A minute seems like a lifetime
Oh baby, when I feel this day

Olha só esses lençóis brancos nessa cama de solteiro,
Impecáveis e imaculados nesse quarto tão vazio,
Eu ando dormindo num velho sofá, com um livro a tiracolo,
Apenas adormeço escutando o tic-tac voar pela noite,
Apenas um minuto para balbuciar algumas palavras sensatas,
Mas eu sinto que esse tempo congelou tudo ao redor,não há mais palavras,
E quando eu me sinto assim, eu apenas dou um sorriso sarcástico,
Porque o que eu tinha para dizer já foi dito, mas eu repito,
Eu repito quando eu me sinto assim…quando eu me sinto assim,
Meus pensamentos não tem chão…sou eu que escorrego nas horas,
Tic-Tac, Tic-tac…derretendo, dançando,escorrendo,bebendo…sozinha.

Eu estou retomando minha sensatez minuto a minuto,
Mas Amor, é muito difícil pra mim, então eu desisto,
Há muitas coisas a serem ditas, e quando eu me sinto assim,
Estou me embriagando com um vinho barato, sentada num velho sofá,
E então eu acordo e ainda estou com meus sapatos e roupas
Os dias escorregam devagar em minhas emoções, é assim que eu me sinto,
E quando eu me sinto dessa forma, não pergunte porquê, apenas aceite
Apenas aceite os meus lençóis sem vincos, esticados de forma militar,
Por quê?Por quê ando dormindo em um velho sofá, e quando eu acordo,
Quando eu acordo quero apenas voltar a dormir novo, lá onde as horas não passam,
Lá onde estou a recolher roupas amassadas pelo chão, duas taças em cima da mesa,
E pela manhã eu lhe observo do sofá com papéis e caneta, está dormindo agora,
Nessa cama com lençóis amassados…eu posso ouvir sua respiração devagar.
Nessa cama, com lençóis pecaminosos há provas de um crime…

Sittin lookin at the clock
Oh time moves so slow
I’ve been watchin for the hands to move
Until I just can’t look no more

Horas e horas de trabalho todos os dias, talvez eu escreva algo,
Ou talvez eu apenas quero ficar com olhos bem abertos,
Porque cada vez que eu sonho, é como se todas as manhãs,
Durassem uma eternidade, e quando chega a noite,
Há um raio de sol que me aquece, porque durante o dia,
Durante o dia eu tento em vão esquecer aquele que me tira o sono,
E então as horas seguem rolando como as pedras de uma montanha errante,
Durante um terremoto noturno eu ando descalço pelo quarto,
Talvez eu me deite novamente, e de olhos bem fechados, eu peço
Peço para não acordar mais, eu peço por lençóis trocados,
Sapatos, roupas, vergonha, medo, ansiedade, sensatez,
Peço para que tudo isso esteja atirado no chão,
E que eu continue escorregando, deslizando,sem abrir os olhos,
Porque toda vez que eu fecho meus olhos embriagados,
Toda vez que eu me sinto deste jeito, vem um Incubus me visitar…

Trains

Publicado: 11 de maio de 2012 em Amor, Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade

Estou esperando numa estação de trem, com agasalhos velhos,
Minhas mãos estão tremendo mesmo usando luvas,
Velhas e brancas como o orgulho e a teimosia dos tolos
Elas mal cabem em minhas mãos agora, mas o que importa?
Enquanto a chuva está caindo torrencialmente, eu espero o trem,
Nessa estação vazia e tão gelada, eu vejo pombos imundos,
Todo mundo foi embora, mas os restos ficaram para trás.

Always the summers are slipping away
Find me a way for making it stay

E quando a noite chega, em meus sonhos, eu toco seus lábios incógnitos,
Eles estão gelados agora, eles se movem, porém eu não entendo nada,
E como num filme de Luis Buñuel, tudo se torna sem sentido,
E eu vejo seu corpo se derreter como uma vela em um altar de romaria,
E numa outra cena desse sonho você está em pedaços, cacos de vidro,
E eu continuo ajoelhada, tentando juntar os pedaços e fazendo um vitral.
Talvez eu possa moldar esse vitral no altar de minha memória.

