d’ amour”,

Eu vou olhar e não direi nada,

Pois você sabe, eu sei que sabe…

[“Mon cuer avez, Je le desire, Por tousjous, Tout pour vous”]

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s