Talvez eu lhe diga adeus seguindo os trilhos, está chovendo agora
Talvez eu olhe para trás, e então posso fingir então, ao me despedir,
Que este meu rosto molhado é apenas as gotas dessa chuva me lavando a alma.
Eu poderia apenas ficar aguardando na estação, mas o verão passou,
O outono chegou e as folhas estão caindo, e eu estou apenas juntando,
E numa disciplina rigorosa eu as coloco dentro de um saco preto.
Mas com o passar dos dias, eu as jogo no chão novamente, e então eu me deito.
E eu adormeço novamente, e quando o trem passa, eu sigo sem rumo,

E numa próxima estação estarei a esperar novamente, um pouco de Amor.
Como faremos quando as próximas estações adormecerem de novo?
O que farão os tolos de novo ao divertir o rei?
E o meu orgulho será ceifado como uma alma sem salvação?
O que estou fazendo agora?Dormindo jogada numa estação com goteiras,
Seguindo sozinha noite com um terço azul nas mãos e uma prece a murmurar.

Estou beijando concepções vazias e sem razões de existir, falsas convicções, doces ilusões?
Está tudo bem agora…Meu Amor, está tudo bem agora, talvez eu acorde de novo.
E como uma cão sarnento e com fome, estou agora seguindo os trilhos,
E virão então outras estações, na primavera eu cuidarei de minhas flores,
E talvez eu volte numa outra estação, e continuarei a esperar olhando os trilhos,
E quando a locomotiva passar, talvez eu entre e sente ao lado, e então de olhos baixos,
Eu vou tirar a flor de meus cabelos e lhe entregarei, e então eu não direi mais nada,

Descerei na próxima estação, e então ficarei a balbuciar por anjos e demônios.
Ou apenas vou ver rostos na janela, e eu vou acenar um adeus, sentindo frio,
Eu toco seus lábios e eles sempre continuarão gelados, até o próximo verão,

[Numa outra estação, eu aguardo os trens carregados de razão]
[Em todas as estações chuvosas, estou buscando falsas emoções]
[E neste trem de ilusões eu me aqueço nas cores de um inverno]
[E seus lábios estão gelados...você move os lábios, mas eu não entendo]
[Os trens barulhentos estão cantando uma canção triste]
[ E no meu sonho de Luis Buñuel, teus olhos ardem como fogo]

[Mas teus lábios estão sempre gelados...e então eu lhe beijo]
[Tocando-lhe a face com minhas luvas que mal me servem. Porquê?]

Está tudo bem…está tudo bem agora,
Os trens estão passando carregados de desejo,
E a chuva está caindo me encharcando de loucura,
E eu estou sonhando como uma criança,
E nesse sonho eu brinco com locomotivas,
Nos trilhos da sala de estar eu vejo as locomotivas apitarem.
E em círculos elas passam apenas por uma única estação…

When I hear the engine pass
I’m kissing you wide
The hissing subsides
I’m in luck

Está tudo bem agora…está tudo bem agora…

When the evening reaches here
You’re tying me up
I’m dying of love
It’s OK

Volte a dormir agora…
Foi apenas um sonho,
E eu sou apenas uma criança, brincando nas estações.

Miss Sarajevo

Publicado: 6 de maio de 2012 em Razão e Sensibilidade

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Em 1993 no meio de ruídos de bombas e estilhaços,
Gritos de mulheres que acabaram de perder seus maridos,
Estilhaços de emoções, lágrimas e gritos lancinantes,
Enquanto um homem sem as pernas se rasteja pelo chão,
As pessoas se escondiam embaixo do solo coagulado,
Enquanto o chão treme, as mulheres seguravam seus filhos,
E uma canção de ninar triste sussuravam sem esperança,
E as crianças queriam apenas, brincar lá fora…

E as mulheres estavam correndo, com medo e pressa,
Elas passavam a mão nos cabelos com seus dedos magros,
As mãos trêmulas tentavam sugurar um batom velho,
Não existiam mais lojas de cosméticos e roupas bonitas,
Naquele lugar destruído, a beleza era cercada de medo,
O sorriso daquelas mulheres, existia esperança,
Enquanto o chão tremia, elas se equilibravam em velhos sapatos,
Velhas emoções, um sorriso triste e bonito, enquanto isso…
Os bombardeios cantaram uma canção triste lá fora,
Em volta de um leito frio, mulheres servo-croatas rezavam,
Os soldados chutam um homem agonizante no chão,
¹Refugiados estão voltando para o Líbano, com fome e o Alcorão.

Croatas e bósnios brigavam entre si, nesta guerra cínica,
O que nós estávamos pensando então?Eu era criança…
Mas na televisão eu me lembro, dos noticiários,
Havia uma mulher com os lábios trêmulos, rosto molhado,
Ela segurava seu filho morto nos braços, e eu não queria isso,
E eu me lembro que eu perguntei, na minha inocência,
“Mãe, porque ela está chorando?”, e eu estava esperando,
Apenas chegar a hora dos programas infantis,
E mamãe me dizia: “Intolerância, isso se chama guerra”
E então eu baixava meus olhos e continuava brincando,
E no noticiário, ²Sarajevo estava se destruindo, em pedaços.

E em Sarajevo, em 1993 em um porão celebrava-se a Beleza,
No meio daquelas ruínas, elas queriam apenas uma coroa
Na tristeza de uma guerra, elas provam que ainda há Beleza
Não existia glamour, cirurgiões plásticos, estilistas caros.
A beleza era clandestina, pura e surreal, e lá, existiu um tempo,

³[Is there a time for kohl and lipstick]
[Is there a time to walk for cover]

[Is there a time for different colors]
[Is there a time for tying ribbons]

A beleza segurava uma faixa, a beleza foi retratada com medo,
Em câmeras 8mm elas queria apenas pedir ao mundo:
“Não deixe que eles nos matem”…
E a Miss Sarajevo se tornou uma lenda, ela recebeu uma coroa  (4)
E enquanto as bombas estremeciam o chão, ela sorria,
E todos os olhares outrora tristes se viraram pra ela:

(5)[Here she comes, beauty plays the crown, here she comes...]
[Surreal in her crown]

(6)[Dici che il fiume, trova la via al mare]

(7)Em tempos de guerra o rio Miljacka continuou correndo,
Ele ficou poluído de limpeza étnica, a sujeira dos homens,

(8)[E come il fiume giungerai a me,Oltre i confini]

As mulheres choraram a morte de seus filhos e entes queridos,
E no céu sem Deus nenhum, elas poderão tê-los de volta?

(9)[Dici che come fiume, come fiume, L'amore giunger...L'amore]

E o Amor sempre estará presente, independente das guerras,
Enquanto existir o Amor, eu me pergunto…continuaremos vivos?

(10)[E non so pi pregare, e nell'amore non so pi sperare]

Estamos orando todos os dias, pedindo aos céus um pouco de Amor,

Porque nós acreditamos nele não é?Na sua beleza e na sua Força.

(11)[E quell'amore non so pi aspettare(...)Oltre i confini e le terre assetate]

E eu estou esperando o Amor…ele virá até mim?
Virá correndo majestoso como um rio e quente como um deserto?

Ou este meu Amor é apenas um rio numa miragem deste deserto?

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Glossário:

1 – Muitos servo-croatas de religião e descendência muçulmana se refugiaram no Líbano durante a guerra.

2 - Sarajevo é a capital da Bósnia-Herszegovina, antigamente chamada de  República Socialista de Bosnia y Herzegovina. De uma forma geral, a guerra civil ocorria em toda a região dos Balcãs, mas os noticiários da época se concentravam nesta região em específico.

3 – Neste ano, como forma de protesto, foi realizado um concurso de beleza, chamado “Miss Sarajevo”. A vencedora foi uma garota de 17 anos, chamada Inela Nógic, estudante, nascida em Sarajevo e muçulmana. Na época era estudante, e por causa do documentário realizado por Bill Carter, ela se transformou no principal símbolo da luta contra a guerra étnica em toda a antiga República Federativa da Ioguslávia, que foi desmanchada após os conflitos.

4 – “Existe um tempo para usar batom e maquiagem”,

“Existe um tempo para correr para os abrigos” – o concurso foi realizado em um porão, que servia de abrigo durante os bombardeios.

“Existe um tempo para cores diferentes”

“Existe um tempo para usar fitas de amarrar cabelo”

5 -

“Lá vem ela
A mais bela recebendo a coroa
Lá vem ela
Surreal em sua coroa”
6 – “Você diz que o rio, encontra seu caminho para o mar”
7-  O Rio Miljacka é o rio que corta a cidade de Sarajevo.
8 – “E assim como o rio, você virá para mim”
9 - ”Você diz que, como o rio, semelhante ao rio, o amor virá”
10 – “”E eu não consigo mais rezar de forma alguma, e eu não consigo mais acreditar no amor de forma alguma”
11 – “E eu não consigo mais esperar pelo amor de forma alguma…Além das fronteiras e dos desertos”

Bagunça

Publicado: 5 de maio de 2012 em Razão e Sensibilidade

Estrelas repletas de brilho no céu, poeira e quasares,
E todo esse brilho é tão antigo,esparso nesse caos,
Refletindo nos olhos como um sol de milhões de noites passadas,
E os sons desta noite relaxam meus nervos, eu amo a noite e essa bagunça.
Enquanto caminho de um lado para o outro, as luzes estão piscando, amarelas,
E eu estou apenas lembrando doces lembranças de um dia que nunca existiu,
Reino de tragédias, donzelas com febre, histórias em livros aleatórios,
Retirados de uma estante cansada de tanto peso, páginas velhas.

E então me disseram,”prove deste reino distante e bonito”,
E o que eu digo?O que eu digo então?Terei eu então o que dizer?
Carrego comigo todas as emoções que nunca tive, e talvez um dia,
Um lindo dia numa tarde ensolarada, eu brincarei com minha sombra.
Isto é divertido não é?Talvez um dia, um dia qualquer,
Eu voltarei a cobrir meus olhos com velhos filmes de máquinas fotográficas,
Estarei olhando para o céu, escondendo os olhos, do brilho do sol em eclipse,
E um eclipse pode ser muito bonito, assim, queimando meus olhos,
Talvez eu já esteja completamente cega, mas não…eu enxergo esse caos agora.

E então agora eu olho o que eu tenho de melhor, eu então, o que eu tenho a oferecer?
Há uma rosa em minha mesa, outrora ela foi jovem, e eu cuidei muito bem dela,
Mas agora ela está a envelhecer, e quando eu a toco,com as pontas de meus dedos,
Suas pétalas caem em meus pés…e então eu olho de novo, ela ainda é bonita,
Eu toco, suas pétalas ainda me são suaves, e se eu pudesse?
Se eu pudesse reconstruí-la de novo, eu pintaria suas pétalas,
Com um vermelho vivo novamente…ela está morrendo, mas eu posso, revivê-la?
Tornar minha rosa linda novamente, mas rosas morrem um dia não é?
E então eu olho, a beleza de um rosa será sempre eterna,mas ela morre,
E numa página perdida eu guardo suas pétalas velhas, e nessas páginas,
Eu também guardo o registro de uma bagunça, o que eu acho disto tudo?

E o que estamos fazendo aqui?Vivendo o melhor dos momentos?
Está tudo uma bagunça, eu sou forte demais para entender isso?
Porque justamente isso, o que acontece agora…nesta bagunça?
Olhos com ressaca, face embriagada, insônia, que bagunça é essa?
Eu sigo meus conselhos, o que estamos fazendo?Me disseram hoje,
Que hoje vai ter uma linda lua, a maior deste ano. E onde eu estou agora?
Na bagunça de minhas emoções, sentimentos sinceros e platônicos,
Eu vou olhar lá pra cima esta noite, e pedirei talvez um pouco mais de sensatez?
Estou sendo sensata agora?O que nós somos agora?Que bagunça é essa,
No último momento, antes de dormir, lá pela alta madrugada, o que pedir?
Eu chegarei perto de minha janela, e então?O que fazer?Eu amo essa bagunça…
Eu amo essa bagunça que você deixou há alguns meses, eu tento arrumar,limpar…
Esfregando meus sentimentos com falsos momentos de lucidez…gotas de razão.

Simplesmente, nesta bela bagunça, com minhas rosas desfalecendo,
Sapatos espalhados, aromas e páginas velhas, eu me vejo rasgando poemas,
Mas eu olho, essas páginas, e então às devolvo, porque eu deveria?
Rasgar meus sentimentos fora?Jogar numa fogueira?E as recordações?
Onde estarão então, todas as recordações?As recordações dessa bagunça?
Hoje à tarde eu saí para caminhar, e eu pensei nesse caos, nesse cortiço…
E por um instante eu quis, abrir mão e partir. Mas porquê?Porquê agora?
Esse reino onde dragões estão vivos e as princesas apenas esperam?
Eu não acredito em contos de fada, um dia a princesa matará o dragão?
Com suas próprias mãos, um dia as princesas roubarão espadas?
Porque nessa bagunça, não há mais cavalheiros, não há fadas, não há nada.
Há apenas um muro de utopia na minha mente, e eu estou sentada bem em cima do muro,
Os dragões são apenas moinhos de vento, eu sei disso, nessa bagunça, eu creio nisso.

E enquanto eu caminhava nessa tarde ensolarada, os carros passavam, as pessoas…
E um cão alegre estava a correr na Avenida Santa Isabel, e os jovens da universidade,
Batucavam e faziam barulho, e o cachorro correndo, parou e me fez festa,
Aqui ao lado, está rolando uma festa, e então eu escuto as músicas altas,
E eu me encho de felicidade, assim, no meu silêncio particular, caminhando por aí,
Com uma música nos ouvidos, eu não quero ser interrompida, eu estou pensando agora,
Que nesta bagunça que eu vivo agora, minhas dores são bonitas, mesmo incompreendidas,
Mas o que eu tenho a perder?A vida é isso não é?Perdas e ganhos?Ilusões e expectativas?
Alegrias, Amor, ruas tortas e sem sentido, felicidade, frustrações?Eu não sei dizer…
Nesta bagunça que deixou, eu quero apenas espalhar mais e mais esse Caos…
Eu estou atirando meus sapatos agora…nessa bagunça…essa bagunça que eu Amo.
E neste lugar, neste lugar que eu amo, pode atirar seus sapatos também…

Perché
Sono umani tutti i sogni miei
Con le mani io li prenderei, si perché
Sono umani questi sogni miei
Con le mani io li prendere…

Resolvi ir no cinema hoje,

Há muito tempo sabe?Muito tempo não faço isso.

Caminhar sozinha por ruas ermas, numa esquina sozinha,

ESPERAR UM ÔNIBUS, eu não me lembro amor…eu não me lembro

Me guio pela intuição no teclado…apenas isso, intuição.

E eu não sei meu amor, que música bonita numa língua estranha,

Eu não sei…eu não sei…querido onde você está agora?Rostos todos…

Iguais…iguais…beije-me agora porquê…sem juízo e equilíbrio…

Perdi a linha de ônibus, então pego um táxi

Paro aqui na rua de casa, dou 50 mangos pro taxista,

Amor, eu perco o ônibus, e então?

1 garrafa depois eu perco o rumo…1 garrafa depois todos tem a mesma face…

Um dia depois…um dia depois meu amor, algo me diz, me diga então,

Dormirei suave hoje a noite?

Hoje a noite meu amor, enquanto estava no taxi,

As luzes da estrada estavam belas…belas…rostos todos iguais…todos iguais

Eu chego em casa, amor estou tremendo..e eu nãopenso em nada, apenas escrevo.

amor eu minto, tu sabes…eu estou embriagada agora…eu penso agora

No impúblicável, impublicável…e eu te vejo…seu sorriso…impublicável…

Querido, eu não sei…eu não sei…eu fui no cinema hoje,

E o Hulk salvou o filme…salvou o filme,

Amor, estou perdida, eu perdi o ônibus, e bebi no Giovannetti,

Uma garrafa meu amor, uma garrafa, se pudesses me ver,

Amor me veja, meus olhos de ressaca…meus olhos grandes de ressaca

Os rostos são todos iguais…todos iguais…amor eu não sei, eu sinto frio!

AS luzes brilhavam e o meu  corpo agora treme…e eu escrevo…porque decorei…

A ordem exata do teclado…Amor, onde estou agora?Eu quero você agora?

Amor onde você está?Olhe em meus olhos agora…olhos de ressaca…

Querido eu me perdi, eu perdi a linha de ônibus, é tarde agora…resolvi me embriagar…

O que eu tenho a perder agora?São 01h00 da manhã agora…amor…estou tremendo

Meu corpo agora é um pêndulo…estou balançando, coisas impublicáveis…eu penso agora.

Querido estou sozinha…enebriada…num vinho chileno…amor fique comigo…impublicável.

E eu balanço, e hoje meu bem…dormirei suave…e os rostos, são todos iguais…

Amor, eu quero um banho frio…mas meu corpo apenas balança…eu posso escorregar…mas eu me deito

Estou deitada querido…mal consigo tirar minhas roupas…estou rindo agora…sozinha…

Uma garrafa depois, e eu mal lembro a senha do banco…mas eu me lembro de teu rosto,

E nesta noite fria…a única coisa que me esquenta…é um vinho e a utopia…teu rosto…utopia,

E minha professora de história gostava dessa palavra…utopia…utopia…utopia…

E eu queria meu bem…agora neste momento…coisas impublicáveis…

Eu dei uma nota de 50,00 pro taxista, mas eu nem sei…amor eu não sei

Se ele me devolveu o troco, se está certo ou não…mas amor, eu me perdi…

Eu perdi o ônibus, eu perdi o ponto, eu perdi você…eu bebi um vinho

E os rostos permanecem iguais, e euestou agora, tremendo e rindo…

Amor…me diga…eu dormirei suave…suave…

E eu queria…andar por ruas ermas…mas tu…me disse…evite…

Estou embriagada…lembrando de ti…teu sermão…dormirei suave

Amor…dormirei suave esta noite…olhe então esses meus olhos de ressaca,

Beije meus cílios essa noite…me jogue numa água fria…me dê beijos de café,

Cuide de mim…e amanhã…amanhã meu amor…beije meus olhos de ressaca…

Simple Woman

Publicado: 1 de maio de 2012 em Razão e Sensibilidade

Eu sou uma mulher simples, eu gosto do outono e da primavera,
Eu gosto do meu chá não muito quente e sem açúcar.
Eu tomo café apenas para me manter acordada,
Eu sou uma mulher simples, eu tenho sonhos coloridos
Eu gosto de símbolos e psicanálise, poesias e crônicas.

Eu sou uma mulher simples, eu gosto de aromas e cores,
Gosto de perfumes, flores, lápis de cor e de arco-íris.
Eu sou uma mulher simples, gosto de preto e vermelho,
E também adoro a cor purpúra, em tons escuros,
Eu sou uma mulher simples, rasgando poemas e jogando-os ao vento.

Eu sou uma mulher simples, meus olhos são grandes,
O Homem que eu amo tem olhos pequenos e escuros.

Eu sou uma mulher simples, eu gosto de observar,
Eu carrego um terço azul na carteira, eu o tenho há 16 anos,
O homem que eu amo carrega uma corrente fina e dourada,
Com um pequeno e bonito crucifixo apontando para o peito,
Eu sou uma mulher simples, e eu digo, todas as noites,
Oh Deus, abençoe este Homem que eu amo.
Eu sou uma mulher simples, com um amor simples.

Eu sou uma mulher simples, com uma rosa nos cabelos,
Eu gosto de flores, mas eu nunca ganhei flores,
Eu gosto de tulipas, tulipas amarelas e vermelhas,
Talvez algum dia, eu vá para a Holanda,
E nas ruas de Amsterdã eu andarei de bicicleta
Com uma cestinha cheia de tulipas, e eu estarei sorrindo?
E se eu fosse uma mulher numa vitrine em Amsterdã,
O meu sorriso seria apenas para o Homem que eu amo,
E eu então o chamaria, dançando na vitrine.
Eu sou uma mulher simples, com flores no cabelo…

Eu sou uma mulher simples, gosto de lugares calmos,
Gosto de olhar a chuva pela janela tomando um chá,
Sou uma mulher simples que gosta de pão amanhecido,
Esquentado numa velha frigideira com um pouco de manteiga.
Sou uma mulher simples, eu gosto de meditação e livros.
E nas minhas muitas horas sensatas, eu penso em um Homem simples.

Eu sou uma mulher simples, eu gosto de dançar,
Homem simples, dê-me sua mão e dê risada quando eu lhe pisar nos pés.
Eu sou uma mulher simples, eu gosto de um céu estrelado,
Eu me perco lendo mapas astrônomicos, eu perco as contas,
Quantas vezes eu olhei para o céu, e não entendi absolutamente nada?

Eu sou uma mulher simples, e eu amo um Homem,
Um dia este Homem me disse que tudo é equação,
Eu sou uma mulher simples, eu não entendo equações
Mas eu entendo, eu tento entender o cálculo
O cálculo da reflexão da luz naqueles olhos
Eu sou uma mulher simples, e eu acredito neste Homem,
Eu acredito quando um dia ele me disse que tudo é poesia.

Eu sou uma mulher simples, e eu tenho uma rosa nos cabelos
Os meus olhos são grandes, e eles estão olhando para um Homem Simples.
Eu sou uma mulher simples, com meus livros, canetas e papéis,
Eu tenho maçãs, uvas, ameixas e pêssegos na fruteira,
E aroma de morango em incensos espanhóis.
Eu sou uma mulher simples, eu tenho uma rosa…
Uma rosa nos cabelos e um Homem Simples em meus sonhos.

Eu sou uma mulher simples, com uma rosa nos cabelos...

Beautiful

Publicado: 29 de abril de 2012 em Razão e Sensibilidade
Estamos correndo, andando, jogando papéis no chão,
E estamos com pressa, deixando as coisas belas de lado.
Há uma criança sorrindo com sorvete na mão, não é lindo?
Ela está com os lábios sujos, camisetinha suja,
Há um homem lendo jornal, ele reclama da inflação,
E dores, cotações de dólar, guerras e celebridades.


E tem uma mulher que todas as manhãs ela cuida do jardim.
Ela me vê e começa a conversar, e ela está sempre feliz,
Sempre dizendo que ganhou uma nova flor, e isso é Beleza pra ela,
Então, ela me mostra um girassol, tulipas e suas roseiras, e ela diz:
["Todos os dias eu rego minhas flores, menos em dias de chuva"]
Está chovendo agora, e então eu sei que amanhã ela não regará as flores.


 E continuamos assim, andando por calçadas esburacadas,
Reclamando de preços, política, trabalho e sem tempo,
Sem tempo para viver, sem tempo para respirar.
Cadê o poder?Ninguém enxerga as pequenas coisas,
Ninguém enxerga o poder das pequenas coisas,
E eu me pergunto…Porquê?Seria isso tão difícil?


Eu acredito numa Força maior, eu acredito na mágica,
Eu acredito no sorriso, nas coisas triviais, na beleza do inesperado,
Eu acredito naquela criança que tem medo do escuro,
Eu acredito nela, quando ela diz que tem monstros no quarto.
Quem poderia tirar a beleza de seu medo?O que nos amedronta, dizem…
[O que nos amedronta, nos torna mais fortes um dia]


E eu acredito na felicidade da mulher com um balão de criança,
Ela comprou num parque urbano e vai dar ao seu filho,
E ela diz: “Não solte o balão, senão você perderá.”
E eu me lembro que quando eu ganhava esses balões,
Eu soltava eles da mão quando entrava no quarto.
E então eu ficava pulando na cama para alcançá-los.


[Mamãe ficava brava e me colocava de castigo]
[E hoje então, ela ri da situação e isso será algo bonito na memória]


E todo mundo sabe que as coisas bonitas estão aí,
Dançando muitas vezes na nossa frente, consegue ver?
Coisas belas querendo chamar a atenção, e nada então fazemos,
Estamos sempre a reclamar, blasfemar, desdenhar,
E eu tento entender, porque somos tão pequenos?



Andei escutando muito uma música, todos os dias, e ela me faz pensar nisso, na nossa mania de ignorar as coisas bonitas…


“Everybody knows that we live in a world

Where they give bad names to beautiful things
Everybody knows that we live in a world
Where we don’t give beautiful things a second glance
Heaven only knows we live in a world
Where what we call beautiful is just something on sale
People laughing behind their hands while the fragile
And the sensitive are given no chance…”


 
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